Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

30.09.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Segunda-feira, 29 de Setembro de 2025.

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

As adaptações localizadas para formatos bem-sucedidos no estrangeiro não são nada de novo, tendo sido uma fórmula adoptada pelos países mais periféricos desde os primórdios dos 'mass media'. Portugal não foi, de todo, excepção a esta regra, antes pelo contrário – são inúmeros os exemplos desta prática ao longo dos anos, sobretudo no espectro televisivo, onde os produtos deste tipo se dividem entre adaptações declaradas e o mais literais possíveis, e conceitos simplesmente inspirados por outros criados 'lá por fora'. A série que abordamos neste 'post', e sobre a estreia da qual se assinalaram este mês os exactos vinte e cinco anos, insere-se na primeira categoria, 'copiando' fielmente um formato britânico e aplicando-lhe uma 'demão' de 'verniz nacional', para mais facilmente captar e cativar o seu público-alvo. O resultado é uma série que, apesar de ficar bem aquém do sucesso do original, merece ainda assim ser relembrada por ocasião do seu quarto de século.

download.jpg

Estreada a 7 de Setembro de 2000, na SIC (à época a principal veiculadora de 'sitcoms' nacionais) 'Cuidado Com As Aparências' é uma adaptação da série do mesmo nome produzida pela BBC em inícios dos anos 90, e cujo título original era 'Keeping Up Appearances'. Londres dá lugar a Lisboa, Hyacinth Bucket torna-se Jacinta Bimbó, mas tanto o conceito (uma mulher de classe baixa com pretensões à 'subida' social) como muitas das situações são transferidas directamente do original britânico – o que não é de estranhar, já que a maioria das mesmas era relativamente universal, sem grande 'carga' social específica do Reino Unido, e, como tal, fácil de adaptar a uma realidade tão diferente (mas também tão semelhante) como era a portuguesa.

A dar a cara e o corpo às 'aportuguesadas' aventuras de Jacinta e da sua família declaradamente e orgulhosamente popular estavam um conjunto de actores bem habituados às lides da comédia, e capazes de fazerem até as situações mais caricatas ressoar junto do público-alvo. Catarina Avelar (que vivia Jacinta), Helena Isabel, Lídia Franco, Margarida Carpinteiro ou Vítor de Sousa eram apenas alguns dos nomes num elenco fixo cujo talento era inversamente proporcional ao seu tamanho, e que era capaz, por si mesmo, de justificar a sintonização da série – como, aliás, sucedia com a maioria dos projectos em que se envolviam.

Infelizmente, conforme mencionado nas linhas iniciais deste texto, a versão portuguesa de 'Cuidado Com As Aparências' não logrou o mesmo sucesso da original, dando origem a apenas duas temporadas (por oposição às cinco da série da BBC) e encontrando-se hoje largamente esquecida pelo público telespectador da época. Ainda assim, a mesma não deixa de ser um exemplo relativamente bem conseguido – e absolutamente típico – de 'sitcom' portuguesa do período em causa, fazendo por merecer ser revisitada por fãs deste tipo de programa, no mês em que se celebram os vinte e cinco anos da sua primeira 'ida ao ar.'

29.09.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Domingo, 28 de Setembro de 2025.

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.

Um dos maiores axiomas do senso comum futebolístico é que a maioria dos jovens com potencial formados em grandes clubes 'ficam pelo caminho', acabando por fazer carreira em emblemas mais pequenos, muitas vezes como peças destacadas dos mesmos. E apesar de este fenómeno ser, hoje em dia, prevalente ao ponto de constituir a norma, tal não significa que, em outros períodos da História do desporto-rei, tal não fosse também o paradigma; antes pelo contrário, o século XX viu um sem-número de jovens jogadores falharem na sua tentativa de singrar profissionalmente num 'grande', apesar do talento nítido e óbvio. Portugal não foi, de todo, excepção a esta regra, tendo oferecido ao mundo futebolístico de finais do Segundo Milénio um verdadeiro 'ror' de 'promessas adiadas', que tardavam ou falhavam em evidenciar o seu potencial. É, precisamente, sobre um desses jogadores que nos debruçamos neste 'post', por ocasião do seu quinquagésimo-primeiro aniversário – um futebolista que foi internacional português, jogou por Sporting e Benfica, foi feliz em Inglaterra, mas não deixou, ainda assim, de passar ao lado de uma carreira ao nível do seu talento.

