Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

30.11.25

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Sábado, 29 de Novembro de 2025.

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.

Clássicos, simples e divertidos – eram assim alguns dos melhores brinquedos dos anos 90, daqueles que qualquer jovem da época lembra com saudade. E os dois produtos (vagamente relacionados) que abordamos em mais um 'post' duplo de fim-de-semana faziam, certamente, parte desse lote, combinando características irresistíveis para a maioria das crianças e jovens, e fazendo por merecer a atenção dessa demografia.

WUhl2sRe-UGOPjiVlWmDWf_O0VFMecB8ZhHDjJ88Hxg.webpdownload.jpeg

Falamos dos soldados rastejantes e pára-quedistas, dois brinquedos que, para além da temática militar, partilhavam também um elemento de 'acção' independente ou automática que os tornava tão adequados para um Domingo Divertido como para serem companheiros de 'aventuras' durante um Sábado aos Saltos. O segundo, em particular, beneficiava consideravelmente em ser utilizado no exterior, devido às potencialidades trazidas pela acção do vento sobre o seu pára-quedas, mas também o primeiro podia ser colocado a rastejar no jardim, sobre um muro ou até na rua, criando assim uma situação mais 'realista' do que o simples avanço sobre a alcatifa ou madeira do chão de casa.

A simplicidade de ambos estes brinquedos ajudou, também, a garantir a sua longevidade – embora, como sucede com tantos outros produtos abordados nestas páginas, o interesse em ambos seja muito mais reduzido do que era naquela época áurea de finais do século XX. Ainda assim, quem quiser adquirir um destes dois brinquedos (ou mesmo ambos), para mostrar aos filhos o que divertia as crianças do seu tempo, pode ainda facilmente fazê-lo – embora deva ficar a ressalva de que, como com qualquer outro produto de apelo nostálgico, existe o 'perigo' de acabar por ser o progenitor a brincar com a nova 'prenda', tal como fazia há três décadas atrás...

29.11.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sexta-feira, 28 de Novembro de 2025.

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

A época natalícia foi, desde sempre, catalista de produções cinematográficas para toda a família, muitas das quais postumamente consideradas clássicos do género ou da época do ano; de 'Do Céu Caiu Uma Estrela' ou 'Uma História de Natal', passando pelas 'milhentas' adaptações de Dickens, até clássicos modernos como 'Sozinho Em Casa' (e respectiva primeira sequela) 'O Expresso Polar' ou 'Milagre em Manhattan', o que não falta são exemplos de películas unanimemente consideradas emblemáticas do período em causa. No entanto, tal como sempre acontece, nem todos os filmes de Natal são cem por cento consensuais, e a passagem dos anos tem adicionado algumas obras mais 'divisoras de opiniões' ao cânone do género, bastando pensar em 'O Tesouro de Natal', de Schwarzenegger, ou 'Elf – O Falso Duende', de Will Ferrell, para descobrir exemplos deste fenómeno. O filme que abordamos nesta Sessão de Sexta pré-quadra, e sobre cuja estreia nacional se celebra dentro de poucos dias (concretamente a 1 de Dezembro) o exacto quarto de século, é mais um título a adicionar a esta lista, contando como clássico para muitos 'millennials' e até alguns 'Z', mas gerando opiniões menos favoráveis por parte de quem era até ligeiramente mais velho aquando da sua chegada a Portugal.

