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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

30.01.26

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Sábado, 01 de Fevereiro de 2026.

Um dos aspectos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.

Já aqui anteriormente mencionámos o facto de os anos 80 e 90 terem sido palco de um enorme esforço de sensibilização para a ecologia, e para a importância de práticas como a reciclagem, a alimentação consciente, ou a utilização, sempre que possível, de materiais naturais no tocante a vestuário e calçado. Pois bem, uma cadeia de lojas ibérica decidiu, por volta da mesma altura, fazer deste conceito a temática central do seu modelo comercial, propondo artigos que – mesmo não sendo totalmente naturais, e ainda menos artesanais – seguiam ainda assim esse princípio, quer do ponto de vista da manufactura, quer de uma perspectiva mais estética.

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Falamos da espanhola Natura, fundada em 1992 e que viu a primeira loja internacional abrir em Portugal (concretamente na cidade do Porto) quatro anos depois, celebrando a mesma, este ano, as três décadas de existência. Facilmente reconhecível pelas enormes esculturas de ursos colocadas à entrada de cada loja (que quase pareciam ursos empalhados, tão elevado era o seu grau de realismo) e pelo cheiro a 'patchouli' proveniente do interior, os estabelecimentos da cadeia propunham uma enorme variedade não só de peças de roupa, mas também – sobretudo – de artigos decorativos e têxteis para o lar. Comum a toda esta diversidade de artigos era o 'design' rústico, quase parecendo, por vezes, feito à mão, e que se coadunava perfeitamente com a proposta da própria cadeia.

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A entrada de uma das lojas modernas da cadeia, com o icónico urso à entrada.

Curiosamente, apesar da estética e proposta reflectidas no próprio nome, a Natura optou, durante mais de duas décadas, por abrir as suas lojas exclusivamente em grandes superfícies comerciais, tendo a primeira loja 'de rua' da cadeia sido, inclusivamente, motivo de menção noticiosa aquando da sua abertura em Cascais, em 2017. Hoje em dia, a cadeia conta com quase seis dezenas de lojas em Portugal (quase todas, ainda, inseridas em 'shoppings' ou armazéns comerciais) iniciando a sua terceira década de existência no nosso País como uma das integrantes da restrita gama de estabelecimentos cujo próprio nome é garantia de vendas – razão mais que suficiente para celebrarmos, ainda que talvez prematuramente, a chegada desse marco para a cadeia espanhola.

29.01.26

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.

O nome é lendário e instantaneamente reconhecível para qualquer português com um mínimo de interesse em informação credível e jornalismo de investigação, elementos em que é reconhecida como uma das publicações de monta em Portugal há já mais de três décadas, desde a sua fundação em Março de 1993; e, presentemente, encontra-se em risco iminente de extinção, existindo actualmente apenas em fomato 'online', e dependendo do trabalho voluntário da sua dedicada equipa de redactores e dos donativos dos seus não menos dedicados leitores. Um quase-fim triste para uma revista que, surpreendentemente, não tinha ainda tido o seu espaço nas páginas do Anos 90, pese embora a sua importância no contexto da imprensa nacional.

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Falamos, claro, da 'Visão', grande 'fonte' de informação sobre os mais variados tópicos - sobretudo ligados à História, Política e Economia - para grande parte dos portugueses, dada a facilidade com que combinava factos complexos com um registo escrito ao mesmo tempo detalhado e acessível, uma 'proeza' que não é tão fácil de conseguir como parece, e que a ajudou a encontrar e estabelecer o seu lugar nas bancas nacionais e, posteriormente, a manter-se um passo à frente da grande 'rival' 'Focus'. Ainda mais impressionante, no entanto, foi o facto de esse mesmo registo e direcção editoriais terem resistido e sobrevivido a inúmeras mudanças de 'gerência', com a revista a estar inicialmente vinculada à editora suíça Edipresse, mais tarde à inescapável Abril-Controljornal, depois ao Grupo Impresa de Francisco Pinto Balsemão e, finalmente, à Trust In News, cuja falência originou a situação actual da revista (bem como de outra dezena e meia de publicações históricas da imprensa portuguesa, como a 'Caras', a 'Exame' ou o 'Jornal de Letras'). Longe estão, pois, os dias em que a 'Visão' se tornava a primeira revista nacional a ser distribuída em formato digital para 'tablets', entre outros méritos atingidos ao longo de quase três décadas e meia de vida.

