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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

29.07.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Segunda-feira, 29 de Julho de 2025.

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

As séries animadas têm, tradicionalmente, sido um dos principais 'ramos' da 'árvore de divulgação' de qualquer franquia dirigida a crianças e jovens. O mundo dos super-heróis não é, de todo, excepção a esta regra (antes pelo contrário) pelo que, numa altura em que o género volta a estar na ribalta graças às estreias de 'Super-Homem' e 'Quarteto Fantástico', faz sentido recordar os vários exemplos de programas do género estreados em Portugal durante os últimos anos do século passado. E se os desenhos animados da DC, icónicos para o público norte-americano, ficavam 'grosso modo' ausentes da programação nacional (excepção feita a 'Batman – A Série Animada', de que já aqui falámos numa ocasião anterior) já os da Marvel viriam a encontrar o seu espaço na grelha televisiva da SIC, em diferentes pontos durante a segunda metade dos anos 90 – ainda que algumas se tenham afirmado como bastante mais memoráveis que outras.

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Destas, a mais frequentemente lembrada (tanto pela escrita madura e inteligente como pelo seu icónico tema de abertura e fecho) será 'X-Men', produzida em 1992 e transmitida, com dobragem portuguesa, no icónico 'Buereré' em meados da década. Baseada na fase então contemporânea da equipa de mutantes liderada pelo Prof. Xavier, a série tomava, ainda assim, bastantes liberdades por comparação com o material original, apresentando novas histórias e até um personagem inédito, Morph, que participaria de um único episódio antes de ser morto em combate. Mesmo com estas diferenças, no entanto, a série não deixou de agradar aos fãs dos mutantes da Marvel, tendo o seu continuado sucesso no seu país natal levado mesmo à produção, já na década de 2020, de uma sequela, 'X-Men '97', actualmente disponível na Disney+.

O icónico genérico da série.

Apesar de servirem como 'porta-estandarte' das séries de animação da Marvel, no entanto, os X-Men estavam longe de ser os únicos personagens da editora convertidos a um formato televisivo. O não menos icónico Homem-Aranha também teria direito a série própria – que trazia outro excelente tema de genérico e que, mesmo suplantada por exemplos posteriores, não deixa ainda assim de ser lembrada com carinho pelos fãs - e o mesmo se passaria também com o Homem de Ferro e o Quarteto Fantástico, embora qualquer destas séries tivesse tido uma passagem pelas Tvs nacionais bem mais discreta que a de Peter Parker ou da equipa mutante.

A série do 'aranhiço' tinha também uma introdução memorável.

Em comum, estes programas tinham a animação limitada, típica de produções da altura (mas ainda assim funcional para o efeito pretendido) e o grafismo e desenho dos personagens, que se saldava numa versão mais simplificada e algo mais infantil do típico estilo Marvel. O resultado era uma série de 'pratos cheios' para fãs dos super-heróis em questão, os quais, mesmo não chegando ao apuro técnico e de narrativa das séries da 'concorrente' DC, se perfilavam ainda assim como opções acima da média naquela que terá sido uma das melhores épocas de sempre para a animação televisiva, e faziam por merecer a reputação de que continuam a usufruir entre quem foi jovem naquele tempo, em Portugal e não só.

28.07.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sábado, 26 de Julho e Domingo, 27 de Julho de 2025.

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.

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Num já remoto 'post' neste nosso blog, recordámos as actividades extra-curriculares, as quais acabavam por contar tanto como Saídas de Sábado (ou até Sábados aos Saltos) como como Domingos Desportivos. A disciplina específica sobre a qual nos debruçamos nesta publicação dupla não fugia a essa regra, sendo uma das mais populares entre os jovens da época e tendo conseguido, ainda que de forma efémera, escapar do seu 'nicho' habitual e encontrar um público mais globalizado.

Falamos da equitação, desporto habitualmente associado ao sexo feminino e aos estratos sociais mais altos (e com precedentes que justificam esse estereótipo) mas que, na primeira metade dos anos 90, encantou e fascinou crianças e jovens de ambos os sexos e dos mais diversos estratos sociais, de Norte a Sul de Portugal. Talvez pela divulgação de espaços como o picadeiro do Campo Grande, em Lisboa, talvez pelo fascínio exercido por todo e qualquer animal junto da criança comum, ou talvez apenas pelo sempre infalível 'efeito passa-palavra' no recreio, a verdade é que as aulas de equitação viram, durante este período, gerar-se um influxo de interesse nos seus serviços, com muitos meninos e meninas a quererem aprender a andar a cavalo – ainda que, em muitos casos, esse interesse acabasse por ser de pouca duração, sendo poucos os que continuavam a prática da disciplina a longo-prazo.

Talvez por isso a equitação tenha sido incapaz de reter o estatuto de actividade extra-curricular 'mainstream' de que gozou durante aqueles anos, tendo rapidamente regressado à qualidade de desporto 'de nicho', com interesse para, e ao alcance de, apenas alguns. Quem viveu aqueles anos em que o desporto em causa era tão popular quanto a dança ou o 'karaté', no entanto, certamente recordará a inveja sentida ao ouvir os colegas falar das aulas de equitação, e a vontade exacerbada de se juntar a eles. É a esses (entre os quais se contava o autor deste blog, ainda em idade de instrução primária) que dedicamos as breves linhas que compõem mais este 'post' duplo do Anos 90.

27.07.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sexta-feira, 27 de Julho de 2025.

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

As sequelas e os 'remakes' de filmes de sucesso estão longe de ser novidade no Mundo movido a dinheiro de Hollywood. Menos comum, no entanto, é ver dois exemplos deste tipo de filme estrearem no mesmo fim de semana - e, no entanto, foi precisamente essa a situação verificada nos dias anteriores à data de edição deste 'post', que viram chegar aos cinemas uma nova tentativa de retratar o 'Quarteto Fantástico', e à Netflix uma continuação de 'O Demónio do Golfe', um dos maiores sucessos da filmografia de Adam Sandler. Nada melhor, pois, do que recordar neste 'post' os antecessores de ambos os filmes produzidos durante os anos 90, os quais tiveram destinos diametralmente opostos.

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Começando pelo 'Quarteto Fantástico' de Roger Corman, o filme de 1994 é, hoje em dia, infame entre cinéfilos fãs de banda desenhada de super-heróis. Isto porque a película – exibida uma única vez no cinema, na Alemanha, e surgida na Internet mais de um quarto de século após a sua produção – foi feita, apenas e tão somente, para que Corman pudesse reter os direitos sobre a franquia, não tendo o realizador qualquer intenção de levar o material às salas de cinema, ou mesmo ao circuito 'directo a vídeo'. Talvez resida aí a explicação para a falta de cuidados técnicos evidenciada em cada cena do filme – com particular expressão nos efeitos práticos – e para a escolha de actores desconhecidos para viverem tanto os quatro heróis como o seu inimigo Dr. Destino, personagem icónica para os leitores das BD originais.

A verdade, no entanto, é que, apesar destas falhas técnicas, o filme é bastante fiel ao material idealizado por Stan Lee, conseguindo capturar as personalidades dos membros do Quarteto (embora nem tanto a de Destino) e mostrando mesmo laivos de querer ser algo mais do que um esquema de evasão fiscal. Os actores, que desconheciam as verdadeiras intenções de Corman, têm também actuações passáveis no contexto de um filme de 'Série B', deixando a ideia que, com alguma dedicação e empenho, este pudesse ter sido um filme menor, mas de culto, entre os fãs de 'quadradinhos'.

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Num patamar diametralmente oposto está o filme de Sandler, não só lançado oficialmente em cinema (curiosamente, ao contrário da sequela) como considerado um dos grandes clássicos de Adam Sandler, um daqueles actores cujo estilo divide opiniões, mas não deixa ainda assim de encontrar o seu público-alvo. Nesta tentativa de parodiar o mais que batido formato das comédias desportivas (no caso com o golfe como modalidade de eleição) o seu habitual personagem simplório revela-se um 'génio' no tocante a colocar bolas brancas em buracos na relva, embarcando no habitual percurso delineado em filmes deste tipo, ao qual nem sequer falta um rival ciumento e sem escrúpulos que o herói deve derrotar no último buraco de um jogo para poder levar para casa o prémio e salvar a casa da sua avó.