O_Grinch_29.webp

O contexto nacional (onde o personagem tinha expressão nula até à chegada do filme) também não ajudou a que 'O Grinch' granjeasse de imediato o favor do público-alvo, que, sem a 'ajuda' do especial animado dos anos 70, ou mesmo da história original de Dr. Seuss (ambos elementos profundamente enraizados na cultura infantil norte-americana) era obrigada a 'descobrir' por si mesma aquele monstro verde com desprezo pelo Natal, interpretado em 'carne e osso' por um Jim Carrey em puro 'modo caretas', escondido atrás de uma maquiagem verde que o tornava praticamente irreconhecível, não fossem as referidas expressões 'elásticas'. E embora o restante elenco não deixe, de todo, a desejar, com 'character actors' como Christine Baranski, Molly Shannon, Clint Howard ou Mindy Sterling, a verdade é que Carrey é mesmo a 'estrela da companhia', assumindo quase total protagonismo – algo que acaba por prejudicar o filme, sobretudo aos olhos de quem não aprecia esta faceta do actor, ou a prefere em pequenas doses. Isto porque grande parte do filme é passada com o Grinch a monologar para o seu cão, na sua caverna, o que dá a Carrey amplas oportunidades de improvisar e 'fazer caretas', de que o actor principal acaba por abusar um pouco, prejudicando tanto o ritmo como o potencial cómico do filme. No final, fica a sensação de que talvez o comediante tivesse conseguido 'safar-se' com este tipo de abordagem cinco anos antes, quando estava no seu auge, mas que, em Dezembro de 2000, a mesma parecia já um pouco 'estafada'.

Ainda assim, para quem QUER ver Jim Carrey fazer o máximo de caretas e trejeitos possível – ou, pelo menos, não se importa que tal aconteça – 'O Grinch' é uma opção perfeitamente viável para a 'rotação' filmográfica do mês de Dezembro, sobretudo para quem tem crianças pequenas. Trata-se de um filme relativamente inofensivo, com uma boa mensagem (apesar de um ou outro momento algo mais 'descabido') e boas interpretações de todo o elenco (ainda que se desaconselhe a horrível dobragem portuguesa, que torna a obra ainda mais intragável). Pena, portanto, que o veterano do cinema familiar Ron Howard não tenha sabido (ou querido) 'travar' um pouco o seu actor principal, preferindo 'vender' o filme precisamente na base do seu nome e modo típico de actuar, e acabando assim por alienar a parcela da audiência capaz de apreciar (ou, pelo menos, tolerar) um filme de família com tema natalício, mas com pouca 'paciência' para exageros pseudo-cómicos em demasia...

28.11.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quinta-feira, 27 de Novembro de 2025.

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

big-baby-pop-blue-raspberry-cola-32g-112769.webp

A versão moderna do doce encontra-se ainda disponível em muitos países.

'EU NÃO SOU BEBÉ, MAS QUERO BIG BABY!'

O anúncio pode, hoje em dia, não figurar no YouTube ou em qualquer outra rede social (pelo menos, não em versão portuguesa) mas quem ouviu o refrão certamente não o esqueceu. Num daqueles casos em que a publicidade era mais memorável que o próprio artigo, as 'chupetas' Big Baby – chupa-chupas contidos num invólucro em forma de biberão, e com uma saqueta de pó amargo para polvilhar por cima, a fim de obter um resultado semelhante ao dos icónicos chupas azedos – serão, talvez, mais recordadas pela geração 'millennial' portuguesa por essa 'viciante' melodia do que propriamente pelo produto em si, que nunca chegou a ter tanta tracção quanto os referidos chupas azedos, ou outros doces com 'artimanhas' especiais, como os chupas de anel, os Melody Pops ou os Push Pops.

A verdade, no entanto, é que, para quem gostava da dicotomia doce-azedo, estes chupa-chupas cumpriam perfeitamente a sua função, tendo ainda uma vertente de apelo visual, sempre importante para qualquer criança no momento de considerar adquirir ou não um produto. Pena, pois, que não se pudesse guardar o invólucro para uso posterior como 'caixinha' para 'quinquilharias', ou algo semelhante...

De ressalvar que, embora desaparecidos do mercado português, os Big Baby continuam disponíveis em países da América do Norte e Latina, nos quais sobrevivem há já mais de três décadas, presumivelmente apreciados pela juventude local. Deste lado do oceano, no entanto, este doce continua a ser, acima de tudo, uma vaga memória de um 'jingle' contagiante que finalizava um anúncio de dez segundos há quase trinta anos atrás...

