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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

11.10.21

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

A música bem-humorada e de índole cómica teve no Portugal das décadas entre 80 e 2000 um mercado que, embora talvez não particularmente significativo em termos numéricos, se apresentava ainda assim receptivo, sobretudo no que toca ao produto local. O caminho desbravado pelos pioneiros Ena Pá 2000 e Mata-Ratos, ainda nos 80s, viria a ser repetidamente trilhado ao longo das duas décadas seguintes, por nomes como Mercurioucromos, Fúria do Açúcar, Irmãos Catita (do mesmo mentor dos Ena Pá 2000) ou Adiafa, entre outros.

Em meio a toda esta produção ‘Made in Portugal’, cinco jovens brasileiros tentaram – e conseguiram – ter uma palavra a dizer, procurando replicar em Portugal o sucesso astronómico e meteórico que haviam conseguido entre o público jovem do seu país natal. E a verdade é que, não fora a intervenção completamente inesperada do destino, Dinho, Júlio Rasec, Bento Hiroshi e os irmãos Samuel e Sérgio Reoli teriam muito provavelmente conseguido mesmo cumprir esse objectivo.

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Colectivamente conhecidos como Mamonas Assassinas, os cinco músicos conseguiram, entre o Verão de 1995 e o abrupto desfecho da sua história, pouco mais de um ano depois, pôr a juventude portuguesa a cantar com deleite e a plenos pulmões letras que mal compreendiam, com temas tão edificantes como as orgias sexuais frustradas (no ‘single’ e sucesso máximo ‘Vira-Vira’, uma sátira à música ‘pimba’ e de baile apreciada pelos emigrantes portugueses no Brasil) e o bom tratamento dos pelos genitais (na genial ‘Sabão Crá-Crá’, trinta segundos de canto ‘a capella’ com esquema rimático infantil, que talvez tivesse mesmo como intuito cativar e confundir, em partes iguais, a criançada.) Pelo meio, o quinteto ainda arranjava tempo para roubar instrumentais inteiros aos Clash (‘Chópis Centis’ mais não é do que o hino ‘Should I Stay Or Should I Go’, do grupo britânico, com letra diferente) e mostrar o seu lado mais sentimental, na balada ‘Pelados em Santos’. Em suma, um conjunto de músicas que mais se assemelhava a uma lista de sucessos, e que – para desprazer da maioria dos pais - não deixou de cativar o público infanto-juvenil português, como aliás já acontecera com o brasileiro.

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Uma das capas de álbum mais famosas e icónicas da década de 90 em Portugal

As razões para este sucesso são evidentes: do visual multi-colorido e extravagante à voz anasalada e caricatural de Dinho, passando pelas letras que vagamente se compreendiam ser ‘marotas’, os Mamonas pareciam feitos à medida para agradar a uma certa demografia. Não é, pois, de surpreender que tenha sido precisamente esse o caso, com o disco homónimo de estreia a ‘explodir’ no nosso país como já acontecera no Brasil, e os vários ‘singles’ do quinteto a dominarem as ondas de rádio durante todo um Verão. E, dado todo este sucesso, também não foi nenhum choque – antes pelo contrário – ver o grupo anunciar que a sua próxima digressão de promoção ao álbum os traria ao nosso país, em Março de 1996. O destino, no entanto, tinha outros planos…

A história é, já, por demais conhecida – os Mamonas viajavam para Portugal, a 2 de Março (precisamente para cumprir as datas acima mencionadas) quando problemas com o avião em que se encontravam o fizeram despenhar-se contra uma cordilheira de montanhas, matando instantaneamente todos quantos se encontravam a bordo da aeronave. Uma tragédia que abalou os dois países em que o grupo se havia estabelecido, resultando na perda de vidas jovens, talentosas, e ainda com muito para dar ao mundo da música, por muito (intencionalmente) parvas que essas contribuições pudessem ser…

A realidade dos factos, no entanto, faz com que o legado dos Mamonas (tanto em Portugal como no Brasil) se traduza tão-sómente num punhado de canções ainda hoje lembradas com carinho por quem as ouviu na idade certa, e na lembrança viva de um pico de sucesso tão intenso como curto. Mais uma prova (como se ainda fossem precisas mais) de que muitas vezes, o estilo de vida ‘rock’n’roll’ pode ser muito, mas mesmo muito ingrato…

 

10.10.21

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.