Uma paródia declarada e descarada, portanto, mas ainda imbuída da sinceridade que diferenciava os primeiros filmes de Sandler dos que viria a realizar no auge da sua fama, tornando-o uma boa aposta para quem conseguir lidar com o tipo de actuação e situações típicas da obra do actor, ambas as quais se encontram em grande evidência neste filme. Já a sequela parece reunir menos consenso, podendo vir a tornar-se rapidamente 'apenas mais um' dos muitos filmes exclusivos para a Netflix lançados a cada ano – o que não invalida que, tal como no caso de 'Quarteto Fantástico', dediquemos algumas linhas ao seu antecessor, esse sim (e ao contrário do filme de Roger Corman) um verdadeiro clássico do seu estilo.

26.07.25

NOTA: Este 'post' é correspondente a Quinta-feira, 24 de Julho de 2025.

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.

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A principal representante nacional do género, à época

Qualquer mudança de paradigma ou mentalidade geracional não se faz de imediato, antes pelo contrário; tradicionalmente, verifica-se a continuidade de elos de ligação aos hábitos, interesses e tradições das gerações anteriores, por forma a não as alienar do 'novo normal', e a permitir-lhes, em vez disso, uma transição gradual para o novo modo de vida. O campo da imprensa escrita não é excepção a este respeito, o que explica o porquê de diversas publicações se manterem firmes geração após geração, mesmo depois de a sua relevância e impacto terem diminuído consideravelmente.

Nos anos 90 e 2000, o principal exemplo deste fenómeno eram as revistas de lavores, dirigidas sobretudo a uma população de mais idade, com interesse nas artes do bordado, 'crochet' ou ponto-de-cruz, e que encontravam na mesma a quase totalidade da sua audiência. Compostas, quase exclusivamente, por imagens de padrões, acompanhadas de instruções sobre como os tornar realidade, estas revistas eram, para 'leigos', tão ou mais inescrutáveis que qualquer outra publicação especializada e dedicada a um 'hobby'; para conhecedores do assunto, no entanto, as mesmas constituíam um recurso valioso, que ajudava à imaginação na hora de conceber novos padrões com os quais se entreter durante os dias, semanas ou mesmo meses subsequentes – razão mais que suficiente para a sua existência continuada, mesmo no auge da afirmação cultural da geração 'Millennial', cujo interesse por lavores era, e é, praticamente nulo.

Com o passar dos anos, o advento da 'Internet das Coisas' veio tornar estas publicações, como tantas outras, redundantes e obsoletas, já que é, hoje em dia, extremamente fácil conseguir padrões de bordado ou 'crochet' na Internet, e imprimi-los ou seguir as instruções no ecrã do computador ou telemóvel. Para quem prefere fazer as coisas 'à moda antiga', no entanto, é possível que estas revistas continuem a fazer sentido e a ter razão de ser, pelo que é possível que as continuemos a ver nas bancas nacionais durante ainda mais alguns anos.

23.07.25

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.

Apesar de o balanço de poder no panorama político português se vir mantendo mais ou menos estável desde a implementação da democracia liberal no pós-25 de Abril, tal não invalida que, paulatinamente, novas caras e forças procurem deixar a sua marca na governação do País. Infelizmente, salvo muito raras excepções (a principal das quais já aqui abordada) esses partidos acabam por ter uma expressão muito reduzida – para não dizer mínima, ou mesmo nula – e por se remeter rapidamente à obscuridade do fundo do boletim de voto, e à esperança que haja alguém disposto a apostar neles a cada novo acto eleitoral. O grupo de que falamos neste post – a poucos dias daquele que seria o trigésimo-quinto aniversário da sua fundação – não foi, de todo, excepção a esta regra, tendo, antes pelo contrário, constituído um exemplo perfeito da trajectória da maioria das iniciativas deste tipo.

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Surgido a 26 de Julho de 1990, pela mão de Manuel Sérgio, o Partido da Solidariedade Nacional até conseguiu alguma tracção no seu primeiro acto eleitoral (o de 1991) muito graças ao efeito conjunto do 'factor novidade' (sempre apelativo para uma população sedenta de alternativas políticas) e de um programa eleitoral explicitamente focado nos reformados, uma das camadas populacionais que tradicionalmente mais sofre com a falta de medidas e apoios estatais. De facto, apesar de a percentagem de voto no novo partido se ter saldado em pouco mais de 1.6%, tal foi, ainda assim, suficiente para garantir ao fundador e presidente um lugar na Assembleia da República – um feito que não deixa de ser notável para um partido recém-fundado.

Este auspicioso início não teria, no entanto, continuidade em eleições subsequentes, tendo a 'fama' do PSN sido 'sol de pouca dura'. De facto, em apenas quatro anos, o partido perdeu quase 1.4% dos seus eleitores, ficando os dois outros actos em que participou, em 1995 e 1999, marcados por uma adesão de apenas 0.2%, percentagem que deixava o grupo de Manuel Sérgio fora dos lugares da Assembleia. Nada que impedisse o Presidente do partido de sonhar alto, no entanto, tendo-se Sérgio apresentado como candidato a Eurodeputado em ambos os actos eleitorais para o Parlamento Europeu, em 1994 e 1999; escusado será dizer que nenhuma das duas campanhas rendeu quaisquer frutos, tendo a representação portuguesa naquele organismo ficado a cargo de nomes com bastante maior projecção. A Manuel Sérgio, restava apenas regressar ao 'rame-rame' da política em pequena escala, do qual não lograria tornar a sair durante a meia década de vida que restava ao PSN.

De facto, logo nos primeiros dias do ano de 2006, o partido fundado pouco mais de uma década e meia antes viria a ser oficialmente dissolvido, assumindo o falhanço da sua tentativa de encontrar o seu espaço numa cena política já demasiado formatada e bipartida para acolher partidos de tão pouca expressão. A breve passagem de Manuel Sérgio e do Partido da Solidariedade Nacional pela política portuguesa salda-se, pois, em apenas mais uma de tantas 'notas de rodapé' já anexadas a esse mesmo panorama, e cujo número vem continuando a crescer até aos dias de hoje: afinal, a esperança é a última a morrer, e qualquer bom político tem um quê do idealismo e vontade de mudar o Mundo que, em 1990, tinham Manuel Sérgio e o seu PSN...

22.07.25

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Segunda-feira, 30 de Março de 2024.

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

No tocante a programas de música e telediscos no Portugal dos anos 90, a referência imediata (e praticamente única) para a maioria dos 'millennials' nacionais será o icónico 'Top +', o mais próximo a que a televisão lusa da altura chegava do estilo de programação de uma MTV, cuja reputação atravessava, à época, o oceano, fazendo muitos jovens sonhar com algo equivalente mas falado e criado em Português. No entanto, nessa mesma época, a própria RTP veiculava um segundo magazine sobre música, hoje mais esquecido, mas que, à época, representou uma importante mudança de paradigma na grelha audiovisual do Portugal pré-SIC e TVI.

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Tratava-se do 'Pop-Off', da autoria de José de Freitas, à época figura de proa nos esforços de representação do 'pop-rock' português nos 'media', e que decidia, com este formato, deitar ele próprio 'mãos à obra'. Não é, pois, de estranhar que este programa se destaque do 'irmão' do 'Canal 1' pelo seu foco exclusivo na cena portuguesa, à época num dos seus muitos períodos de florescimento. As habituais bandas internacionais que dominavam os 'tops' (incluindo o '+') eram, assim, substituídas tanto por 'suspeitos do costume' como Xutos & Pontapés, Delfins, GNR, Resistência ou Madredeus como por novas sensações do movimento, como LX-90 ou Sitiados. Eram, no total, cerca de vinte e cinco minutos diários dedicados a telediscos, reportagens e notícias sobre música portuguesa, com a apresentadora Sofia Morais a servir de elo de ligação entre os diferentes segmentos que perfaziam o programa.

Um formato que tinha tudo para agradar ao público-alvo e que, sem surpresas, viria a reter um lugar na grelha de programação do 'Canal Dois' durante dois anos - período que até parece pouco, tendo em conta a relevância da temática e a excelente execução técnica do programa, sobretudo se se tiver em conta a duração substancialmente mais considerável do contemporâneo dedicado aos 'tops' internacionais. O curto ciclo de vida não impediu, no entanto, que 'Pop-Off' conquistasse um lugar tanto no coração dos melómanos da época como na própria história dos programas musicais na televisão portuguesa, tornando praticamente obrigatórias estas poucas linhas a ele dedicadas neste nosso 'blog' dedicado, precisamente, a recordar esses e outros aspectos da sociedade portuguesa de outros tempos.

 

 

 

 

 

15.07.25

Nova semana de 'derretimento mental', e inspiração em baixo... Voltaremos quando a mesma regressar. Até lá.

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12.07.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quinta-feira, 10 de Julho de 2025.

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

Um dos pontos altos do Verão de qualquer português é (ou, pelo menos, era) o aparecimento do novo cartaz da Olá. Pode parecer surpreendente que algo tão simples quanto novas opções de gelado para consumir possa entusiasmar genuinamente um ser humano, mas é precisamente isso que se passa, todas as épocas balneares, quando a principal companhia do ramo a operar em Portugal traz a lume as suas novidades, bem como alguns 'velhos conhecidos' já com estatuto quase perene – o que pode fazer esquecer o facto de que, algures em tempo, também eles foram novidades.

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Foi, precisamente, esse o caso, no primeiro Verão da década de 90, com um hoje 'decano' das arcas congeladoras nacionais, e escolha sólida para quem quer apreciar um gelado sem gastar muito dinheiro: o Feast, um dos 'clássicos' da companhia, ao lado dos inescapáveis Magnum, Cornetto, Calippo, Mini Milk, Solero (ele próprio uma 'invenção' dos anos 90) e da 'trilogia de mascotes' composta por Epá, Perna de Pau e pelo regressado Super Maxi. E se, ao contrário destes, o Feast não se afirma como 'gelado preferido' de ninguém, a verdade é que este clássico leva já três décadas e meia como melhor 'opção de recurso' para quem tem pouca imaginação ou dinheiro – talvez atrás apenas do referido Super Maxi.

Não que o gelado em si seja mau – antes pelo contrário, a combinação de 'crosta' crocante com interior achocolatado (por oposição à habitual baunilha) e mais duro do que o esperado proporciona uma experiência degustativa interessante. No entanto, a falta de uma 'mascote' de apoio e de um conceito mais interessante e apelativo do que 'gelado com interior duro' fazem com que o Feast fique, por vezes, um pouco 'esquecido' naquele seu eterno canto do cartaz, agora já sem mesmo a companhia do Krisspi, seu 'comparsa' naqueles idos anos de finais do século XX. Por aqui, no entanto, não o esquecemos (é mesmo dos mais consumidos entre os gelados da Olá) e fazemos questão de celebrar os trinta e cinco anos de um 'clássico eterno' da geladaria industrial portuguesa.

11.07.25

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quarta-feira, 9 de Julho de 2025.

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.

No tocante a autores de vulto da literatura portuguesa contemporânea, o nome de José Saramago é incontornável. Embora pouco consensual, o malogrado escritor continua a ser um dos primeiros em quem se pensa quando o assunto são obras literárias criadas em Portugal, e mesmo quem não é apreciador é obrigado a reconhecer não só o talento como a importância de Saramago para o desenvolvimento da ficção em 'Português europeu'. E um dos principais livros de que imediatamente se fala ao trazer à baila o autor – que teve, inclusivamente, direito a adaptação cinematográfica 'Hollywoodesca', com Julianne Moore – é a obra que completa, este ano, trinta anos de existência: 'Ensaio Sobre A Cegueira'.

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Capa da edição original da obra.

Tão sinónimo com o escritor português como o histórico 'Memorial do Convento', 'Ensaio Sobre A Cegueira' prova que a evolução da prosa de ficção, e dos gostos de quem a lê, pouco ou nenhum efeito tiveram sobre Saramago, que aplica nesta obra de 1995 o mesmo exacto estilo estabelecido nas suas primeiras criações, mais de três décadas antes, e que se tornou algo 'memético' entre os leitores portugueses; estão aqui as longas frases com excesso de vírgulas, as interpelações em discurso directo violadoras das leis gramaticais, e todos os restantes recursos estilísticos que se tornaram quase indistinguíveis da escrita do autor.

É, pois, necessário ultrapassar esta primeira 'barreira' para que se consiga, verdadeiramente, apreciar a trama da obra, uma variação sobre o tema da epidemia pós-apocalíptica (que hoje seria, talvez, chamada de pandemia) neste caso com efeito sobre a visão humana, conforme explicitado no título da obra. Pretexto para Saramago explorar as formas como as suas diversas personagens – todas identificadas, não por nome, mas por características distintivas ou posição social – lidam com a recém-adquirida deficiência, e como esta os afecta psicologicamente. Um conceito bastante interessante, e que se prestou muito bem à filmagem por Fernando Meirelles (de 'Cidade de Deus'), que permitiu que a história se sobrepusesse à linguagem escrita de Saramago.

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Cartaz do filme de 2008.

Foi, pois, com justiça que 'Ensaio Sobre A Cegueira' adquiriu, quase desde logo, estatuto de 'clássico moderno' da literatura portuguesa, não só por virtude de quem assinava a obra, mas também pela qualidade da trama e da escrita da mesma. Não podíamos, pois, deixar de lhe dedicar algumas linhas neste nosso 'blog', no ano em que se celebra o seu trigésimo aniversário.

08.07.25

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Segunda-Feira, 07 de Julho de 2025.

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

Na última Segunda de Sucessos, passámos em revista a carreira do duo romântico Anjos, hoje de novo na ribalta devido a um mediático processo judicial em que se encontram envolvidos. Nessa ocasião, fizemos também menção ao programa que ajudou a lançar o duo, 'Casa de Artistas'; nada melhor, portanto, do que dedicarmos agora algumas linhas a esse importante, mas esquecido, formato televisivo.

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Uma das poucas actuações do programa registadas na Internet actual.

Exibido pela RTP, com apresentação da então veterana dos ecrãs, Serenella Andrade, 'Casa de Artistas' (não confundir com o 'reality show' brasileiro, 'Casa DOS Artistas') podia ser descrito como um sucedâneo de 'Chuva de Estrelas', mas sem a vertente teatral e de reprodução dos visuais dos artistas homenageados, e com a característica única e distintiva de os participantes serem, forçosamente, membros da mesma família, regra que permitiu que os irmãos Rosado tomassem parte, e eventualmente se sagrassem vencedores. As diversas famílias concorrentes em cada programa competiam, pois, entre si, cabendo ao júri do programa escolher um vencedor final - um formato entre o concurso tradicional e 'talent shows' como o posterior (e bastante mais lembrado) 'Ídolos', e dos ainda mais posteriores 'Factor X' e 'The Voice Portugal', este último ainda hoje no ar. que apresentava alguma originalidade, e que fazia crer que 'Casa de Artistas' viesse a ser bastante mais recordado do que de facto é.

Efectivamente, apesar da premissa original e vertente competitiva, o programa em causa encontra-se, hoje, algo Esquecido Pela Net, sendo recordado apenas e só no contexto do início de carreira dos Anjos – razão mais que suficiente para que este nosso blog, 'especialista' em 'desenterrar' elementos esquecidos da vida de então, lhe dedique algumas linhas, e o procure trazer, novamente, para a ribalta, tal como sucedeu recentemente com os seus mais famosos e mediáticos vencedores.

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