'EU NÃO SOU BEBÉ, MAS QUERO BIG BABY!'

26.11.25

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

Já aqui em ocasiões anteriores falámos da obra de José Ruy, talvez o mais solicitado ilustrador português das décadas de 80 e 90, sendo invariavelmente o escolhido para dar vida aos personagens de álbuns de banda desenhada ligados à História de Portugal, biografias, relatos de época ou representações visuais de contos e lendas tradicionais, nos quais a sua bibliografia é fértil. Em 1986, no entanto, Ruy embarcaria num projecto diferente do seu habitual – a passagem de várias das histórias dos dois 'Livros da Selva', de Rudyard Kipling, para um formato de banda desenhada. O resultado foi 'Como Apareceu o Medo', editado quatro anos depois (em Abril de 1990) pela Editorial Notícias, e sobre o qual nos debruçamos esta Quarta-feira.

como-apareceu-o-medo-734x1024.jpg

Com trinta e duas páginas originalmente contidas num volume de capa mole (mais tarde, seria reeditado com capa dura) 'Como Apareceu o Medo' é exactamente aquilo que a capa apregoa – uma colectânea de várias das muitas histórias de animais escritas por Kipling, com o 'famoso' conto-título à cabeça, com desenhos e ilustrações da autoria de José Ruy a acompanhar a prosa original do autor indo-britânico, que recebe um crédito como co-autor. Infelizmente, embora a capa e os detalhes da publicação sejam fáceis de encontrar com um bom motor de pesquisa, das páginas interiores não restam quaisquer vestígios digitalizados, tornando impossível mostrar o estilo gráfico do livro, para lá da visualmente impactante capa; é de crer, no entanto, que os desenhos seguissem o estilo habitual de Ruy, que fica desde logo bem patente na magnífica ilustração de Shere Khan, o famoso tigre assassino d''O Livro da Selva', que domina o referido frontispício.

Em suma, e apesar de se tratar de uma proposta arriscada (tanto pelo número de admiradores do texto original como por ser difícil interessar crianças em textos clássicos) a adaptação em BD de 'Como Apareceu o Medo' parece ter tido algum grau de sucesso, senão em termos de vendas, pelo menos de execução. Pena é, portanto, que seja impossível encontrar exemplos da arte deste livro na Internet actual – embora os interessados tenham bom remédio, já que o livro ainda hoje continua a ser reeditado, e se encontra disponível nas boas livrarias, pronto a dar azo a mais uma geração de fãs do 'imortal' José Ruy...

25.11.25

A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.

PS2-Versions.jpg

No que toca a apurar a melhor e mais bem-sucedida consola de jogos de todos os tempos, muitos entusiastas de videojogos (sobretudo de mais idade) não hesitam em apontar uma máquina em particular: a PlayStation 2. De facto, a segunda tentativa da Sony em lançar um sistema interactivo, e 'representante' da companhia na era dos 128-bits, é considerada a fusão perfeita de várias características desejáveis num produto deste tipo, superando até mesmo a sua já ilustre antecessora, que continua, para muitos, a ocupar o segundo lugar num pódio normalmente finalizado pela Mega Drive ou Game Boy.

Isto porque a PS2 (como é normalmente abreviada) não só apresentava aspectos técnicos de vanguarda para a época, como propunha algumas possibilidades até então impensáveis, mesmo para a mais sofisticada das máquinas. Era possível, por exemplo, jogar títulos de PS1 na nova consola (e agora, pela primeira vez, com um comando sem fios, ligado ao aparelho por infravermelhos), bem como ver filmes, graças ao leitor de DVD embutido, que, em muitos casos, tornaria mesmo obsoleto o até então ubíquo aparelho exclusivamente dedicado a essa função. Uma tentativa declarada por parte da Sony para criar um aparelho que, mais do que uma simples consola, fosse um sistema de entretenimento, a qual se pôde considerar bem-sucedida, tendo a PlayStation 2 sido um sucesso imediato de vendas aquando da sua chegada à Europa, há quase exactos vinte e cinco anos, a 24 de Novembro de 2000.