Qualquer criança dos anos 90 – sobretudo do sexo masculino – terá vivas recordações daquele período de um ou dois anos, durante a sua infância, em que cultivou uma verdadeira obsessão por dinossauros. Já de si ‘feitos à medida’ para agradar à demografia em causa, estes misteriosos monstros pré-históricos foram, em meados dos anos 90, alvo de renovado interesse por parte do público infanto-juvenil ocidental, como conseguência da estreia do filme ‘Parque Jurássico’, um dos maiores sucessos de bilheteira da década e ainda hoje visto como um clássico dos filmes de aventura para toda a família. Como seria de esperar, Portugal também não escapou a esta ‘febre’, e era raro o jovem do sexo masculino abaixo dos 13-14 anos que , durante os dois anos posteriores à estreia do filme em Portugal, não tivesse entre a sua colecção de ‘bonecos’ pelo menos uma réplica em borracha de uma qualquer espécie de dinossauro, fosse ele um dos muito desejáveis predadores mostrados no filme de Spielberg, ou uma mais pacata (mas não menos fascinante) espécie herbívora.

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Exemplos típicos e comuns deste tipo de brinquedo

À semelhança da maioria dos produtos de que aqui falamos, também estes dinossauros em miniatura tinham padrões de qualidade manifestamente distintos, indo desde nacos de plástico vagamente em forma de dinossauro até àquilo que, à época, se criam ser réplicas anatomicamente correctas das principais espécies pré-históricas (e que hoje se sabe estarem tão erradas como os modelos genéricos com os quais na altura competiam.) Como seria de esperar, estes últimos eram bastante mais desejados e pretendidos do que os seus congéneres menos cuidados, mas a verdade é que a ‘febre’ era tal que qualquer brinquedo (ou antes, produto) vagamente alusivo e ligado à temática dos dinossauros encontraria quase garantidamente o seu público.

Hoje em dia, com a saga ‘Parque Jurássico’ renascida como ‘Mundo Jurássico’ e novos avanços científicos a pintarem os dinossauros como pássaros gigantes (por oposição à natureza reptiliana que se lhes atribuía nos anos 90) é de crer que estes monstros pré-históricos continuem a capturar a imaginação das crianças de uma certa idade. Infelizmente, no entanto, as réplicas em miniatura deixaram praticamente de existir no ‘mundo real’, sendo que a maioria dos brinquedos ‘dinossáuricos’ de hoje apresentam características mecânicas, ao estilo ‘Transformer’; os ‘bonecos’ de dinossauros recriados em minucioso detalhe e com pretensões a realismo, com que todos brincámos, praticamente desapareceram, deixando como único rasto a memória daqueles que viveram e participaram da sua época áurea. Um daqueles casos em que vale a pena pedir que quem tenha filhos lhes mostre esses brinquedos da nossa infância, a fim de evitar que os mesmos se percam para sempre…

09.10.21

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos e acessórios de exterior disponíveis naquela década.

Numa era da História em que predominam os brinquedos e produtos para crianças multi-funcionais e integrados com a toda-poderosa Internet, pode parecer pitoresco dizer que, até décadas bem recentes, um simples pedaço de corda com dois manípulos consistia veículo para horas de diversão numa tarde de fim-de-semana de sol, quer sózinho, quer (bem) acompanhado por amigos.

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O facto, no entanto, é que as cordas de saltar só há bem pouco tempo deixaram de ser um dos esteios das brincadeiras ao ar livre de uma certa demografia, a mesma que via num pedaço de banda elástica potencial suficiente para ocupar uma semana de recreios. Fosse a tentar bater o próprio recorde de saltos sem tropeçar, fosse a avaliar o momento certo para entrar no círculo infindável da corda girada por dois amigos - e lá se manter mais tempo do qualquer outra pessoa – as crianças do final do século XX e inícios do novo milénio continuavam, apesar de toda a tecnologia que os rodeava, a extrair muitos e bons momentos de brincadeira daquele brinquedo tão simples, singelo e até algo antiquado, que já havia feito as delícias dos seus pais, e até avós…

Como é habitual com a maioria dos brinquedos, também as cordas de saltar vinham em vários modelos e padrões de qualidade, das simples e literais cordas (daquelas grossas, para amarrar objectos pesados) passando por tipos especiais para ginástica e desporto, até outras já mais com aspecto de ‘brinquedo’ propriamente dito (normalmente em plástico colorido e com manípulos duros e bem delineados) adquiríveis nas lojas de brindes e brinquedos. Fosse qual fosse o tipo, no entanto, a diversão era a mesma…

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Exemplo do tipo de corda mais trabalhado e abertamente comercial.

Hoje em dia, é extremamente raro encontrar uma corda de saltar fora do contexto de uma aula de Educação Física ou ginásio de ‘fitness’, embora as mesmas ainda existam, e muitas vezes como produtos licenciados (existem, por exemplo, cordas alusivas ao filme Frozen e à linha de bonecas LOL Surprise); no entanto, é impossível não ter a sensação que, se fosse veiculado aos Alfas contacto com essa tão simples mas tão viciante brincadeira, o legado da corda de saltar não deixaria de se estender a mais uma geração…

08.10.21

Hoje, a nossa Sessão não vai recordar qualquer filme nostálgico, mas sim dar a conhecer uma série de filmes modernos cuja temática certamente não deixará de interessar aos leitores deste blog.

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Trata-se da saga ‘Rouronin Kenshin’, uma adaptação em imagem real do nosso bem conhecido (e querido) ‘Samurai X’, produzida e lançada pela Netflix e que se estende, até agora, ao longo de cinco de filmes, ao longo dos quais podemos seguir todo o percurso de Kenshin Himura, desde os seus inícios como assassino profissional até à época da sua vida retratada no ‘anime’ original. E embora os personagens não falem com as icónicas vozes da dobragem portuguesa, e nem todos os elementos estejam cem por cento correctos ou bem conseguidos – é estranho, por exemplo, ver Kenshin de cabelo preto, embora o penteado em si esteja perfeitamente retratado – não deixa de ser uma boa aposta para quem era fã do mítico ‘anime’ e quer travar conhecimento com uma nova versão dos seus heróis de infância. Recomenda-se é que reservem algum tempo para o fazer, pois cada um dos filmes dura perto de duas horas e meia…

Ainda assim, fica a dica, para quem quiser fazer uma ‘maratona’ de Netflix e não souber o que ver!

08.10.21

Nota: Este post é relativo a Quimta-feira, 7 de Outubro de 2021.

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.

Qualquer criança ou jovem que se aproximasse de uma daquelas máquinas de bolas com brindes (aquelas em que se rodava o manípulo para fazer cair pela ranhura, directamente para a nossa mão, um dos ‘ovos’ contidos no interior) esperava que lhe saísse um dos prémios ‘bons’ que se podiam vislumbrar através do vidro. E apesar de todos sabermos que a colocação dos receptáculos no interior da máquina não era aleatória, e que o mais provável era que nos saísse um puzzle de cartão rasca em que as peças não encaixavam, essa esperança mantinha-se de toda e qualquer vez que utilizávamos estas máquinas, das quais paulatinamente falaremos neste nosso blog.

À falta de melhor, no entanto, a maioria das crianças contentava-se com um prémio que se inserisse no ‘meio termo’ entre o referido puzzle, ou a aranha de plástico duro sem um mínimo de realismo, e aquele iô-iô que espreitava pelo vidro, como que troçando da nossa ingenuidade; e um dos melhores prémios a que se podia aspirar nesta categoria intermédia eram as bolas saltitonas.