17856_20210424173650_hugo_porfirio.png

Com a camisola do Benfica.

Nascido em Lisboa e formado nas escolas do Sporting (já então um viveiro de jovens talentos, mesmo uma década antes de construída a sua famosa Academia), Hugo Cardoso Porfírio destacou-se o suficiente para ser promovido à equipa principal dos 'Leões' no seu primeiro ano de sénior, em 1992, reencontrando assim o colega de equipa dos Juniores, Emílio Peixe. Ao contrário deste, no entanto, Porfírio não singraria de leão ao peito, realizando apenas uma dúzia de partidas com a 'Listrada' ao longo de duas épocas antes de, em 1994, se ver sem espaço no plantel e com viagem marcada para um clube mais pequeno – ou, no caso, três.

hugo-porfrio-863087bf-4f14-4260-a4c2-a8c8214875d-r

Porfírio no Sporting.

De facto, entre as temporadas de 1994-95 e 1996-97, o extremo rumaria primeiro a Santo Tirso, depois a Leiria, e por fim, inesperadamente, a Londres, Inglaterra, onde representaria o West Ham. Apesar da escala marcadamente distinta dos três empréstimos, em nenhum deles Porfírio 'fez feio', tendo realizado épocas de excelente nível, e sido presença regular nos jogos de todos os emblemas que representou durante este período – feito que lhe valeu a presença na equipa que representava Portugal no Euro '96, no decurso do qual fez a sua estreia como Internacional A (antes, havia sido presença assídua nas Selecções jovens, tendo disputado os Campeonatos Europeus de sub-16 em 1990 e sub-18 em 1992, e o Mundial de sub-20 em 1993) jogando quinze minutos da partida contra a Turquia, e seguindo depois viagem para os Jogos Olímpicos de Atlanta.

download (1).jpg

954375_med_.jpg.jpg

Em acção pelo Tirsense, e no seu único jogo no Euro '96.

As boas indicações deixadas ao longo daqueles três anos não foram, no entanto, suficientes para garantir a Porfírio um lugar no plantel principal do Sporting, que o dispensava no Verão de 1997. O extremo via-se, assim, obrigado a abraçar novos desafios, acabando por rumar a Espanha, para representar o Racing Santander. Ao contrário da primeira experiência internacional, no entanto, esta segunda 'aventura' pelo exterior não lhe correria de feição, levando a que, apenas um ano depois – e com o Racing Santander já despromovido da La Liga – caísse a 'bomba': Porfírio, o antigo 'leão', assinava contrato com o grande rival da Segunda Circular, passando assim a fazer parte do grupo dos 'vira-casacas', isto é, jogadores que representaram dois clubes grandes em Portugal. Ainda assim, durante este período, conseguiria ainda a sua terceira e última internacionalização pela Selecção Nacional, participando no jogo contra a Ucrânia, a contar para a fase de qualificação para o Mundial de França '98.

download (2).jpgimages (5).jpgdownload (3).jpg

As aventuras internacionais no West Ham, Racing Santander e Nottingham Forest.

Ao contrário de 'companheiros' ilustres como Yuran, João Vieira Pinto, Simão Sabrosa, Ricardo Quaresma ou Mário Jardel (entre outros) Porfírio não viria, no entanto, a relançar a carreira no rival do seu clube de origem; antes pelo contrário, seria ainda menos utilizado do que havia sido no Sporting, totalizando metade das exibições que fizera pelo clube de Alvalade ao longo de duas épocas, e vindo a ser emprestado ao Nottingham Forest, onde passaria também despercebido, antes de se desvincular do clube das Águias, alegando salários em atraso, e se 'mudar' para as ilhas, para representar o Marítimo. Não tardaria mais que uma época, no entanto, até regressar à Luz, para mais três temporadas anónimas, a maioria das quais passada na equipa B. O outrora promissor extremo entrava assim, oficialmente, no ocaso de uma carreira que o veria ainda passar por clubes semi-amadores da zona da Grande Lisboa antes de rumar às Arábias (então ainda longe do estatuto desejável que possuem hoje) para pendurar definitivamente as botas ao serviço do Al-Nassr, hoje conhecido como o clube de Cristiano Ronaldo, mas, à época, um emblema perfeitamente desconhecido para a maioria dos adeptos europeus.