De facto, foi tal a demanda pela consola que as parcas oitenta mil unidades que a Sony havia enviado para o Velho Continente não tardaram a esgotar, levando alguns especialistas a acusar a Sony de inflacionar artificialmente a procura através de uma oferta propositadamente limitada para aquele que era o seu maior mercado, bem como de preços proibitivos para a época. Nada que impedisse que, a médio prazo, a consola da Sony se 'instalasse' numa parcela significativa de lares europeus, tendo a mesma sido a 'estrela' dos catálogos de Natal daquele ano e permanecido a consola mais vendida e jogada a nível mundial durante mais de uma década, praticamente até ser descontinuada. Hoje em dia, vinte e cinco anos após o seu aparecimento, a PS2 retém o título de consola mais vendida de sempre, um feito impressionante tendo em conta o surgimento, desde então, de mais três sucessoras!

Este sucesso é, no entanto, fácil de explicar, já que, além dos aspectos supracitados, a galeria de jogos da PS2 também não deixava nada a desejar à da antecessora – antes pelo contrário. Apesar de franquias como Cool Boarders ou Ridge Racer terem 'ficado' na era dos 32-bits, a maioria das outras grandes séries de jogos da altura marcariam presença na nova consola, do inevitável Crash Bandicoot a Tekken, Gran Turismo, Time Crisis, Metal Gear Solid, Final Fantasy, Tomb Raider, Tony Hawk's Pro Skater, Resident Evil, Grand Theft Auto (que 'renasceria' na PS2, com a icónica terceira parte e respectivas sequelas), Pro Evolution Soccer ou Syphon Filter (curiosamente, Spyro nunca teve um jogo lançado para PlayStation 2), além de novas franquias de futuro sucesso, como Jak and Daxter ou Ratchet and Clank. A juntar a estes nomes sonantes havia ainda uma série de títulos da SEGA, que se 'retirara' do 'ofício' de manufacturar consolas após o falhanço da Dreamcast, e se dedicava pela primeira vez a criar jogos para a 'concorrência'; a PlayStation 2 chegou, por exemplo, a contar com uma versão de 'Crazy Taxi'. 

A juntar aos cuidados aspectos técnicos e funcionalidades adicionais do 'hardware' da consola, este paradigma ajudaria a tornar a PS2 perfeitamente irresistível para os aficionados de videojogos (mesmo a preço de lançamento) e ajudariam a que a consola da Sony conquistasse um merecido lugar cimeiro na História dos videojogos, tornando quase obrigatória (embora extremamente prazerosa) esta homenagem, um dia depois de se ter completado um quarto de século sobre o seu lançamento na Europa.

24.11.25

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

Os 'remakes' 'à portuguesa' de formatos de sucesso no estrangeiro não são nada de novo na televisão lusa, tendo mesmo rendido alguns sucessos de relevo ao longo dos anos, quer a nível dos concursos, quer das séries. É sobre uma destas últimas que hoje nos debruçamos, poucas semanas após se terem celebrado os vinte e cinco anos da sua estreia, a 4 de Novembro de 2000.

images.jpeg

O casal de protagonistas da série.

Adaptação lusitana da série espanhola 'Querido Maestro', originalmente transmitida no país vizinho em 1997, 'Querido Professor' era uma produção da Endemol (responsável por grande parte do que passava na SIC à época) e trazia Ricardo Carriço no papel do titular docente, e Alexandra Lencastre (já longe da inocência da Guiomar da 'Rua Sésamo') como a sua ex-namorada, que o mesmo reencontra ao regressar à 'terrinha' para ali leccionar. Uma premissa em tom de comédia romântica que, ancorada no charme dos dois protagonistas e nas situações criadas pelos alunos de Miguel e pelos restantes habitantes da aldeia (interpretados por veteranos como Rogério Samora, Jorge Gabriel e Rita Blanco, entre outros nomes sonantes da comédia televisiva portuguesa) logrou render duas temporadas, e um total de quarenta episódios – marca honrosa, sem ser extraordinária, para uma série que até chegou a reunir algum consenso à época de transmissão.

Infelizmente, e apesar dessa relativa notabilidade nos primeiros meses do Terceiro Milénio, a série encontra-se, hoje em dia, quase totalmente Esquecida Pela Net (àparte o inevitável IMDb e um ou outro 'blog' de que foram tiradas as parcas informações desta peça) não restando mesmo, sequer, o habitual par de 'clips' de YouTube para recordar ou conhecer a obra. Resta, pois, a memória nostálgica e remota para 'encorpar' aquela que acaba por ser uma homenagem talvez demasiado curta e breve para uma celebração de um quarto de século, mesmo atrasada...

23.11.25

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos desportivos da década.

463609602_4718451295046640_8779396070437907049_n.p

À entrada para a época 1999/2000, o Benfica vivia uma das suas muitas revoluções da era Vale e Azevedo. Graeme Souness tinha acabado de ser despedido, após uma das piores épocas da História das 'águias', e para o seu lugar havia sido escolhido outro estrangeiro, o alemão Jupp Heynckes, que se via forçado a fazer 'omeletes sem ovos', e a montar uma equipa à sua imagem com um orçamento de transferências irrisório. Assim, as contratações mais sonantes da época (curiosamente, ambas de origem espanhola) chegariam, respectivamente, a custo zero (Chano) e por empréstimo (Tote). E se o primeiro conseguiu deixar marca na equipa 'encarnada', o segundo não chegaria a efectuar uma dúzia de aparições durante a única época que passou na Luz, sendo recordado hoje em dia mais pela peculiar alcunha do que por qualquer outra razão.

E a verdade é que Jorge López Marco tinha tudo para vingar em Portugal, já que havia sido formado num 'galáctico' Mundial, no caso o Real Madrid, e era presença constante nas suas equipas secundárias. No entanto, por alguma razão, o espanhol (então apenas com vinte anos) não convenceu Heynckes, tendo sido utilizado pouquíssimas vezes durante a temporada, ao longo da qual, 'tapado' por Nuno Gomes, ainda lograria marcar três golos. No entanto, seria na Segunda Divisão espanhola que verdadeiramente se afirmaria (já depois de se ter sagrado campeão da La Liga, tendo três aparições pelos 'blancos' sido suficientes para lhe garantir esse estatuto), tendo sido 'histórico' do modesto Hércules, pelo qual contabilizou quase duzentos jogos ao longo de seis temporadas, e pelo qual jogava quando 'pendurou as botas'.

Para os adeptos portugueses, no entanto, o nome do espanhol não passará de mais um daqueles que, ao serem mencionados, suscitam uma reacção do tipo 'eisssh, o Tote!', e vagas recordações do cromo na caderneta da Panini. Ainda assim, por pouco que tenha sido o seu impacto no futebol português, o avançado merece uma nota de parabéns no dia em que completa quarenta e sete anos de idade, e após uma carreira perfeitamente honrosa – apenas não na Primeira Divisão portuguesa...

22.11.25

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Sexta-feira, 21 de Novembro de 2025.

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.

Já muito foi dito sobre como a chegada das grandes superfícies a Portugal veio 'matar' o pequeno comércio de proximidade, uma situação que apenas agora se começa a reverter, e apenas em alguns sectores. A conjugação 'letal' de vasta oferta e baixos preços tornou impossível a muitas lojas 'tradicionais' competir com estes estabelecimentos, e causou uma baixa nos volumes de vendas que rapidamente tornou insustentável a manutenção de muitas delas, contribuindo ainda mais para a centralização de todo o comércio em supermercados, 'shoppings' e hipermercados.