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Um exemplo acabado de produto auto-descritivo, as bolas saltitonas (que também se podiam comprar nas tabacarias e lojas de brindes, em diferentes tamanhos) eram precisamente isso: bolas de borracha, normalmente entre o tamanho de um berlinde ‘abafador’ (com os quais, aliás, tinham algumas semelhanças estéticas) e o de uma bola de golfe, às quais era dado um tratamento especial para que tivessem uma reacção de ricochete acima da média. Na prática, isto traduzia-se em brinquedos que, ao mínimo contacto directo com uma superfície, disparavam em vôo picado e errático, o qual só parava quando a bola deixava de encontrar superfícies das quais ressaltar, ou quando era travada em pleno vôo por uma mão certeira; ou seja, uma receita perfeita para deliciar as crianças, mas também para criar ódio entre os adultos, especialmente aqueles que tivessem amor ao mobiliário ou objectos que os rodeavam.

De facto, de uma perspectiva adulta, não é difícil perceber porque é que as bolas saltitonas eram tão frequentemente confiscadas nas escolas daquele Portugal dos 90s, e porque é que quem com elas jogava em casa era inevitavelmente repreendido pelos pais – tratavam-se de brinquedos com alta propensão para causar acidentes, especialmente dada a tendência da criança comum da época para não refrear o seu entusiasmo, e atirar as referidas bolas contra a superfície mais próxima com quanta força conseguisse. Do ponto de vista das crianças, no entanto, esta aversão dos adultos a um brinquedo tão ‘fixe’ e caótico não era mais do que ‘caretice’ da parte deles, e incentivo adicional para se continuar a brincar com o mesmo - pelo menos enquanto o plástico não começasse a lascar em sulcos por embater tantas vezes no chão. Talvez fosse por isso (ou talvez pela facilidade em obter este tipo de brinde) que não havia, nos anos 90, criança que não tivesse pelo menos duas ou três destas bolinhas de conceito extremadamente simples, mas suficientemente bem logrado para causar uma ‘febre’ em Portugal (e não só) durante mais de uma década.

Hoje em dia, continuam a existir bolinhas saltitonas, embora já não com a expressão que outrora tiveram; tal como tantas outros de que já falamos (e falaremos)  aqui no blog, no entanto, esta é daquelas brincadeiras em que é difícil ver a geração Alfa, criada na era da Internet e viciada em Fortnite e Candy Crush, a ter qualquer tipo de interesse. No entanto, trata-se também de um daqueles brinquedos que é verdadeiramente preciso ‘ver para crer’ – e só quem lá esteve naquela época sabe o grau de diversão e ‘vício’ que uma simples bolinha de borracha podia, verdadeiramente, proporcionar…

07.10.21

NOTA: Este post é relativo a Quarta-feira, 6 de Outubro de 2021.

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

Nas últimas edições desta rubrica, temos vindo a recordar alguns dos mais famosos exemplos do formato ‘tirinha de jornal’ dos anos 90, a começar pelos ‘príncipes’ Calvin and Hobbes. No entanto, ainda antes do ‘puto reguila’ e o seu tigre de peluche / amigo imaginário capturarem a imaginação e o coração das crianças e jovens portugueses, já uma outra menina, de cabelo escorrido, vestido e lacinho, o vinha fazendo há mais de uma década, fazendo assim por merecer o seu espaço nesta retrospectiva do formato ‘comic’ daquelas décadas clássicas.

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Falamos, claro, de Mafalda, criada nos anos 80 mas que, nos primeiros anos da década seguinte, ainda fazia ‘mexer’ uma quantidade considerável de produtos licenciados dirigidos ao público mais jovem, desde cadernos escolares a figurinhas em vinil (os clássicos ‘bonequinhos’) e até alguns artigos menos óbvios, como aventais (um dos quais ‘morava’ lá em casa). O que não seria nada de particularmente estranho ou digno de nota…não fosse o facto de Mafalda não ser, de forma alguma, uma tira para crianças.

De facto, a menina reivindicativa criada por Quino foi – pelo menos em Portugal – alvo daquela ideia errónea, ainda hoje tida como verdadeira por grande parte da sociedade, de que toda e qualquer propriedade intelectual com personagens infantis é, forçosamente, dirigida a crianças. No caso das tiras de Quino, não só tal não é verdade (a grande maioria das piadas e situações de ‘Mafalda’ será de difícil compreensão para uma criança comum) como a apreciação das tiras requer conhecimento de um contexto muito específico – nomeadamente, aquele em que Mafalda, a sua família e os seus amigos vivem, isto é, a Argentina ditatorial dos anos 80. Efectivamente, só quem tiver algum contexto, ainda que de base, sobre o que então se passava no país natal do ‘cartoonista’ será capaz de apreciar inteiramente os comentários mordazes da pequena Mafalda sobre aquilo que a rodeia, quer a um nível mais imediato, quer mais global e social.

Como se pode ver, portanto, uma obra que passava muito longe das histórias da Turma da Mônica, por exemplo, e cujo único atractivo para a demografia infanto-juvenil residia mesmo nas personagens de Mafalda, Manelito, Miguelito e Filipito, crianças aparentemente perfeitamente normais, mas que – como Calvin alguns anos mais tarde, e em certa medida os Peanuts de Schulz antes deles – eram dados a acessos de filosofia e contestação da ordem social vigente, em meio às suas inocentes brincadeiras.

Ainda assim, e pese embora o conteúdo pouco acessível de muitas das tiras, este trio demonstrou ter carisma suficiente para conseguir duas décadas de sucesso continuado entre o público infantil e juvenil um pouco por todo o Mundo - incluindo em Portugal, onde chegou pela mão da editora Dom Quixote.

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Capa da edição original de 'Toda a Mafalda' lançada pelas Edições Dom Quixote

E ainda que, hoje em dia, a ‘estrela’ de ‘Mafalda’ esteja um pouco mais apagada, na época que nos concerne, a menina da bandolete de lacinho fez - conforme já mencionamos no início deste texto - mais do que o suficiente para justificar a sua presença nesta nossa rubrica…

06.10.21

NOTA: Este post é relativo a Terça-feira, 5 de Outubro de 2021.

A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.

Recentemente, celebrámos nesta mesma rubrica o aniversário do Sapo, plataforma hospedeira deste nosso blog e serviço de pesquisa cibernética de referência no nosso país desde a sua criação em 1995; no entanto, e por muita expressão que tivesse (e tinha) o anfíbio português estava longe de ser o único motor de pesquisa utilizado pelos jovens cibernautas lusitanos naqueles maravilhosos e hoje inacreditáveis anos anteriores ao aparecimento do Google.

De facto, com a plataforma do G multicolor a ter, hoje em dia, um tal monopólio sobre as pesquisas de Internet que as ditas passaram elas próprias a ser sinónimas do motor de busca em causa, torna-se difícil acreditar (ou mesmo recordar) que possa alguma vez ter havido outros recursos deste tipo; e, no entanto, como qualquer pessoa que tenha tido acesso a um computador e ‘modem’ em finais da década que nos concerne saberá, esse estava longe de ser o caso. Não só havia outros motores de busca antes do advento do Google, como havia VÁRIOS outros motores de busca antes do aparecimento do Google. São precisamente esses que iremos abordar no nosso post de hoje.

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E começamos, desde logo, pelo nosso anfíbio nacional. Fundado em 1995, no núcleo informático da Universidade de Aveiro, o Sapo foi pioneiro dos motores de pesquisa em Portugal e, pela sua acessibilidade e ‘Portugalidade’, rapidamente se tornou no serviço favorito de muitos internautas portugueses, que apreciavam a possibilidade de alcançar páginas nacionais – ou, pelo menos, escritas em português – que, em outros motores semelhantes, quase certamente seriam preteridas em favor de endereços estrangeiros. Daí para a frente, foi sempre a somar, com o Sapo a ser, eventualmente, absorvido pela toda-poderosa Portugal Telecom, e (já no novo milénio) a encontrar nova vida como provedor de referência no campo da Internet ADSL. Hoje, um quarto de século depois da sua concepção, o nosso amigo verde ainda por cá continua, agora mais virado para os ‘blogs’, mas ainda instantaneamente reconhecível para a maioria dos portugueses.

Ao contrário do que se possa pensar, contudo, a pesquisa cibernética em Portugal nos anos 90 não se resumia ao motor ‘feito em casa’; o nosso sapinho lusitano enfrentava a concorrência de dois motores de pesquisa internacionais, um dos quais continua, ainda hoje, a perder apenas para o Google no que toca a reconhecimento e popularidade da ‘marca’.

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Uma imagem que é um 'shot' de nostalgia directamente nas veias...

Falamos, é claro, do Yahoo!, aquele que era o líder de mercado neste nicho até ao aparecimento e subsequente expansão do motor começado por G – e com bons motivos, visto que se tratava de um motor intuitivo e relativamente abrangente, embora longe dos padrões mais tarde estabelecidos pelo actual líder incontestado. Ainda assim, o Yahoo terá ajudado muita gente a encontrar as suas páginas favoritas, e – mais tarde – a descobrir respostas às suas perguntas mais prementes, através do popular serviço de participação comunitária Yahoo Answers. Hoje em dia, o motor continua activo, sendo o mais antigo dos serviços deste tipo ainda existentes, mas está muito longe da expressão que um dia chegou a ter – não que a concorrência lhe tenha dado qualquer hipótese…

E falando em falta de hipóteses, é hora de relembrar o motor de busca mais ‘esquecido’ daquela época, mas que não deixava de ser excelente – o Altavista.

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O Altavista como muitos o conhecemos, na viragem do milénio.

Fundado em Dezembro de 1995 – um ano depois do Yahoo e alguns meses depois do Sapo – este nunca deixou no entanto de ser um serviço algo ‘de nicho’, sem a exposição de que os outros dois motores aqui referenciados dispunham - basicamente, quem sabia da existência do Altavista tinha de ter encontrado o serviço por si mesmo, já que dificilmente o mesmo seria ‘escarrapachado’ à frente dos seus olhos como um Yahoo. Pot esse mesmo motivo, e apesar de contar com alguns fãs entre a juventude portuguesa (como este que vos escreve) o Altavista foi (é) o único de entre os principais motores de pesquisa dos anos 90 a não ter sobrevivido até aos dias de hoje, tendo sido absorvido pelo Yahoo! em 2003, e encerrado definitivamente uma década depois. Ainda assim, para quem conheceu, fica a memória de um motor de pesquisa fluido e agradável de usar, com algumas semelhanças ao Google dos primórdios, mas que em última instância não dispôs das armas necessárias para fazer frente a este e ao Yahoo,

Como se pode ver, portanto, eram várias e bem válidas as alternativas para fazer pesquisas na Internet nos anos 90 - mesmo sem contar com as que nunca chegaram a vingar. Infelizmente, não demoraria muito para o início da hegemonia do Google vir pôr fim a essa era de verdadeira e sã concorrência no mercado dos motores de busca, implementando o ‘status quo’ que todos hoje conhecemos.

Apesar dos pesares, no entanto, a verdade é que estes motores de busca fizeram o suficiente para se afirmarem como marcantes para os jovens daquela época, merecendo bem, por isso, esta breve retrospectiva por parte, precisamente, de um desses jovens que com eles conviveu naquela época irrepetível…

05.10.21

NOTA: Este post é respeitante a Segunda-feira, 5 de Outubro de 2021.

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

Nas últimas edições desta rubrica, temos vindo a falar de séries para adolescentes americanas dos anos 90 que, por alguma razão, tiveram igual repercussão por terras lusitanas; e depois de termos falado das principais representantes da vertente mais séria e mais cómica do estilo, chega hoje a vez de falarmos do terceiro concorrente nesta competição pelo interesse dos espectadores mais jovens, o qual não chegou a conseguir o mesmo nível de sucesso das suas congéneres, mas deixou ainda assim a sua marca entre o público infanto-juvenil da época.

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Falamos de ‘Parker Lewis’ (ou ‘Parker Lewis Can’t Lose’, como era conhecido no seu país de origem), uma ‘sitcom’ da Fox que pegava em alguns dos elementos utilizados pela série rival, ‘Já Tocou!’, os aumentava a um nível quase caricatural, e os misturava com uma boa dose de inspiração retirada do filme ‘O Rei dos Gazeteiros’, que muitos dos nossos leitores mais provavelmente conhecerão pelo seu título original, ‘Ferris Bueller’s Day Off’.

Tal como o filme de 1982, ‘Parker Lewis’ segue as aventuras do gazeteiro e ‘gozão’ do mesmo nome (interpretado por Corin Nemec, que não viria a ter quaisquer outros papéis de nota), um sucedâneo (ou sucessor) de Ferris Bueller que frequenta  uma escola secundária californiana e que, com a ajuda dos seus dois melhores amigos e alguns outros colegas menos chegados, faz a vida negra à directora da escola, enquanto tenta evitar os ‘ataques’ estilo partida de Carnaval da sua maléfica irmã mais nova.

Uma premissa bastante comum, e até algo gasta, para uma série deste tipo, mas que, neste caso específico, era apimentada com uma dose considerável de referências à cultura ‘pop’da época e daquilo a que se convencionou chamar ‘fourth wall breaking’ – aquele fenómeno em que os personagens sabem estar dentro de uma ficção, e utilizam alguns dos elementos da mesma a seu favor. Embora não totalmente original – Zack Morris, de ‘Já Tocou!’, também era conhecido por se dirigir directamente aos espectadores, por exemplo – esta abordagem granjeava algum interesse a ‘Parker Lewis’, e ajudava a série a cimentar um lugar no concorrido mercado de ‘sitcoms’ para adolescentes, tanto nos EUA como em Portugal.

parker-lewis-cant-lose-the-complete-first-season-2O personagem principal em modo 'fourth wall break'

Ainda assim, o sucesso das aventuras de Parker e seus amigos não foi tão pronunciado que levasse à exibição em Portugal das três séries criadas pela Fox entre 1990 e 1993; a série passou em terras lusas durante apenas um ano, substituindo precisamente ‘Já Tocou!’ na grelha da TVI. Nesta batalha em particular, no entanto (e apesar dos ‘gadgets’ de que Parker e os seus comparsas dispunham na sua base secreta por baixo do ginásio) pode dizer-se que o liceu de Bayside saiu claramente a ganhar do confronto com o liceu de Santo Domingo - e que Parker Lewis, que segundo o próprio título da série, 'não pode perder'...perdeu. Ainda assim, os planos de Parker foram suficientemente bem sucedidos para lhe granjear algumas linhas – bem como a honra de concluir a retrospectiva sobre séries para adolescentes dos anos 90 - aqui neste nosso blog…

02.10.21

NOTA: Este post corresponde a Sexta-feira, 01 de Outubro de 2021.

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

Hoje em dia, com a chegada a Portugal de cadeias internacionais como a Primark e a abundância de outras lojas de roupa dirigidas a jovens, é fácil esquecer o impacto que, durante anos, a Zara teve entre a demografia mais joven na Península Ibérica, e em especial em Portugal. Por ser oriunda do país vizinho, a marca teve uma implementação muito mais fácil e bem sucedida em Portugal do que em países como o Reino Unido, por exemplo (onde ainda hoje é pouco conhecida e considerada ‘de nicho’) e tornou-se local de ‘romaria’ para jovens de ambos os sexos durante quase duas décadas.

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Um logotipo bem conhecido de quem mora (ou cresceu) perto de um centro urbano.

Uma das principais razões para esta frequência ‘religiosa’ da cadeia (para além dos preços, que à época eram ao nível do que se vê hoje num Primark) eram as colecções de t-shirts lançadas anualmente quer nas próprias lojas Zara, quer nas suas filiais mais ‘cool’ e alternativas, as Pull & Bear. Com temas diferentes todos os anos – mas sempre o mesmo grau de sucesso e implantação entre os jovens – estas colecções tinham a particularidade de, muitas vezes, consistirem de produtos licenciados, que normalmente não se encontrariam numa cadeia de lojas de roupa vulgar - houve, por exemplo, colecções da Hanna-Barbera, e outra com logotipos de bandas de rock clássico (ambas já no novo milénio, mas ainda assim relevantes para este artigo.)

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Uma t-shirt que marcou época no início do século/milénio

Os jovens daquela época (que não tinham, nem de longe, os meios de que os de hoje dispõem) tinham, assim, oportunidade de comprar t-shirts ou sweatshirts alusivas às suas propriedades intelectuais favoritas, a um preço mais convidativo do que o praticado por lojas especializadas. E enquanto que, hoje em dia, essa prática é comum em cadeias como (novamente) a Primark, na altura, era rara e inovadora o suficiente para granjear à Zara (ainda mais) sucesso entre os jovens.

Não eram apenas as t-shirts licenciadas que faziam sucesso, no entanto – os ‘designs’ próprios das peças com marca Zara ou Pull também eram, regra geral, apelativos o suficiente para gozarem de enorme sucesso entre os jovens (por aqui, por exemplo perdemo-nos a certa altura de amores por um casaco de fecho e capuz verde-seco, e estivemos longe de ser os únicos nesse ano…), merecendo assim ser incluídos nesta breve homenagem à cadeia de roupa por excelência do adolescente citadino dos anos 90 e 2000.

02.10.21

NOTA: Este post é respeitante a Quinta-feira, 30 de Setembro de 2021.

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

Na última edição destas Quintas ao Quilo, falámos aqui das pastilhas Gorila, as quais eram praticamente sinónimo da expressão ‘pastilha elástica’ para as crianças portuguesas até meados dos anos 90; pois foi nessa altura que surgiu em cena um concorrente directo à hegemonia símia – no caso, um gato de óculos escuros com pinta de ‘gajo fixe’, e cujo produto, apesar de importado e não tão icónico como o do gorila lusitano, conseguiu ainda assim usurpar uma tranche significativa do mercado.

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Falamos, é claro, das pastilha Bubblicious e Bubbaloo, mais conhecidas entre os ‘putos’ portugueses como a principal (e praticamente única) alternativa para quem queria uma pastilha elástica mais macia e menos ‘combativa’ do que a Gorila – ou, alternativamente, quem procurava algo um pouco diferente da norma no que tocava a doces para mascar. Isto porque o principal atractivo da Bubbaloo era o facto de – ao contrário de qualquer outra pastilha existente no mercado – ser recheada de geleia líquida, a qual irrompia do interior da pastilha e inundava as papilas gustativas logo à primeira trinca, oferecendo assim uma espécie de ‘dois doces pelo preço de um’ a quem dispendesse os (caríssimos!) 15 ou 20 escudos a que cada pastilha desse tipo era comercializada. Este factor não terá, certamente, sido alheio ao sucesso da pastilha, quer em Portugal, quer no estrangeiro – afinal, que criança não gosta de surpresas, inovações e outros ‘truques’ nos produtos a ela dirigidos?

No entanto, a Bubbaloo não alicerçava a sua estratégia de marketing simplesmente na inovação, abrangendo também a fatia de público que mais não queria do que uma pastilha mais tradicional, mas menos difícil de comer do que a Gorila – e que encontrava na marca ‘baixa gama’, a Bubblicious, precisamente a resposta a esse seu desejo. Notáveis e ainda hoje lembradas pela textura fofa e sabores acentuados (bem mais do que no caso das Gorila) estas pastilhas terão, certamente, suscitado dúvidas existenciais em crianças que gostavam de ambas as marcas, mas só tinham os dez escudos correspondentes a uma única pastilha…

Qualquer que tenha sido o caso, no entanto, o impacto das Bubbaloo e Bubblicious entre a camada mais jovem foi inegável – tanto assim que a marca continua de vento em popa, discutindo o monopólio do mercado das pastilhas com a Gorila, tal como o fez desde a sua entrada no nosso país, há já quase três décadas. Boas notícias para os fãs de pastilhas elásticas, que continuam a ter dois óptimos produtos de entre os quais escolher…

 

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