Consumava-se, assim, o estatuto de 'promessa (eternamente) adiada' de um jogador cuja 'sorte' e oportunidades estiveram sempre algo aquém do talento que exibia nos pés (mesmo numa era que favorecia os 'baixinhos' com 'magia', como ele), e que será sempre lembrado como um dos grandes 'e se...?' do futebol português moderno – estatuto que lhe vale, agora, a presença nestas páginas, à laia de 'prenda de anos'. Parabéns, e que conte ainda muitos.

28.09.25

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Sexta-feira, 12 de Setembro de 2025.

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.

Apesar de o foco deste 'blog' serem as memórias de juventude, e os locais, produtos e acontecimentos de maior interesse para quem era menor de idade em finais do século XX, tal não significa que descuremos produtos ou serviços surgidos durante essa década e destinados a um público-alvo mais velho – até porque alguns deles lograram manter-se activos tempo suficiente para serem úteis àqueles mesmos 'X' e 'Milllennials' já depois de adultos. É, precisamente, o caso das duas companhias de que falamos neste 'post', as quais se degladiam há já mais de três décadas pela clientela masculina profissional ou de meia-idade, em detrimento de qualquer outra demografia.

Massimo_Dutti.png

block1_48.jpg

Referimo-nos, claro está, à Massimo Dutti e à Giovanni Galli, duas rivais ibéricas com nome italiano (ou não continuasse a ser esse o país estereotipadamente conotado com a moda) que desde inícios dos anos 90 travam uma batalha comercial, sem que, até hoje, qualquer delas tenha conseguido provar definitivamente a superioridade do seu país de origem – o que acaba por ser lisonjeiro para a nacional Giovanni Galli, que se opõe de forma independente àquela que é apenas mais uma 'face' do gigantesco Grupo Inditex, também 'dono' da Zara, Pull & Bear e Bershka, entre outras marcas. No entanto, a Massimo Dutti tem a seu favor o facto de possuir também, desde há já trinta anos, uma linha feminina e ainda outra, mais recente, de criança - embora ambas tenham destaque quase nulo num catálogo que continua a ter o público masculino como principal alvo. Ainda assim, este acaba mesmo por ser um factor vantajoso para a empresa espanhola relativamente à rival nacional, cujo foco continua a ser exclusivamente a roupa de homem.

Apesar destes pontos vantajosos, no entanto (e dos preços algo mais acessíveis) a Massimo Dutti perde, aos olhos do público nacional, em dois aspectos: por um lado, a conotação com o 'fast fashion', que faz com que as suas roupas sejam vistas como mais descartáveis e de menor qualidade, e, por outro, o facto de muitos artigos da Giovanni Galli continuarem a ser produzidos em solo nacional, estando as origens da companhia profundamente ligadas à reputada indústria têxtil do Norte de Portugal, uma ligação que a marca faz questão de manter, e que constitui um trunfo importante junto da demografia que a mesma visa captar, e que talvez se sinta algo 'acima' de uma marca 'de centro comercial' como a Massimo Dutti. A contrapartida, claro está, passa pela necessidade de realizar maiores volumes de negócio para conseguir ter lucro, um paradigma que tem, recentemente, 'vitimado' algumas das mais de três dezenas de lojas da empresa em Portugal.

Mau-grado este revés para a marca nacional, no entanto, tudo leva a crer que a rivalidade a dois no seio do mercado de roupa masculina 'elegante' se mantenha ainda em anos vindouros, pelo menos num futuro próximo. Se a mesma terá ou não alguma vez uma vencedora declarada é algo que apenas se poderá saber paulatinamente; nos entrementes, quem favorece um estilo 'smart casual' ou 'business casual' continua a ter duas opções bem distintas onde adquirir roupa de qualidade e com bom corte a preços acessíveis, ambas as quais, curiosamente, teriam também sido alternativa para os seus pais, três décadas antes - uma situação que diz muito da força e posicionamento no mercado de ambas as marcas, e que lhes vale este 'post' tanto duplo como partilhado.

27.09.25

NOTA: Este post é respeitante a Quinta-feira, 25 de Setembro de 2025.

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

De entre as sobremesas típicas de uma mesa portuguesa, a gelatina sempre esteve entre as mais populares junto dos mais jovens. Não é, pois, de admirar que as versões instantâneas desta mesma iguaria surgidas em Portugal na recta final dos anos 90 tenham 'caído no gosto' tanto dos 'putos' como dos seus pais, que podiam assim preparar uma surpresa aos filhos em poucos minutos, e com um mínimo de esforço.

download.jpg

Uma das mais populares de entre estas gelatinas – talvez pelo esforço de 'marketing' que fazia, com um nome memorável e 'jingle' a condizer – era a Gelly-Já, da Alsa, à época a principal concorrente da líder de mercado Royal. Sem apresentar qualquer outro traço distintivo relativamente às outras gelatinas instantâneas disponíveis no mercado, a referida variante da gama da Alsa fazia-se mesmo valer dos elementos acima referidos para estabelecer o seu nome junto do público-alvo – estratégia que resultava em pleno, pondo miúdos e graúdos a entoar 'treme-tremeeee!', e levando a que esta 'palavra de ordem' fosse adoptada em outros contextos sociais, como quando alguém hesitava ou mostrava receio relativamente a uma qualquer situação. E embora seja mesmo este o grande legado da entretanto desaparecida Gelly-Já para a cultura 'millennial' portuguesa, o mesmo é, ainda assim, suficiente para valer a esta gelatina um lugar nesta nossa secção relativa aos alimentos mais populares entre a juventude portuguesa de finais do século XX.

 

26.09.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quarta-feira, 24 de Setembro de 2025.

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.

Até bem recentemente, com o casamento de Kate Middleton com o Príncipe William de Inglaterra, o termo 'casamento real' era quase sinónimo com o anterior matrimónio no seio da Família Real inglesa – o casamento de Carlos e Diana, levado a cabo com pompa e circunstância na histórica Abadia de Westminster, em Londres, em 1984. E porque Portugal não leva a bem ficar atrás de qualquer outro país da União Europeia, a década seguinte veria o nosso País tentar realizar a sua própria versão ´à portuguesa' do evento, com o habitual atraso de vários anos, uma fracção do orçamento e da atenção, nenhumas implicações políticas e de governação (à entrada para o evento, poucos eram os que sabiam que Portugal sequer tinha um rei), e os Jerónimos a 'fazer' de Westminster. O resultado, previsivelmente, foi bem menos memorável que a versão original, pese embora persista ainda na memória dos portugueses nascidos até finais da década de 80.

download.jpg

Isto porque, brincadeiras à parte, o casamento de D. Duarte Pio, Duque de Bragança, com Isabel de Herédia foi suficientemente grandioso para justificar o acompanhamento televisivo, e o significativo 'share' de audiência que o mesmo conseguiu – afinal de contas, é muto difícil à maioria dos seres humanos (e decididamente aos portugueses) conseguirem resistir a uma boa cerimónia. Assim, terão sido inúmeros os jovens lusitanos que acompanharam em directo o acontecimento, através da RTP, certamente sintonizada por um qualquer familiar mais velho. E embora quase nenhum deles soubesse, até àquele momento, quem era ou que título tinha D. Duarte Pio (um rei nunca oficialmente empossado, e cujo nome não figura, subsequentemente, nos livros de História) o ar bonacheirão e radiante do mesmo ao lado da nova esposa (fazendo lembrar um tio-avô simpático e brincalhão) ajudou a que muitos simpatizassem de imediato com o monarca, e passassem a acompanhar o seu 'trajecto' rumo a um final feliz ao lado da nova Duquesa.

E a verdade é que tal se veio mesmo a verificar, com o casal a permanecer junto até aos dias de hoje, trinta anos depois, e a dar à luz três filhos, cujos nomes intermináveis, com quatro nomes próprios e outros tantos apelidos, chegou a ser 'meme' corrente no Portugal da época: os infantes Afonso e Dinis e a infanta Maria Francisca, ela própria recentemente casada. Apesar de ser muito pouco provável, senão impossível, que Portugal volte a ser uma monarquia, caso isso aconteça, a sucessão está, assim, bem assegurada, como resultado de um processo que se começou a delinear numa tarde de fim-de-semana de Primavera, há já mais de trinta anos, e cujo primeiro passo colou grande parte do País ao ecrã de televisão, para presenciar uma efeméride então inédita no seu tempo de vida, e cujos efeitos perduram até aos dias de hoje.

25.09.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Terça-feira, 23 de Setembro de 2025.

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

Para a geração nascida ou crescida em Portugal durante os anos 90 e 2000, o formato 'talk show' faz parte integrante e indelével do panorama televisivo nacional, tanto ou mais do que os concursos, 'reality shows', partidas desportivas ou telenovelas portuguesas e brasileiras. É, assim, fácil esquecer que este tipo de programa pouca ou nenhuma expressão teve no nosso País até meados da última década do século XX, altura em que uma série de programas passaram a degladiar-se pela honra de serem 'barulho de fundo' para uma manhã de tarefas domésticas no típico lar português. E se alguns destes formatos tiveram vida relativamente curta, outros lograram ficar no ar durante literais décadas, com um ou outro dos mais famosos a perdurar até aos dias de hoje, como é o caso do programa a que aludimos neste 'post', que comemorou há poucos dias o trigésimo aniversário sobre a sua estreia. E embora seja verdade que a referida emissão nem sempre esteve no ar de forma constante durante este período, é também inegável que a mesma foi, é e continuará decerto a ser uma referência no panorama de entretenimento televisivo leve em Portugal, e a fazer parte da 'paisagem' do principalcanal estatal português.

download.jpg

Seria na manhã de 18 de Setembro de 1995 que iria pela primeira vez ao ar na RTP1 aquele que se viria a tornar um dos expoentes máximos do seu género a nível nacional, e a fazer com que o seu criador e apresentador, Manuel Luís Goucha, ficasse definitivamente associado aos programas de variedades, por oposição à culinária em que brilhara na década anterior. Com nome inspirado numa conhecida praça portuense (que o cenário procurava emular), 'Praça da Alegria' via o ex-mestre de cozinha fazer dupla, numa fase inicial, a Anabela Mota Ribeiro, embora não viesse a passar mais de um ano antes de o mesmo encontrar a sua parceira 'definitiva', e actual apresentadora com mais tempo à frente do programa, Sónia Araújo. Juntos, estes dois apresentadores manteriam entretidas as donas de casa, reformados, desempregados e algumas crianças portuguesas durante os seis anos seguintes, ao longo dos quais desenvolveram uma natural química mútua, a qual, a juntar ao seu 'charme' natural, fazia as delícias das audiências, tanto em casa quanto no próprio estúdio de Vila Nova de Gaia.

download (1).jpgdownload (2).jpg

Sónia Araújo com os seus dois parceiros de apresentação.

Justamente quando parecia que o programa havia encontrado a sua fórmula definitiva, no entanto, 'cai a bomba': Manuel Luís Goucha está de saída para a TVI, onde irá apresentar o concorrente 'Olá Portugal'. Para o seu lugar é escolhido outro nome bem conhecido do meio: Jorge Gabriel, então já veterano da apresentação, mantendo-se Sónia Araújo como 'âncora' do programa, e elo de ligação entre as duas fases. E se com Goucha haviam sido quase sete anos, com Jorge Gabriel seriam mais de dez, até nova mudança radical, com a passagem do programa para Lisboa (decisão que causou considerável celeuma, dando mesmo direito a protestos do Bispo de Setúbal!) e a entrega das 'rédeas' a João Baião e Tânia Ribas de Oliveira – uma experiência que desvirtuava o programa de tal forma que não podia senão dar errado, tendo esta fase do programa durado pouco mais de um ano até a metade masculina da dupla decidir 'regressar a casa' para apresentar a 'Grande Tarde' da SIC. Deixada sozinha no comando de um programa que nunca havia sido o seu, Tânia valentemente 'aguenta o barco', mas o destino da 'Praça da Alegria' estava traçado, vindo o programa a sair do ar durante outros quinze meses.