stores-05-chiado.jpg

Um dos sectores onde tal mais se verificou foi o do calçado. Embora ainda prolíferas nos anos 90 e 2000, também as sapatarias tradicionais não escapariam ao novo paradigma, tendo este período marcado o início de um pronunciado declínio deste tipo de loja, que as veria praticamente extinguirem-se num espaço de menos de uma década, com as poucas ainda existentes a focarem-se em marcas específicas (como a Geox ou a Camper) perdendo assim o aspecto generalista que as caracterizava. De facto, qualquer português nascido e crescido nos últimos vinte anos do Segundo Milénio se lembrará de, tal como já haviam feito os seus pais e avós, ir à pequena sapataria do bairro (ou a outra de maior renome mas iguais dimensões físicas) e escolher um novo par de sapatos ou ténis - muito provavelmente feitos em Portugal, com a qualidade que tal 'selo' ainda hoje acarreta – de entre as 'pilhas' que enchiam a loja, sempre com a ajuda de um simpático e prestável funcionário 'à moda antiga', para quem nada dava demasiado trabalho. Era uma daquelas experiências inerentes à infância e que, de tão repetida, acabava por se 'gravar' na memória, bem mais do que uma ida à anónima secção de calçado de um qualquer 'shopping'.

Infelizmente, esta tornar-se-ia a 'norma' para a compra de sapatos no século XXI, com a grande maioria das poucas lojas de desporto e sapatarias de bairro a desaparecerem, e apenas uma ou outra cadeia a continuar, ainda, a tradição do comércio de calçado de proximidade – e, nesses casos, apenas com recurso a materiais relativamente baratos ou peças de grandes marcas, com o apelo quase instantâneo que as mesmas acarretam. Uma dessas terá, aliás, aqui paulatinamente o seu espaço; por agora, no entanto, limitemo-nos a recordar a 'categoria' das sapatarias como um todo, e as memórias que a mesma traz a várias gerações de adultos portugueses.

21.11.25

rNOTA: Este 'post' é respeitante a Quinta-Feira, 20 de Novembro de 2025.

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.

Embora, por razões óbvias, 'escapasse' ao 'radar' dos leitores mais jovens, o sector económico estava, em finais do século XX, tão bem representado na imprensa portuguesa como qualquer outro, com dois periódicos de referência a manterem sã competição, até um deles se ter visto forçado a 'retirar-se' da 'corrida', e o outro ter mudado o seu foco (como tantas outras publicações) para uma vertente exclusivamente digital. Entre 1998 e 2016, no entanto, quem trabalhava no sector financeiro – ou simplesmente se interessava por questões do foro económico e empresarial – tinha à escolha duas excelentes e muito fidedignas fontes de informação especializada.

images.jpeg

A primeira destas, o Diário Económico, surgia em 1989, no formato conhecido no Reino Unido por 'broadsheet', e com o principal destaque a advir das suas folhas alaranjadas, que o ajudavam a distinguir-se visualmente dos restantes jornais numa qualquer banca, quiosque ou tabacaria, facilitando a identificação ao comprador. Conhecido, também, pelas suas densas colunas de texto, em detrimento de muitas imagens ou fotografias (um dos principais factores que o tornava pouco interessante para o público jovem) este periódico rapidamente se assumiu como de referência no seu sector, sendo líder de mercado até à extinção da edição física (já depois de a edição de Sábado ter sido descontinuada, em 2010), altura em que o seu lugar foi ocupado por uma nova publicação, o Jornal Económico, que retém o segundo posto no sector da imprensa financeira portuguesa até aos dias de hoje.

download (1).jpeg

A isto ajudava, no entanto, o facto de só quase uma década após o seu surgimento o jornal em causa ter enfrentado concorrência – no caso, o Jornal de Negócios, o 'braço' especializado em finanças do poderoso Grupo Cofina, surgido em 1998, com uma abordagem e execução que – como é habitual nas publicações do grupo – procurava tornar mais simples e acessível o conceito estabelecido pelo 'rival', oferecendo uma melhor relação entre imagens e texto, artigos menos densos e maior uso de cores. Os conteúdos eram, no entanto, tão credíveis, aprofundados e fidedignos quanto os do decano concorrente, tornando este jornal numa alternativa respeitável e de qualidade ao mesmo.

Infelizmente, tal como sucederia com tantas outras publicações durante o mesmo período, nenhum dos dois jornais sobreviveria ao dealbar da era digital, com o Jornal de Negócios a ver-se, também, obrigado a adoptar um formato exclusivamente digital a partir de fins da década de 2010, vários anos após o Diário Económico ter adoptado a mesma medida, como 'último recurso', em 2016. Mas se a experiência deste último se tinha provado infrutífera, com o portal a não passar dos seis meses de vida, no caso do Jornal de Negócios, a mesma ajudou a revitalizar a publicação, que ainda hoje 'soma e segue' no domínio digital, aproveitando a posição hegemónica de que hoje goza no sector da informação financeira em Portugal. Resta, pois, esperar que este estatuto não 'suba à cabeça' dos seus editores, e que os interessados em economia residentes no País possam continuar a contar com múltiplas fontes de informação fidedigna, numa era em que a desinformação grassa em todos os sectores da sociedade, não sendo o financeiro, de todo, excepção à regra...

19.11.25

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.

Em 1998, a chamada 'dinomania' já se havia esvaído um pouco, tanto em Portugal como no resto do Mundo – afinal, 'Parque Jurássico' (o grande catalista do interesse de toda uma geração por dinossauros, e responsável por um aumento significativo na venda de réplicas em borracha daqueles animais) tinha estreado há já quase meia década, o que, em 'anos de criança', o tornava praticamente num 'fóssil' igual aos que retratava. No entanto, justamente quando o interesse pelos gigantes pré-históricos começava a esmorecer, duas descobertas fascinantes, feitas em pleno solo português, vieram relançar o fascínio pelas criaturas em causa.

1115243.jpeg

Um dos fósseis encontrados na Lourinhã, no caso um ninho de ovos de crocodilo com vários milhões de anos.

Isto porque foi nesse ano que tiveram lugar dois acontecimentos paleontólogicos de relevo, ambos ligados à mesma faixa de areia na região Centro de Portugal. Isto porque não só era descoberto nesse ano, na praia de Paimogo, um ninho com centenas de ovos fossilizados de dinossauro (e, como se veio a revelar mais tarde, também de crocodilo) como também era oficialmente atributo estatuto de espécie distinta ao esqueleto encontrado naquele mesmo local mais de uma década e meia antes, ao qual era dado o nome de 'Lourinhanossaurus Antunesi', em honra do paleontólogo responsável pela sua descoberta.

De uma assentada, os fãs de dinossauros tinham, assim, dois eventos de monta para celebrar, ambos praticamente 'às portas' da capital portuguesa, fazendo com que os dinossauros parecessem mais próximos do que nunca, senão temporalmente, pelo menos geograficamente. Tal contribuiu, naturalmente, para reavivar o interesse de muitas crianças e jovens pela pré-história, e especificamente pelos animais em causa - embora nunca se tenha chegado a verificar uma segunda 'dinomania' – e, juntamente com a descoberta das gravuras rupestres de Foz Côa, entrou para a História paleontológica portuguesa como um dos maiores acontecimentos do campo na década de 90.

Ao contrário do que sucederia com Foz Côa, no entanto, só já numa fase bastante adiantada do Terceiro Milénio é que a Lourinhã conseguiria 'capitalizar' sobre a sua reputação como 'capital portuguesa dos dinossauros', com a abertura do Dinoparque, em 2018 – mais de duas décadas após os seus 'cinco minutos de fama' nos círculos paleontológicos, e na sociedade portuguesa em geral. Como diz o ditado, no entanto, 'mais vale tarde que nunca', e a localidade continua até hoje a ser associada aos fascinantes gigantes do princípio dos tempos, e a tirar dividendos das descobertas ali feitas nas décadas de 80 e 90, e que puseram pela primeira vez (e de forma bastante literal) os dinossauros no 'mapa' português...

Pág. 1/3

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2025
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2024
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2023
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub