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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

30.09.21

NOTA: Este post corresponde a Quarta-Feira, 29 de Setembro de 2021.

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog...

…como é o caso das notinhas passadas na sala de aula.

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Quem nunca...?!

Hoje em dia caídos em desuso – ao ponto de haver quem pergunte se ainda se passam notas nas aulas – estes pedacinhos de papel dobrados e passados de mão em mão esperando que a professora não reparasse eram, na época pré-telemóveis, o meio de comunicação por excelência na sala de aula, sendo ao mesmo tempo menos óbvio e mais abrangente do que as também clássicas conversas em surdina; afinal, uma nota em papel podia ser enviada a alguém que se sentasse do outro lado da sala, enquanto que os ditos sussurros ficavam, normalmente, limitados aos colegas do lado, de trás e da frente, sem que houvesse possibilidade de expandir o raio de acção sem levantar a voz e ser ‘apanhado’.

Mais – estes papelinhos eram bastante mais versáteis que as conversas aos cochichos, podendo ser usadas para fins tão distintos como a maledicência (quer de colegas, quer de professores), a passagem de ‘cábulas’, a simples troca de ideias ou a sua utilização mais clássica, descobrir se a pessoa de quem gostávamos também gostava de nós – aqui com a vantagem de, para o adolescente médio de qualquer época da História, ser bastante mais fácil fazer essa pergunta por escrito, por meio de um papel, do que cara-a-cara com a pessoa.

Apesar da confiabilidade e versatilidade, no entanto, as notas também tinham os seus riscos, acima de todos, o de o papel ser interceptado pelo professor ou professora e (horror máximo!) lido em voz alta em frente de toda a gente – situação que se agravava ainda consideravelmente se a nota dissesse respeito a alguém presente na mesma sala, e fosse de teor romântico ou sexual…

Ainda assim, e apesar do risco de ocorrerem situações deste tipo, a passagem de papéis na aula (juntamente com alternativas como comunicar com a turma da tarde através de saudações e mensagens escritas na própria carteira, como se fazia por estes lados) era um dos rituais mais infalíveis e imorredouros da experiência de andar na escola nos finais do século XX e inícios do novo milénio, o que faz com que seja ainda mais triste perceber que, como muitas outras, esta foi uma tradição que se perdeu com o advento da comunicação digital. Nada melhor, portanto, do que utilizar precisamente um meio digital para recordar esse que era (foi) um dos meios de comunicação analógica por excelência…

28.09.21

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

Os noticiários não são, normalmente, um tipo de programa que apele especialmente às crianças e jovens, até por não ser a elas dirigido; a predominância de notícias violentas, deprimentes ou ambas tende a afastar um pouco o público jovem deste tipo de programação, em favor de opções mais escapistas e voltadas à ficção e fantasia.

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Nos anos 90, no entanto, a RTP conseguiu inverter este paradigma, lançando uma iniciativa pioneira e arrojada que acabou por se revelar um retumbante sucesso. Chamava-se Caderno Diário, consistia pura e simplesmente de um Telejornal especificamente direccionado a crianças entre os 8 e os 14 anos, e conseguiu permanecer no ar uns impressionantes 14 anos - entre 1989 e 2003 - tendo durante esse período ajudado a lançar as carreiras de uma série de personalidades da informação televisiva portuguesa. Pedro Mourinho, Pedro Pinto e Rita Ferro Rodrigues foram apenas os mais ilustres de entre os apresentadores do Caderno Diário, vindo-se todos os três a tornar caras bem conhecidas da televisão, embora não necessariamente de programas noticiosos (Mourinho é o único que continua ligado a este campo, marcando ainda hoje presença nos Telejornais da TVI.)

Uma edição do Caderno de 1991, apresentada por um  jovem Pedro Mourinho,

À época da estreia do programa , no entanto, qualquer um destes hoje ilustres nomes era, tão-somente, um jovem em início de carreira, pouco mais velhos do que os espectadores a quem relatavam as notícias, podendo estar precisamente aqui um dos principais factores por trás do sucesso do programa; afinal, os jovens tendem a reagir positivamente a anfitriões próximos da sua idade, e que consigam ter uma abordagem naturalista e não forçada à tarefa de lhes captar o interesse – e era precisamente este o caso com os apresentadores do Caderno Diário.

O resultado foi um programa de tal maneira bem-sucedido entre a demografia-alvo que rapidamente foi ‘promovido’ das tardes da RTP 2 para as do canal principal, onde permaneceu, com algumas mudanças de formato à mistura, até inícios do século XXI – tendo, pelo caminho, inspirado iniciativas de conceito semelhante, como as ‘Nú-Ticias’, da SIC Radical. No entanto, apesar das semelhanças superficiais, nenhum destes programas tinha como foco notícias puras e duras, apenas direccionadas a um público mais novo; nesse campo, o Caderno Diário afirmou-se mesmo como principal referência - posto que, aliás, continua, até hoje, a ocupar. Assim sendo, e numa altura em que se vive mais uma época de regresso às aulas, nada melhor do que recordar este programa de nomenclatura inspirada no mais importante acessório de qualquer estudante…

 

27.09.21

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

E se na última edição desta rubrica falámos de um ‘one-hit wonder’ português de meados dos anos 90, com músicas voltadas ao humor e cantadas na nossa própria língua, hoje, falaremos de outro, substancialmente mais conhecido e menos ‘esquecido’, e cujo único sucesso continua, ainda hoje, a marcar presença em certos contextos, seja dentro do espectro das artes criativas, seja como banda sonora de um qualquer evento de ar livre; e porque se vivem precisamente, neste altura, os últimos resquícios da maravilhosa estação estival portuguesa, nada melhor do que deixarmos que essa mesma banda nos recorde das muitas razões para apreciar essa época do ano.

Como já devem ter percebido, estamos a falar d’A Fúria do Açúcar, grupo musical e humorístico imortalizado na consciência colectiva portuguesa pelo hino estival ‘Eu Gosto É do Verão’, mas que pouco mais sucesso conseguiu atingir, apesar de celebrar este ano as suas três décadas (!) de carreira.

Formada em 1991 por três personalidades do circuito humorístico – entre elas o líder João Melo, mais tarde apresentador de um programa televisivo também voltado a este espectro – A Fúria do Açúcar começou por ser um projecto de estética café-concerto, intercalando números musicais com ‘sketches’ humorísticos. Não demorou muito, no entanto, para que este paradigma se alterasse, com o grupo a decidir enveredar por um caminho estritamente musical, cujo primeiro fruto foi o álbum homónimo de estreia, lançado em 1996.

No entanto, seria apenas com o seu segundo registo, ‘O Maravilhoso Mundo do Acrílico, lançado no ano seguinte, que o grupo de João Melo verdadeiramente penetraria na consciência popular – especificamente, através do segundo single retirado do álbum, uma faixa de índole sardónica cuja letra focava a comercialização em torno da época de Verão, e da idealização de que a mesma é alvo por parte da maioria dos seres humanos. No fundo, uma daquelas faixas que apenas aparenta ser ‘parva’, tendo na verdade um significado escondido, à espera de quem o queira encontrar; o problema foi que, em 1997, quase ninguém quis.

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A capa do álbum de consagração do grupo

De facto, a maioria daqueles que cantarolavam alegremente esta música no carro, na escola ou até em casa certamente não terá dedicado muito tempo a esmiuçar o significado da letra, prestando mais atenção à voz pateta-de-propósito de Melo ou à instrumentação bem ao estilo surf-rock, que tornava a música numa ‘malha’ bem pegajosa. O resultado inevitável desta tendência foi a percepção daquilo que se pretendia que fosse uma denúncia social como precisamente aquilo que aparentava (ou fingia) ser – uma música tola e descartável para consumo imediato. Pior, essa é ainda hoje a principal forma como a canção é abordada, tendo a vertente de crítica social vindo a ser cada vez mais ignorada – algo que, certamente, não deixará de frustrar os músicos da banda.

Também certamente frustrante será o facto de – apesar de, como resultado do seu sucesso. se ter tornado banda residente do programa apresentado pelo vocalista – o projecto Fúria do Açúcar nunca ter conseguido replicar o sucesso daquele ‘single’ de 1997. Apesar de contar já com seis discos (um dos quais lançado após um hiato de quase exactamente dez anos), a banda de João Melo continua a ser conhecida e recordada por uma, e apenas uma, música. Música essa que – diga-se em abono da verdade – continua a ser tocada nos mais diversos e variados contextos, o que não deixa de ser um feito para uma faixa cómica lançada há quase um quarto de século; ainda assim, não será descabido pensar que Melo e Cª teriam certamente preferido que essa mesma faixa tivesse feito menos sucesso, se tal significasse que o resto do seu repertório se tornaria mais conhecido…

Seja como for, a verdade é que o ‘one hit’ destes ‘one-hit wonders’ se tornou bem mais icónico e duradouro do que a maioria das músicas deste tipo, sendo ainda hoje um hino nostálgico para toda uma faixa demográfica que viveu os seus melhores anos nas décadas entre 1980 e 2000; candidato ideal, portanto, para inclusão nesta secção do nosso blog…

26.09.21

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.

Sim, estamos finalmente de volta – e mesmo a tempo de termos um Domingo bem Divertido!

E porque, desde que esta rubrica foi inaugurada, temos mantido uma dinâmica de alternância entre assuntos ‘para rapazes’ e ‘para meninas’, hoje continuaremos a seguir essa lógica, e, depois de no último Domingo Divertido termos abordado os carrinhos, brinquedo favorito de muitos rapazes, falaremos hoje daquilo que se pode considerar o seu equivalente feminino – os brinquedos que imitavam acessórios de cozinha ou serviços de chá.

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Lá por casa, havia este.

Tal como não havia rapaz dos anos 90 que não tivesse um balde cheio de carrinhos, também não havia decerto menina que não tivesse umas panelinhas, ou chávenas de chá, ou acessórios para bebé, ou algo semelhante. Este tipo de brinquedo era inescapável, até porque muitas vezes era vendido em conjunção com os próprios brinquedos, à laia de complemento (e sim, os rapazes também tinham uma versão disto, no caso as armas que vinham com toda e qualquer figura de acção da época, e que inevitavelmente se perdiam 0.4 segundos depois de a mesma ser retirada do cartão.)

E tal como os carrinhos tinham versões mais e menos bem conseguidas, o mesmo se passava com estes acessórios em escala reduzida, indo os padrões de qualidade desde serviços de chá em porcelana verdadeira (o equivalente feminino a carrinhos com suspensões ‘a sério’) até pedaços de plástico unicolor vagamente em formato de pratos ou canecas, e desde algo que se podia atirar ou deixar cair sem partir até outros artigos que se danificavam apenas com uso corrente. Escusado será dizer que a preferência ia sempre para os brinquedos de qualidade mais elevada, ainda que os orçamentos de muitas crianças (e pais) apenas permitisse os de pequena e baixa gama…ainda assim, e tal como se passava com muitos outros brinquedos, quem tinha ‘do bom’ era muito invejado pelos seus pares.

Enfim, um tipo de brinquedo que, apesar de não haver muito que dizer sobre ele, não deixou (nem deixa) de povoar as infâncias das crianças do sexo feminino (ou que têm irmãs), tendo sem dúvida proporcionado a este mesmo grupo demográfico, tanto à época como nos dias que correm, muitos momentos de diversão pseudo-realista, semelhante à que os rapazes criavam com os seus carrinhos – e merecendo, por isso, estas breves linhas neste nosso blog nostálgico.

 

20.09.21

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

O início dos anos 90 viu chegar a Portugal a febre das séries de adolescentes norte-americanas, a qual teve tal impacto entre a demografia-alvo que levou, inclusivamente, a que um dos quatro canais portugueses tentasse produzir um equivalente ‘tuga’, do qual paulatinamente falaremos; e depois de na última Segunda de Séries termos abordado o principal expoente desta febre, chega hoje a vez de examinarmos uma das duas alternativas mais cómicas à suposta seriedade de 90210. Agarrem, portanto, nas vossas roupas e acessórios mais berrantes e espalhafatosamente ‘90s’, pois está na hora de viajar até ao liceu de Bayside, na Califórnia, onde…Já Tocou!

Sim, ‘Já Tocou’, mais conhecido hoje em dia pelo seu nome original, ‘Saved By The Bell’, e que se perfilava como a resposta em formato ‘sitcom’ à ‘soap opera’ de ‘Beverly Hills 90210’. Tal como naquela série, o foco principal eram as desventuras de um grupo de jovens – estes verdadeiramente adolescentes, e como tal bem mais realistas do que os ‘vintões’ ebonecados vide Beverly Hills – durante o seu dia-a-dia numa típica escola secundária americana. Entre namoricos e confrontos com o desafortunado director Mr. Belding, a pandilha liderada pelo ‘loirinho’ de farripas Zack Morris (Mark-Paul Gosselaar) lá ia resolvendo um problema por semana, não podendo também faltar os habituais episódios especiais sobre problemáticas tão 90s como o consumo de drogas - no caso, comprimidos de cafeína, naquele que é o episódio mais memético e recordado da série.

Um dos melhores momentos de comédia involuntária da história da televisão moderna...

Tal como em outras séries deste tipo, no entanto, os enredos eram o que menos interessava; o que fazia a série resultar (e resultava) eram os diálogos cheios de ‘one-liners’ e a química entre os personagens, com destaque para o impagável Screech, o ‘totó’ do grupo, interpretado pelo malogrado Dustin Diamond, à época ainda verdadeiramente adolescente (Diamond tinha apenas 11 anos quando a série estreou nos EUA, o que torna as suas prestações simultaneamente mais naturalistas e mais impressionantes que as dos seus coadjuvantes mais velhos.) Dos restantes, destaque para Mario Lopez, o musculado Slater, e para a paixoneta de todos os jovens da altura, Tiffani-Amber Thiessen – ou antes, Kelly Kapowski, o vértice feminino do habitual triângulo amoroso, aqui com os ‘frenemies’ Zack e Slater como pretendentes.

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Os protagonistas principais da série

No fundo, pois, uma típica série de comédia juvenil norte-americana, mas que resultava muito bem, e que conseguiu o seu público em Portugal (como, aliás, aconteceu também nos seus Estados Unidos natais) aquando da sua transmissão pela TVI, em 1993-94. O mesmo, infelizmente, não se pode dizer das sequelas, das quais apenas ‘Já Tocou…Na Faculdade’ passou em Portugal, tendo um impacto e sucesso consideravelmente menores relativamente ao original, talvez porque as premissas nas quais a série se baseava não resultassem tão bem fora do contexto do secundário, ou talvez porque o público tivesse simplesmente ‘partido para outra’…

Seja como for, no entanto, é inegável que ‘Já Tocou’ – o original – foi uma série marcante para muitos jovens portugueses da primeira metade dos anos 90 (entre eles este que vos escreve) que não tinham grande ‘pachorra’ para o dramalhão de ‘90210’, e só queriam dar umas gargalhadas antes do jantar - e só isso já é´suficiente para a fazer merecer um espaço nesta série de artigos sobre séries adolescentes do ‘nosso’ tempo.

19.09.21

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos desportivos da década.

Sim, estamos de volta do hiato forçado (obrigado, vida real…), e para comemorar o regresso dos posts (quase) diários, debruçamo-nos, mais uma vez, sobre o desporto de eleição em território nacional – e, em particular, ‘Aquelas’ Equipas que fizeram história nos anos 90. E numa altura em que ainda se vive o rescaldo de uma conquista-surpresa do campeonato por parte do Sporting (força, rapazes! Um a um, sempre a somar, rumo ao bi!) nada melhor do que recordar aquela que é, agora, a ante-penúltima vez que os ‘Leões’ de Lisboa conseguiram essa proeza.

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Os heróis da resistência.

Caía o pano sobre a década, o século e o milénio (todos os três acabariam daí a menos de seis meses) quando um Sporting treinado pelo italiano Giuseppe Materazzi iniciava os trabalhos de preparação para mais uma época – ou antes, aquilo que parecia ser ‘só mais’ uma época, mas que acabou por provar ser algo muito além da norma. Em primeiro lugar, porque Materazzi nem aqueceria o lugar, sendo ‘empandeirado’ pouco depois do inicio do campeonato, após uma pré-época desastrosa, amarrada às suas ideias demasiado conservadoras sobre como jogar futebol, e uma vergonha internacional ministrada pelo poderoso Viking Stavanger, ainda hoje de má memória para os adeptos verdes e brancos; em segundo lugar, porque o homem que o substituiria, Augusto Inácio, acabaria mesmo por conseguir o feito que há anos nenhum treinador do Sporting havia conseguido, ou voltaria a conseguir nas duas décadas seguintes- O primeiro treinador a ser campeão pelo Sporting desde o início dos anos 80, quebrando um jejum de quase duas décadas, não seria Mirko Jozic nem Lazlo Boloni, mas sim este homem, que soube potenciar aquilo que o italiano que o antecedera não conseguira, nomeadamente, a grande equipa de que o clube dispunha nessa época.

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Inácio em entrevista à TVI, dias depois de se sagrar campeão nacional

De facto, esta era a equipa que contava com ninguém menos do que Peter Schmeichel na baliza (uma contratação, à época, impensável para um clube como o Sporting, ainda mais a custo zero!) e, a partir de Janeiro, uma defesa composta por Rui Jorge, Beto, André Cruz e César Prates, meio-campo com Barbosa, Duscher e De Franceschi, e opções de ataque como Beto Acosta (ainda e sempre ‘o nosso matadooooorrrr’), Ayew, Mpenza ou o histórico do clube, Yordanov, qualquer deles garantia de muitos golos (só do ‘avôzinho’ argentino, foram vinte e dois.)

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Uma imagem que os adeptos leoninos se viriam a habituar a ver ao longo da época

Uma equipa nada menos que de luxo, e que se conseguiu impôr sobre um Benfica ainda ‘movido’ a JVP (embora não por muito mais tempo) e ao Porto em plena ‘era Jardel’, e arrebatar um triunfo ao mais puro estilo ‘underdog’, transitando assim para a nova década, século e milénio da melhor maneira – com um feito, a todos os níveis, histórico, e assente em excelente futebol executado por um conjunto de atletas esclarecidos e dedicados à 'causa’. Só faltou mesmo a Taça de Portugal (perdida na final) para a época ser perfeita a nível nacional – algo em que ninguém que tivesse visto ‘aquele’ jogo contra o Viking (ou os primeiros do campeonato propriamente dito) certamente acreditaria. Vantagens de ter um treinador ‘a sério’…

Melhor – os ‘Leões’ não se ficariam por aí, e, depois de perderem a chance de fazer o ‘bi’ para o Boavista (o equivalente português àquela Premiership ganha pelo Leicestar), viriam a conquistar novo título duas épocas depois, já em pleno século XXI. Esse, no entanto, já não é o nosso campeonato (literalmente), pelo que por agora, nos ficamos por recordar a primeira dessas duas vitórias históricas, e Aquela Equipa que a conseguiu…

 

13.09.21

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

‘Sou camionista, sou o maioooor…’ Se esta linha, retirada de uma das músicas mais populares de 1996, vos fez avivar a memória, vão com certeza gostar do post de hoje, em que abordamos a banda responsável pela sua criação e gravação – os Mercurioucromos.

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Formados em 1995 a partir da junção de duas outras bandas, o quinteto assumiu, desde logo, a sua vontade de fazer pop-rock com fortes laivos de comédia – não terá, decerto, sido à toa que o líder desta ‘pandilha’ musical, Carlos Carneiro, se viria mais tarde a afirmar como actor; os seus maneirismos, tanto vocais como de palco, faziam, aliás, lembrar um outro nome de referência do rock-comédia em Portugal: Manuel João Vieira, dos Ena Pá 2000.

A música dos ‘Cromos era, no entanto, algo mais voltada ao pop do que o rock ‘apunkalhado’ dos EP2000, como bem demonstra o seu grande hit, acima citado. No entanto, faixas como ‘Lobo Mau’ mostram que a banda também sabe ser mais agressiva e atmosférica quando necessário, demonstrando que os Mercurioucromos talvez fossem mais do que aparentavam. Fosse ou não esse o caso, a verdade é que a banda conseguiu mesmo ‘explodir’ logo com o primeiro álbum e respectivo ‘single’, que o ajudou a catapultar para vendas de 60 mil unidades, muito graças à rotação constante de que gozava nas rádios nacionais.

Infelizmente, tal como acontece com tantas outras bandas, tanto em Portugal como no estrangeiro, também o quinteto saído de ‘uma garagem lá para os lados de Benfica’ nunca conseguiu replicar o sucesso meteórico dessa estreia, figurando hoje como um dos grandes ‘one hit wonders’ da história da música moderna portuguesa. Chegaria ainda a haver um segundo álbum, lançado apenas um ano depois do ‘pico’ do sucesso, mas já demasiado tarde para evitar cair em ‘orelhas moucas’; sem nada tão forte como ‘Camionista Cantor’ para manter os ‘Cromos relevantes entre o seu público-alvo, o álbum teve vendas modestas, deixando para o CD-single exclusivo produzido para a revista Super Jovem a honra de ser o segundo lançamento mais conhecido da banda.

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A segunda coisa mais famosa que os Mercurioucromos lançaram...

Ainda assim, os Mercurioucromos tiveram o seu momento na História do pop-rock português, por muito fugaz que o mesmo tenha sido, e conquistaram o seu lugar na lista de bandas nostálgicas para uma determinada geração, que acompanhou e viveu o mesmo. Por isso, e por terem tido uma música que qualquer jovem em idade escolar sabia cantarolar naquele ano de 1996, o quinteto de Lisboa merece bem esta referência aqui nas páginas do Anos 90…

12.09.21

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.

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Este é daqueles posts que se podia ficar por uma imagem. Porque, a sério, basta mostrar algo como o retratado acima para a mente de uma criança dos anos 90 (principalmente do sexo masculine) imediatamente se encher de memórias de tardes passadas de volta dos seus ‘carrinhos’, a fazê-los correr e rodar por superfícies tão distintas como o sofá de casa (onde raramente rodavam) e o chão do quarto (onde provavelmente rolariam bem.)

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Quem nunca?

Fossem simples ou de fricção (o chamado ‘pull-back’), com ou sem suspensão realisticamente ‘saltitona’, feitos de ferro à prova de tudo ou de plástico mal-amanhado com rodas que mal rodavam, os carrinhos da Matchbox e suas marcas concorrentes marcaram, sem qualquer dúvida, época em Portugal, e poucos eram os rapazes que, à época, não tinham pelo menos um exemplar deste tipo de brinquedo no quarto – mesmo que fosse um daqueles bem ‘janosos’ saídos nas máquinas de bolinhas. Quem tivesse dos ‘bons’, com suspensão e tudo – ou, melhor ainda, uma garagem onde os colocar – podia considerar ter-lhe saído a ‘sorte grande’, pois uma configuração deste tipo era garantia de muitas e boas brincadeiras, quer sozinho, quer com amigos.

Enfim, a verdade é que, com perdão pelo post algo curto, pouco mais há a dizer sobre os carrinhos dos anos 90. Este tipo de brinquedo era tão simples e, ao mesmo tempo, tão omnipresente – podendo ser adquirido, individualmente ou em multipacks, em sítios tão variados quanto drogarias, lojas de brinquedos, barracas de feira, as supramencionadas máquinas de ‘bolinhas’, ou até como prémio do McDonald’s – que poucos serão os leitores deste blog que nunca tenham tido uma interacção directa com um, quanto mais não fosse por intermédio dos irmãos ou amigos. Palavras para quê? São carrinhos de brincar dos anos 90. Não é preciso dizer mais nada…

11.09.21

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos e acessórios de exterior disponíveis naquela década.

E neste que potencialmente será um dos últimos Sábados de verdadeiro calor de 2021, nada melhor do que recordar uma das melhores – ou piores, dependendo a quem perguntem – maneiras de se manter fresco quando as temperaturas subiam a pique nos anos 90: os balões de água.

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Esta imagem pode causar stress pós-traumático, dependendo de que lado de uma 'guerra' costumavam ficar...

Ainda que fazendo parte daquele lote de brinquedos e diversões que não têm, verdadeiramente, época, os balões de água têm vindo a tornar-se uma visão cada vez mais rara à medida que a sociedade avança para um paradigma cada vez mais seguro e averso a toda e qualquer fonte de dano físico ou psicológico às crianças (não que os balões de água magoassem, mas apanhar com um era sempre um pouco lesante, quanto mais não fosse por ficarmos todos molhados…)

Nos anos 90, no entanto, ainda não havia tanto essa preocupação, e como tal, os balões de água eram visão corrente, tanto no Verão, a serem usados em ‘guerras de água’ entre familiares, amigos, vizinhos ou colegas de escola, como (estranhamente) no Carnaval, altura em que eram frequentemente lançados das varandas de prédios citadinos – sem pré-aviso, claro, senão não tinha piada. E se levar com um balão de água quando o tempo a isso convida já não é ideal, apanhar com um em FEVEREIRO, e sem se estar à espera, era ainda muito pior! Apesar disso, ninguém nunca se queixou da existência destas pequenas bexigas, que decerto terão ajudado muitas crianças a melhorarem os reflexos e a motricidade, para se poderem desviar deles…

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Muito educativo, de facto... 

Hoje em dia, os balões de água ainda se encontram para venda em diversos tipos de lojas, tanto físicas como online (onde, estranhamente, aparecem rotulados como brinquedos educativos!) Ainda assim, como já foi dito mais acima neste post, a sua presença e popularidade entre a juventude já não é o que era, e é de duvidar que uma criança de hoje em dia se aproxime com extremo cuidado de um grupo de ‘rufias’ que avança na sua direcção, não vão estes estar ‘armados’ com uma panóplia de balões de água prontos a atirar… Relíquias de uma época que já não volta, mas que, felizmente, conseguimos pelo menos continuar a recordar nas páginas deste nosso blog…

11.09.21

NOTA: Este post corresponde a Sexta-feira, 10 de Setembro de 2021.

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

Embora os portugueses nascidos nos anos 70, 80 e 90 tenham experienciado um sem-número de filmes marcantes durante a sua infância e adolescência, poucos destes foram feitos dentro de portas. O cinema português tem, desde há muito, a reputação de ser ‘chato’ e algo pretensioso, características que nunca agradaram ao público mais jovem, pelo que não se afigura de todo surpreendente que o português médio que tenha vivido a infância durante aqueles anos não consiga nomear sequer um filme nacional que tenham visto durante esse período.

Mesmo entre aqueles que se lembram, a escolha será, por força, limitada – tirando aqueles filmes ‘importantes’ que éramos mais ou menos obrigados a ver, fosse na escola ou em casa, talvez o único título verdadeiramente memorável seja aquele de que se fala no post de hoje, até por ser explicitamente dirigido a um público juvenil.

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Trata-se de ‘Zona J’, um telefilme de 1998 produzido pela SIC, e que viria a arrecadar dois Globos de Ouro na cerimónia promovida pela estação de Carnaxide no ano seguinte - e, interesses à parte, pode dizer-se que esses prémios até foram bem merecidos. De facto, com o seu argumento socialmente engajado, centrado sobre um bairro problemático (no caso, a Zona homónima de Lisboa) e os adolescentes que nele procuram, bem ou mal, sobreviver, o filme afirma-se como um precursor português de ‘Cidade de Deus’, a mega-popular película de 2002 ambientada nas favelas brasileiras – ou, se preferirmos, como um sucessor do também popular ‘La Haine’, de 1995, que tratava da mesma temática, mas em relação aos bairros de banlieue franceses. Junte-se a essa temática de interesse directo para os jovens o facto de o filme ter passado na SIC – à época, talvez a mais popular das estações de televisão portuguesas – e não é de admirar que, se houver um filme de que os jovens portugueses da altura verdadeiramente se lembrem, seja este.

Mais – a longevidade do filme não se ficou por aquele período de sensivelmente um ano entre a estreia e a premiação nos Globos de Ouro; isto porque o mesmo seria incluído, já no século e milénio seguintes, na também icónica ‘Série Y’, a colecção de filmes mais ou menos ‘artsy’ lançada pelo jornal Público e que apresentou a muitos jovens filmes de culto, que de outra forma talvez não vissem. Um desses filmes foi, precisamente, ‘Zona J’, que voltou assim a ganhar exposição, salvando-se do esquecimento a que a maioria dos filmes portugueses, e particularmente os telefilmes, costumam ficar votados.

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Capa do lançamento em DVD do filme promovido pelo jornal 'Público'

Se merece ou não essa distinção, quase um quarto de século após o seu lançamento, fica ao critério de cada um – aliás, vejam o filme completo abaixo e tirem as vossas próprias conclusões. Independentemente das opiniões, no entanto, a verdade é que o filme de Leonel Vieira conseguiu conquistar o seu espaço no panteão do cinema português, e, por se tratar um produto nacional de inegável relevância e pertinência para os jovens portugueses daquele tempo, merece bem a chamada nas páginas deste blog…

 

 

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