Urge, pois, não deixar que esta referência do jornalismo investigativo português 'morra' de forma inglória, sendo que é ainda possível adiar o 'último suspiro' de uma revista que todos nos habituámos a ver no quiosque ou tabacaria a cada Quinta-feira (o que torna o dia em que este 'post' é publicado ainda mais significativo e emblemático) e estando grande parte do objectivo total de 200 mil euros (o necessário para os próprios jornalistas adquirirem a publicação) já atingido – tazão ainda mais válida para, em conjunto, os leitores da revista ajudarem a completar esse valor. Quem quiser contribuir para essa causa, poderá obter mais informações no seguinte link. https://visao.pt/atualidade/nao-fechem-os-olhos/2026-01-08-crowdfunding-continuar-a-visao-com-os-jornalistas-que-a-fazem/.

28.01.26

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.

Há já muito tempo, quando esta rubrica e este 'blog' eram ainda relativamente novos, falámos de alguns dos mais marcantes livros e autores nacionais do período englobado pelo mesmo, ou seja, a infância e adolescência das gerações 'X' e 'millennial'. No entanto, apesar de as referidas listas serem relativamente compreensivas, acabaram inevitavelmente por ficar de fora alguns nomes e volumes menos 'imediatos' e emblemáticos da literatura infantil da altura, alguns deles, inclusivamente, bem conhecidos no campo das obras literárias para 'mais crescidos'. É de um desses nomes, recentemente falecido, e da respectiva colecção infantil que falamos neste 'post', sugerido pelo nosso leitor assíduo e 'quase-colaborador' Pedro Serra.

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Os quatro volumes da colecção, por ordem de edição.

Falamos da também jornalista Clara Pinto Correia, falecida há cerca de seis semanas (em inícios de Dezembro) e que, há cerca de trinta e cinco anos (algures no ano de 1991), tentava a sua sorte no campo das colecções para crianças, com os quatro volumes das aventuras dos 'Irmãos Castanheira', um rapaz e uma rapariga que 'não são irmãos, mas parecem', já que partilham o mesmo nome (José e Maria José, ou o Zé e a Zé), apelido, prédio de residência, turma da escola e até equipa de remo – isto além de dois dos seus progenitores serem sócios de um negócio local, no caso um salão de beleza baptizado em honra dos protagonistas. A outra característica que ambos partilham é, claro, a propensão para 'tropeçar' em mistérios ao bom estilo 'Uma Aventura'/'Clube das Chaves', que formam a trama de 'Quem Tem Medo Compra Um Cão', 'A Canção dos Dinossauros', 'A Minha Alma Está Parva' e 'A Mulher Gorda'.

Uma premissa que, apesar de interessante, bem escrita, e com detalhes e personagens secundários cativantes (como a banda de música cabo-verdiana com o impagável e fabuloso nome de Dinhero Ca Tem, ou 'Não Há Dinheiro') travava uma batalha forçosamente desigual contra as grandes colecções da época (elencadas acima e a que há ainda a juntar 'Viagens No Tempo' e os clássicos de Enid Blyton, entre outros exemplos) bem como contra as obras de escritores como Alice Vieira, já mais estabelecidos junto do público-alvo. Assim, não é de admirar que a série de Pinto-Correia se tenha ficado pelos quatro volumes, os quais são (ou foram) ainda assim uma opção válida para quem já tenha lido tudo o resto que a literatura infantil portuguesa da época tivesse para oferecer. Quanto a Pinto-Correia, as suas contribuições para o jornalismo, literatura e educação nacionais encontram-se bem documentadas,e a sua morte, com apenas sessenta e cinco anos, representa uma perda de vulto para a cultura portuguesa. Que descanse em paz.

27.01.26

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

Apesar de as actuais gerações de adultos de meia-idade (X e 'millennial') serem as mais propensas à nostalgia pelos produtos mediáticos e comerciais da infância, essa mesma nostalgia tende a centrar-se, apenas, num núcleo algo restrito de alternativas (normalmente as de maior impacto a nível internacional, embora haja também lugar a algumas 'variantes' mais localizadas), com tantas outras, tão ou mais relevantes para a sobredita demografia à época, a caírem no esquecimento ou a 'ficarem pelo caminho', a ponto de até mesmo o omnisciente Google apresentar pouca ou nenhuma informação sobre as mesmas – aquilo a que, neste 'blog', tendemos a chamar os 'Esquecidos Pela Net'. E é precisamente sobre um deles, estreado há exactos trinta anos, que versa esta Terça de TV.

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Trata-se de 'Não Me Lembro, Era Pequeno', uma produção da RTP2 transmitida a partir de Janeiro de 1996 e que pretendia 'apresentar' às então demografias mais novas a década que haviam 'perdido' por serem demasiado pequenos para dela se recordarem (daí o título), ou seja, os anos 80. Ao longo do que se presume terem sido oito episódios (já que nem mesmo essa informação se encontra hoje disponível, sabendo-se apenas que cada episódio versava sobre um dos anos entre 1980 e 1988) eram recordados eventos, acontecimentos e personalidades da sociedade portuguesa oitentista, explicados de forma acessível à demografia-alvo, e com o intuito declarado de lhes aumentar a cultura geral.

Fica, assim, resumida TODA a informação existente no Google sobre o dito programa, sendo que até mesmo os habituais blogs 'irmãos' deste projecto ficam 'em branco' no tocante a esta misteriosa produção da RTP2 – isto já para não falar do Arquivo RTP, no qual, num caso praticamente inédito, a página relativa a episódios se encontra, também ela, em branco, fazendo deste programa, efectivamente, um exemplo nacional de 'conteúdos perdidos', ou 'lost media'. Assim, é tão-sómente no YouTube que se pode fica a saber mais sobre o programa, já que se encontram disponíveis na plataforma um par de excertos do mesmo, que abaixo mostramos.

No restante, esta retrospectiva sobre o 'Esquecido' mais esquecido deste 'blog' até à data afigura-se como forçosamente curta, servindo para pouco mais do que assinalar os trinta anos da estreia de um programa de que já nem mesmo a própria emissora se recorda nos dias que correm – um feito notável e praticamente inédio na História do Anos 90, e da televisão portuguesa em geral.

26.01.26

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

Quando se fala de bandas icónicas da cena pop-rock portuguesa de finais do século XX, os Delfins afirmam-se como incontornáveis. Com o seu som levemente electrificado, de refrão e consumo fácil, e beneficiado pelas letras em português, o grupo era 'feito à medida' para as ondas radiofónicas nacionais, contando ainda com o benefício adicional de o seu icónico vocalista, Miguel Ângelo, ser considerado um dos maiores galãs portugueses da época, fazendo 'suspirar' grande parte da demografia-alvo do grupo. Não admira, pois, que a banda tenha somado uma sucessão de êxitos ao longo do seu percurso, e tão-pouco é surpreendente que uma colectânea desses mesmos êxitos tenha dominado as tabelas de vendas discográficas portuguesas durante um período alargado, poucos meses após ter sido lançado.

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De facto, após um início de ano ainda sob a 'alçada' de 'Made In Heaven', o álbum póstumo de tributo a Freddie Mercury lançado pelos igualmente incontornáveis Queen, os 'tops' nacionais ver-se-iam novamente 'subjugados' a um 'reino' prolongado, desta feita de cunho nacional, quando Miguel Ângelo e companhia se tornavam 'Delfins' da 'monarquia' musical nacional no início da terceira semana de Janeiro de 1996 – de há quase exactos trinta anos a esta parte. Iniciava-se assim o primeiro e mais prolongado de quatro (!) 'reinos' da colectânea 'O Caminho da Felicidade' no topo das tabelas discográficas, o qual apenas viria a findar já em inícios de Abril, quando o disco seria destronado pelo álbum de estreia (e único) dos Mamonas Assassinas, o grande fenómeno musical e cultural daquele ano em Portugal.

No total, esse primeiro período no topo das tabelas saldar-se-ia numas impressionantes dez semanas (ou dois meses e meio), ao qual acresceriam ainda mais uma logo em fins de Abril ('dividindo em dois' o 'reino' dos Mamonas), outra em fins de Agosto, e mais cinco a partir de fins de Setembro, para um total de dezassete semanas ao longo do ano de 1996. Um domínio apenas rivalizado por outros 'campeões de vendas' históricos como 'Mingos & Os Samurais', de Rui Veloso, ou 'Feijão Com Arroz', de Ivete Sangalo, e que (re-)estabelecia os Delfins como nome de peso da música portuguesa, colocando o grupo de Cascais em posição privilegiada para obter outro mega-sucesso com o seu álbum seguinte, 'Saber A Mar', lançado ainda nesse ano de 1996 e que voltaria a atingir o 'pódio' no ano seguinte, ainda que atrás do 'imparável' relançamento de carreira de Paulo Gonzo, com 'Quase Tudo'. Desse, no entanto, falaremos noutra ocasião; por ora, ficamo-nos por esta breve recordação de quando os Delfins lançaram uma colectânea que, sem que o grupo o soubesse, dificilmente podia ter um título mais apropriado, já que ajudou Miguel Ângelo e companhia a encontrar 'O Caminho da Felicidade' no tocante à progressão de carreira...

25.01.26

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sábado, 10 e Domingo, 11 de Janeiro de 2026.

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.

A par dos barcos e dos inevitáveis carrinhos, os aviões de brincar eram outro dos tipos de veículos à escala populares nas décadas anteriores à revolução digital – na qual se incluem, claro, as últimas duas do século XX, bem como os primeiros anos do centénio seguinte. E porque a versão 'alada' dos não menos icónicos carros telecomandados – no caso, os aviões de modelismo – eram caros e muitas vezes complicados de montar e operar, a maioria das crianças ficava-se pela versão 'analógica' (ou de controlo manual), em plástico colorido, disponível em qualquer loja de brinquedos, drogaria ou, muitas vezes, até mesmo na loja dos 'trezentos', embora neste caso numa variante bastante mais 'manhosa'.

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Capazes de proporcionar bons momentos tanto num Sábado aos Saltos como num Domingo Divertido (desde que, claro, houvesse espaço suficiente no quarto ou no corredor de casa) os aviões de brincar – fossem com ou sem fio – apelavam ao tipo de imaginação que se vai perdendo com a massificação das tecnologias digitais, permitindo à criança imaginar-se piloto de um caça, hospedeira de bordo, ou até (para os mais 'preguiçosos') passageiro de um avião a jacto a caminho de um destino paradisíaco. O tipo de 'faz-de-conta', portanto, que qualquer criança aprecia, e que tão importante é na fase de crescimento e conhecimento do Mundo – e, neste caso, conseguido com recurso apenas a um pedaço de plástico colorido mais ou menos aerodinâmico, num exemplo perfeito do tipo de diversão simples e descomplicada cada vez mais rara nos dias que correm, mas que tão emblemática é daquela era mais inocente da existência humana, em que nem tudo se encontrava perpetuamente ao alcance das pontas dos dedos, e era preciso utilizar a imaginação para simular por si próprio qualquer experiência menos habitual...

23.01.26

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

Recentemente, falámos nesta rubrica de um dia, perto do final do ano 2000, em que estrearam em Portugal vários filmes de interesse para o público jovem; no entanto, por nos termos focado numa data específica, ficou por mencionar uma outra película, estreada em Portugal cinco anos antes, e que, como tal, acaba de completar, há pouco mais de um mês, trinta anos sobre a sua exibição no nosso País.

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Tratava-se de 'A Chave Mágica', a adaptação cinematográfica da obra 'O Índio no Armário', de Lynne Reid Banks, publicada quinze anos antes (em 1980) e que, por alturas do lançamento do filme, se havia tornado já num clássico infantil moderno entre as crianças norte-americanas, as quais se terão regozijado com esta adaptação. Já em Portugal, o livro era menos conhecido (apesar de ter sido publicado em tradução portuguesa) e, como tal, será mesmo o filme o principal ponto de referência para quem era de uma certa idade à época; e a verdade é que, como principal forma de conhecer a história, é um veículo perfeitamente válido, sendo daqueles filmes que seguem o material de origem quase 'à letra', retendo todas as suas qualidades e não arriscando incorrer em quaisquer defeitos.

Tematicamente, 'A Chave Mágica' insere-se naquela 'safra' muito particular de longas-metragens infantis de meados dos anos 90 centradas em torno de uma situação de 'realismo mágico' causada por um objecto quotidiano aparentemente inofensivo, da qual 'Jumanji', 'Pagemaster' ou 'Pequenos Guerreiros' talvez sejam os exemplos mais conhecidos; no caso do filme em questão, a 'pista' está no próprio título; de facto, é quando o protagonista Omri usa o armário encontrado e consertado pelo seu irmão mais velho para guardar duas das suas figuras de índios e 'cowboys' de plástico, e dá a volta à chave para o fechar, que se descobre que o sobredito móvel tem a capacidade de dar vida a objectos inanimados. Assim, quando Omri volta a rodar a chave na fechadura, depara-se não com os brinquedos que ali deixara, mas com um índio e um 'cowboy' de carne e osso, transportados através do tempo algumas centenas de anos e 'encolhidos' para o tamanho de uma figura de acção, mas de outro modo vivos, conscientes...e aterrorizados.

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Touro Sentado e Boone, dois humanos magicamente transportados para o futuro pela titular Chave Mágica.

Segue-se a habitual trama de tentar esconder os 'convidados' sobrenaturais dos adultos, com a agravante de que o cobarde Boone e o intempestivo Touro Sentado (inexplicavelmente chamado Touro Pequeno na tradução do livro) não parecem capazes de parar de se tentar agredir mutuamente, nem dispostos a evitar o choque de personalidades – pelo contrário, cada um dos homens faz a Omri exigências que o pequeno tem de se esforçar por cumprir, apesar das circunstâncias menos do que habituais. O resultado são noventa minutos (ou algumas centenas de páginas) de peripécias que balanceiam muito bem o humor, o drama e o sentimentalismo (sem que este nunca chegue a tornar-se 'lamechiche'), além de procurarem veicular algumas informações sobre o modo de vida dos nativos e colonos americanos no período histórico de que Boone e Touro Pequeno são oriundos. Uma boa escolha para uma Sessão de Sexta em família, portanto, que merecia ser mais lembrada, trinta anos depois da sua chegada aos cinemas lusitanos.

22.01.26

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.

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Alguns dos cromos da colecção (crédito da foto: Brindemania / Delfim Alexandre).

Em plena 'era de ouro' dos brindes em produtos alimentares – em que várias companhias se digladiavam para oferecer a próxima 'febre' de recreio nos seus pacotes de cereais, batatas fritas, iogurtes ou bolos vários – os produtos da Panrico destacavam-se por, apesar de mais discretos que alguns dos da 'concorrência', serem consistentes, e consistentemente bem recebidos e apreciados pelo seu público-alvo. De facto, apesar de nunca se desviarem muito das colecções de cromos e outras quinquilharias em papel, os brindes do Bollycao e das Donettes eram, invariavelmente, motivo de interesse para as crianças e jovens portuguesas de finais do século XX, que se regozijavam em coleccionar e trocar os cromos dos 'Tous', desdobráveis do Dragon Ball Z, as cartas dos Bollykaos ou as icónicas 'Janelas Mágicas'. Em meio a estas memoráveis promoções, no entanto, houve, claro está, outras que passaram mais despercebidas, não deixando grande marca nas gerações 'X' e 'millennial' lusitanas. É o caso daquela que abordamos neste 'post', levada a cabo há coisa de trinta anos – nos primeiros meses do ano de 1996 – e que, hoje em dia, apenas é lembrada em sites como a Brindemania, de onde sai a imagem que ilustra este 'post'.

Talvez o insucesso da colecção 'Isto...' (uma óbvia alusão à mais famosa colecção de sempre do Bollykao, os icónicos 'Tous...') se devesse à falta de foco temático da mesma. De facto, enquanto a maioria das outras gamas promocionais tinham algum tipo de fio condutor, 'Isto...' era tão vago quanto o próprio título, indo as imagens nos cromos desde os animais selvagens até objectos ou imagens mais caricaturadas – uma abordagem que resultava para certas gamas de Tazos, por exemplo, mas que, aqui, apenas denota uma certa falta de critério ao realizar a colecção, o que talvez a tenha ajudado a tornar menos memorável do que outras suas contemporâneas (à laia de comparação, na mesma altura, a Matutano propunha as icónicas Matutolas).

Assim, o principal motivo para coleccionar os cromos prendia-se mesmo com um daqueles concursos tão clássicos da época, com probabilidades efémeras, mas não impossíveis, de ganhar o grande prémio, e que constituíam razão suficiente para comprar mais e mais produto, na esperança de ver sair o cromo premiado. No caso do 'Isto...', o prémio em causa eram uns patins em linha, um dos tipos de objecto mais cobiçados de finais do século XX, e que a promoção apregoava dar às centenas, despertando a cobiça de qualquer 'puto' daquele período. Conquanto seja possível que os vencedores de tal concurso recordem com afeição a promoção, no entanto (por motivos óbvios) para os restantes 'X' e 'millennials' portugueses esta terá sido uma colecção que passou muito mais despercebida do que a maioria das outras do Bollycao ou produtos semelhantes, não sendo hoje, quase exactamente trinta anos depois, mais que uma 'nota de rodapé' na História dos brindes promocionais em Portugal.

21.01.26

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

A hegemonia da Abril/Controljornal no tocante à edição de banda desenhada 'de quiosque' em Portugal – com o controlo total sobre lançamentos da Disney, Hanna-Barbera, Looney TunesMarvel e DC no mercado nacional, entre outras propriedades populares – já foi aqui sobejamente abordada em várias ocasiões, bem como a capacidade que a mesma outorgava à editora para correr riscos e 'testar as águas' com lançamentos únicos e séries limitadas, das quais tantas eram bem-sucedidas quantas falhavam redondamente ou ficavam a 'meio caminho'. É nesta última categoria que se insere a publicação de que falamos neste 'post', uma ideia perfeitamente válida e cheia de boas intenções, mas que acabou por não granjear em Portugal o sucesso que tivera além-mar.image.webpimage (2).webpCapa das duas únicas edições da série lançadas em Portugal. (Crédito das fotos: OLX)

De facto, enquanto que no Brasil 'Origens dos Super-Heróis Marvel' se traduziu em toda uma série de revistas, em Portugal, a publicação parece ter-se ficado pelos dois números (o segundo nem sequer chegou lá a casa na época, crendo o autor deste 'post' que se tratava de uma edição singular) lançados entre 1996 e 1997. E apesar de as razões por detrás desta interrupção prematura não serem claros, a verdade é que é difícil compreender como uma revista com uma premissa tão 'à prova de bala' não consegue singrar junto do seu público-alvo.

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Uma das histórias incluídas no primeiro volume. (Crédito das fotos: OLX)

Como o próprio nome sugere, os dois números de 'Origens' consistem, pura e simplesmente, de compêndios de histórias clássicas da Marvel, muitas delas inéditas em Portugal. Do regresso do Capitão América após décadas em criogenia à origem do Homem-Aranha ou ao casamento do Senhor Fantástico com a Mulher Invisível, são várias as BD's marcantes constantes de cada um dos volumes, um conceito que deveria ter feito as delícias dos fãs destes e de outros super-heróis – algo que, conforme já referimos, acabou por não suceder, por razões que se perdem nas 'brumas' do tempo. Quiçá a natureza algo 'palavrosa' das tramas clássicas não tivesse apelado ao público nacional, quiçá fosse uma questão de preço (o primeiro volume custava pouco mais de trezentos escudos, e o segundo quase quatrocentos, valores consideráveis para a permanentemente 'falida' juventude 'millennial') ou talvez se tratassem apenas de problemas editoriais; fosse qual fosse a razão, a verdade é que os dois volumes de 'Origens dos Super-Heróis Marvel' nunca chegaram a ter continuidade como sucedeu no Brasil (onde há registo de pelo menos seis volumes da série), sendo ambos hoje considerados relativamente raros.

Para quem os leu na altura, no entanto, ambos terão constituído uma 'novidade' relativamente excitante, oferecendo algo diferente das revistas mensais com histórias contemporâneas, e permitindo um então raro vislumbre dos 'primórdios' dos heróis que as protagonizavam – razão mais que suficiente para lhes dedicarmos algumas linhas nesta nossa rubrica devota à banda desenhada publicada em Portugal em finais do século XX.

20.01.26

A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.

Apesar do seu curto tempo de vida (quase tão curto quanto o da antecessora Sega Saturn) a Dreamcast conseguiu, como aquela, deixar marcas na memória nostálgica de uma determinada geração, muito graças à elevada qualidade de muitos dos títulos de que dispunha na sua limitada biblioteca. Foi, por exemplo, graças à consola de 128-bit da Sega (pioneira, aliás, dessa geração, tendo saído um ano antes da icónica PlayStation 2) que os 'X' e 'millennials' puderam, pela primeira vez, desfrutar de jogos como 'Sonic Adventure', 'Soul Calibur' 'Crazy Taxi' ou 'Marvel vs Capcom' num contexto caseiro, sem terem de se deslocar ao salão de jogos mais próximo, e foi também aquela consola a responsável pelo lançamento no mercado de um dos mais impressionantes jogos da sua geração, ainda hoje visto como um momento 'divisor de águas' entre a geração de consolas de 32- e 64-bit e o que estava para vir.

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Falamos de 'Shenmue', lançado na Europa mesmo na 'recta final' do ano 2000 – concretamente a 1 de Dezembro – e que impressionava, desde logo, pelos mirabolantes avanços gráficos em relação a outros jogos da época, que ajudavam à atmosfera imersiva e cinemática que o título procurava projectar. De facto, 'Shenmue' era quase mais filme do que jogo, com o tipo de história intrincada e desenvolvida que então apenas começava a ser 'de regra' em lançamentos interactivos, com a ênfase a ser posta em tarefas mundanas, típicas dos géneros RPG e (sobretudo) 'point-and-click', e menos nas cenas de acção que talvez se esperassem daquela que é, essencialmente, uma aventura de acção e artes marciais ao mais puro estilo Hong Kong.

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A primeira das duas sequelas do jogo, lançada em 2002.

Infelizmente, esta dicotomia entre expectativas e realidade fez com que o interesse inicial rapidamente se diluísse, deixando apenas um jogo lento e de cariz algo trivial; assim, passada a euforia causada pelos gráficos e atmosfera, 'Shenmue' acabou por se saldar num fracasso comercial, adquirindo um estatuto sobretudo de culto entre fãs do género de 'role-play' e críticos especializados, que o continuam a inserir em múltiplas listas de 'melhores jogos de sempre'. O interesse deste pequeno mas vocal nicho foi, também, suficiente para justificar duas sequelas, a primeira dois anos após o original, também para Dreamcast, e a terceira já na 'era moderna', em 2019. Para a grande maioria dos jogadores, no entanto, são os impressionantes ambientes do primeiro jogo que imediatamente vêm à memória ao ver o nome 'Shenmue', sendo os mesmos, ainda hoje, o principal motivo para a fama do título, justamente considerado revolucionário para a época em que saiu – e, por isso mesmo, merecedor de homenagem, mesmo que seis semanas atrasada em relação aos vinte e cinco anos do seu lançamento.

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