O regresso (embora com nome encurtado para apenas 'A Praça') dar-se-ia quase exactos vinte anos após a primeira emissão do original (a 21 de Setembro de 2015), e veria o programa regressar às 'origens' portuenses e 'repescar' a dupla de Gabriel e Araújo, como que num esforço concertado para fazer esquecer aquela experiência gorada de um par de anos antes. Três anos depois, em 2018, o programa recuperaria o seu nome original, completando-se assim o regresso total e declarado à 'segunda fase' do programa (a da primeira década pós-Goucha). Os resultados não podiam ter sido melhores, tendo a 'Praça' permanecido mais ou menos imutável desde então até aos dias de hoje, em que continua a fazer as delícias de muitos dos mesmos espectadores que a seguiam quando, há três décadas, estabelecia o 'livro de estilo' para os 'talk shows' em Portugal, e a provar que, mesmo sem o seu criador, merece o seu lugar como referência máxima do formato a nível nacional. Parabéns, e que conte ainda muitos.

24.09.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Domingo, 21 de Setembro e Segunda-feira, 22 de Setembro de 2025.

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

Numa ocasião anterior, falámos aqui dos microfones com eco, um brinquedo que, partindo de uma premissa simples, oferecia diversas formas de diversão ao seu público-alvo, não só através da mecânica como também das possibilidades a nível da imaginação e do faz-de-conta. No entanto, este estava longe de ser o único recurso que as 'futuras estrelas musicais' tinham a sua disposição à época; pelo contrário, quem quisesse emular mais aproximadamente a experiência de dar um concerto ao vivo tinha um brinquedo justamente à sua medida, especificamente idealizado e concebido para permitir dar largas à imaginação nesse sentido.

download.jpg

Exemplo moderno do produto em causa.

Falamos dos microfones a pilhas, equipados com uma base na qual estavam inseridos um ou mais botões de efeitos sonoros, que podiam ser activados a qualquer momento mediante pressão com o pé. E, para tornar a ilusão ainda mais realista, a gama de sons não incluía apenas recepções positivas, como aplausos, mas também um simulacro de vaias e descontentamento, perfeito para quem procurasse fazer auto-crítica, ou para quem tivesse um irmão, primo ou amigo com gosto por 'partidas' que entrasse 'à sucapa' para interromper o 'concerto' com tais sons.

Qualquer que fosse o caso, o saldo final era quase sempre suficientemente divertido para justificar quaisque revezes, e claramente apelativo que chegasse para manter estes microfones no mercado até aos dias de hoje – embora, como sucede com tantos outros brinquedos de que falamos nestas páginas, já sem a relevâmcia que outrora tiveram, e algo 'relegados' para plataformas de revenda 'online'. Ainda assim, não deixa de estar presente a oportunidade para os 'Millennial' e 'X' apresentarem às gerações mais novas mais um dos muitos brinquedos que, mediante mecânicas e propostas simples mas absolutamente irresistíveis, faziam as delícias da 'pequenada' no dealbar da era tecnológica.

21.09.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sábado, 20 de Setembro de 2025.

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.

Os anos finais do século XX representaram o último 'sopro de vida' para muitos dos brinquedos e brincadeiras que haviam inspirado e entretido as gerações passadas. O advento e rápida expansão das novas tecnologias, bem como a globalização do comércio e consequente decréscimo dos preços de muitos produtos, fizeram com que muitas crianças da Geração 'X' em diante não quisessem ou sequer precisassem de conhecer os jogos e objectos de lazer 'improvisados' com que os seus pais e avós conviviam. Havia, é claro, excepções à regra – algumas das quais se mantêm até aos dias de hoje – mas, grosso modo, as décadas de 80 e 90 foram mesmo as últimas em que se utilizaram, ou sequer viram, certos produtos.

download (2).jpg

Um bom exemplo deste paradigma são (ou foram) as bolas de trapos, um daqueles brinquedos 'inventados' pela falta de recursos, e que viria a ser erradicado pela facilidade em obter uma bola de espuma, borracha ou couro em qualquer loja de brinquedos ou desporto, drogaria, supermercado, grande superfície ou mesmo loja dos 'trezentos'. Com tal variedade e facilidade de acesso, aquele amontoado de folhas de jornal dentro de uma meia que os mais velhos haviam usado na sua infância acabava por parecer redundante, e até um pouco risível.

Apesar disto, ainda terá havido, no período em causa, quem tenha recheado, ou visto familiares rechearem, o referido pedaço de tecido com trapos, meias, jornais ou papel rasgado, para criar um brinquedo perfeitamente funcional, e que, por ser leve, podia mesmo ser utilizado dentro de casa, durante um Domingo Divertido – ainda que a maioria dos familiares não visse com bons olhos esse tipo de ideia. Por essa razão, e apesar de já à época serem praticamente uma relíquia do passado, fica apenas bem dedicar estas breves linhas a um dos últimos brinquedos clássicos do século XX a verdadeiramente deixar de existir.

 

20.09.25

NOTA: Este post é respeitante a Sexta-feira, 18 de Setembro de 2025.

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

Qualquer membro da geração 'millennial' tem bem presente que os filmes baseados em bandas desenhadas apenas começaram a ser sucessos garantidos a partir do dealbar do Novo Milénio, quando os 'X-Men' de Bryan Singer revolucionaram o paradigma em termos de qualidade, e 'abriram a porta' àquele que, hoje em dia, talvez seja o género cinematográfico mais lucrativo e bem-sucedido. Para que se chegasse a esse ponto, no entanto, foi necessário passar por consideráveis 'dores de crescimento', sendo que, durante décadas, os fãs de 'comics' americanos nunca podiam saber o que esperar de cada nova adaptação cinematográfica, já que para cada mega-sucesso como o 'Batman' de Tim Burton havia outros quatro filmes que passavam despercebidamente para o mercado do vídeo, incapazes de concorrer com as mega-produções Hollywoodescas. O filme sobre o qual nos debruçamos nesta Sessão de Sexta (poucos dias após se terem completado trinta e cinco anos sobre a sua estreia em Portugal, a 14 de Setembro de 1990) fica a meio-caminho entre estas duas vertentes, tendo logrado ser um sucesso à época do seu lançamento, mas tendo caído no esquecimento quase generalizado nas três décadas e meia subsequentes.

download.jpg

Falamos de 'Dick Tracy', adaptação da banda desenhada do mesmo nome, presença assídua nas páginas de BD dos jornais americanos, e que narra as desventuras do detective homónimo, reconhecível pela icónica gabardine amarela, na sua luta contra os mafiosos que regem a típica cidade dos anos 30 ou 40 onde vive. Um conceito mais na linha dos velhos livros de ficção barata do que propriamente dos super-heróis da Marvel e DC, mas que, ainda assim, apresenta semelhanças com séries como 'Batman', 'Sin City' ou 'Spirit', cujos filmes empregariam elementos estéticos a fazer lembrar os do filme em causa - o qual, no entanto, ficaria bastante aquém de qualquer deles em termos de impacto duradouro no Mundo cinematográfico.

Para os jovens cinéfilos daquele ano de 1990, no entanto, o filme trazia bastantes atractivos, da gama de cores da roupa dos personagens (a remeter intencionalmente aos tons vivos do Technicolor) até à presença de Madonna, então em alta, como interesse romântico do Tracy vivido pelo também realizador Warren Beatty, a participação de nomes como Al Pacino, Dustin Hoffman, James Caan ou Dick Van Dyke, ou mesmo apenas o apelo estético do icónico logotipo do personagem, que gerou alguma procura a nível de 'merchandise' alusivo ao filme imediatamente após a sua estreia.

download (1).jpg

O elenco recheado de estrelas do filme.

Infelizmente, ao contrário de outros exemplos de que já aqui falámos, e apesar da 'parada de estrelas' que constituía o seu elenco a adaptação em 'carne e osso' de 'Dick Tracy' não logrou suster esse nível de interesse a longo-prazo, tendo-se rapidamente tornado 'apenas' mais um filme, mesmo enquanto a BD original continuasse de 'pedra e cal' nas páginas dos jornais. Ainda assim, numa altura em que se assinala um 'aniversário' marcante para o filme de Beatty, é justo homenageá-lo com estas singelas linhas, as quais (quem sabe?) talvez motivem quem ainda não conhece o filme – ou mesmo quem já o tenha visto – a procurar forma de o (re)ver nos tempos modernos...

19.09.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quarta-feira, 17 e Quinta-Feira, 18 de Setembro de 2025.

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.

Já aqui por diversas vezes mencionámos a natureza salutar da imprensa periódica portuguesa em finais do século XX e inícios do seguinte. Para além da enorme variedade de jornais mais ou menos eruditos em oferta, o nosso País via também surgirem com regularidade revistas especializadas referentes aos mais diversos assuntos, quer criadas e editadas em solo nacional, quer importadas do estrangeiro, sobretudo dos mercados espanhol (pela proximidade) britânico (pela difusão e reputação) e, claro, brasileiro, cujas revistas, devido à língua partilhada e facilidade de importação, tomava para si um volume considerável do mercado português, sobretudo no tocante à banda desenhada, ramo no qual alguns exemplos persistem mesmo até aos dias de hoje. Não é, pois, de surpreender que, em meados dos anos 90, os aficionados de BD portugueses tenham visto surgir nas bancas e quiosques nacionais, não mais um dos inúmeros 'gibis' que tanto sucesso faziam por estas bandas, mas uma revista especializada com foco nos 'comics' norte-americanos, e que era, ela própria, uma adaptação de um original surgido nos Estados Unidos.

Scanner-20210816--4--65452bfd214fd.jpg

O primeiro número da edição brasileira da revista, originalmente editado em 1996.

Tratava-se da edição brasileira da lendária revista Wizard, cujo primeiro número era lançado em terras de Vera-Cruz algures em 1996, o que – observando a habitual 'décalage' na chegada das publicações brasileiras a Portugal – a terá colocado nas bancas nacionais algures no ano seguinte. Uma situação longe de ideal para um tipo de publicação dependente da relevância temporal, mas certamente melhor do que nada para os jovens 'bedéfilos' portugueses, os quais, por essa altura, já tinham visto surgir e desaparecer a tímida tentativa da Abril-Controljornal de criar uma publicação deste tipo (a hoje algo esquecida 'Heróis', que, mesmo nos seus melhores momentos, ficava a 'léguas' da apresentação e qualidade da revista que lhe servia de inspiração) e que acolhiam de braços abertos a oportunidade de se manter a par do que ia acontecendo com os seus heróis favoritos, e logo naquela linguagem 'gingada' típica das publicações brasileiras, e que tornava a leitura ainda mais prazerosa...

De facto, ainda que não se pudesse afastar muito dos moldes da publicação-mãe (ou não fosse, na prática, um 'franchise' da mesma), a 'Wizard' brasileira fazia questão, como acontecia com tantas outras revistas daquele país, de afirmar a sua 'brasilidade', o que a tornava ainda mais apelativa para o público nacional do que a original americana, mais cara, menos acessível, e repleta daquele humor típico norte-americano que nem sempre se 'traduz' bem para os contextos de outros países. Uma receita que tinha tudo para dar certo, não fosse o facto de a 'Wizard' brasileira, na sua edição original sob a alçada da bem conhecida editora Globo, não ter chegado a ficar um ano e meio nas bancas, cessando a publicação após o número 15, para apenas a retomar já no Novo Milénio, agora pela mão da editora Panini. Essa segunda série viria a tornar-se bastante mais estabelecida, durando oito anos antes de ser extinta, e a Wizard transformada em publicação apenas digital – embora não sem deixar um legado adicional, sob a forma do site Guia dos Quadrinhos, principal referencial para compra e venda de 'gibis' no Brasil até aos dias de hoje.

Quanto a Portugal, por essa altura, a banda desenhada internacional era já uma realidade bem entranhada na cultura nacional, com lojas e revistas especializadas (entre elas a 'Wizard' original), pelo que a perda da revista brasileira não fez grande mossa. Numa era em que a oferta era praticamente nula, e ainda mais a nível internacional, no entanto, a 'verrrsão brasileirrraaaa' da icónica revista de 'comics' terá certamente, durante o seu curto tempo de vida, feito as delícias de muitos fãs de banda desenhada, e levado a que 'torrassem' a semanada numa publicação que, mesmo desactualizada, se afirmava como referência num mercado de outra forma praticamente inexistente.

Pág. 1/3

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2026
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2025
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2024
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2023
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub