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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

31.07.21

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos e acessórios de exterior disponíveis naquela década.

E num dia de vento intense, nada melhor do que recordar a atividade preferida de quem tinha à mão um espaço aberto – preferencialmente uma praia – e um adulto para supervisionar.

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Sim, apesar de nunca terem atingido os níveis de popularidade de que gozavam em países como o Brasil – onde são quase uma tradição sazonal – os papagaios de papel também tinham os seus fãs entre o público jovem em Portugal; o passatempo só não teria maior adesão entre esta faixa etária devido à dificuldade em encontrar papagaios à venda, e em especial, modelos economicamente acessíveis. Muito do pouco que existia era caro e de cariz quase ‘profissional’, longe das posses dos principais interessados, e muitas vezes, também das suas famílias. Havia, é claro, lojas que vendiam papagaios mais baratos, e declaradamente dirigidos a um público infanto-juvenil, mas os mesmos estavam longe de ser visão comum nos estabelecimentos normalmente frequentados por esta mesma demografia. O facto de também não haver, em Portugal, a tradição de construir o seu próprio papagaio – como existe no referido Brasil, por exemplo – também contribuía para tornar este tipo de actividade de exterior algo menos difundida do que poderia ter sido.

Talvez por isso, quem conseguia adquirir um papagaio e – mais importante – pô-lo a voar dava ainda mais valor à experiência de ver aquele bocado de plástico ou tecido colorido a esvoaçar lá em cima, na ponta de uma guita paciente e cuidadosamente desenrolada pelo próprio, ou pelo seu adulto responsável. Até mesmo o simples acto de ver outro ‘sortudo’ pôr o papagaio dele lá em cima era um momento verdadeiramente memorável – até por não ser frequente – e que nos fazia compreender porque é que esta actividade era tão popular em países onde o vento se faz sentir com mais frequência do que por estas paragens.

Hoje em dia, os papagaios continuam a não ser um passatempo especialmente popular no nosso país, ficando o seu protagonismo reservado, sobretudo, ao festival temático realizado em Alcochete. Ainda assim, quem teve oportunidade de o experimentar durante a infância, certamente saberá o quão especial o mesmo conseguia ser…

30.07.21

NOTA: Este post corresponde a Sexta-feira, 2 de Julho de 2021.

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

Corria o ano de 1999. A histeria sobre o chamado ‘Millennium Bug’ estava ao rubro, e toda a gente estava preparade para ficar sem computadores às doze badaladas da meia-noite do 1 de Janeiro seguinte (embora ninguém soubesse ao certo em que fuso horário é que a maldição se aplicaria.) 2021 era o future longínquo, e ninguém fazia ideia de como e quanto o Mundo estaria a ponto de mudar, no espaço de pouco mais de dois anos.

Era este o panorama, não só em Portugal como um pouco por toda a sociedade ocidental, quando um dos maiores filmes-evento daquela década – e da seguinte – chegava aos cinemas. Com estreia em Portugal na última Primavera do século XX, esta co-produção australiana e norte-americana trazia como cabeça de cartaz o enigmático Keanu Reeves, tão conhecido pelos seus dotes cómicos na duologia ‘Bill e Ted’, como pelo seu convincente desempenho como herói de acção em ‘Speed – Velocidade Terminal’ ou o seu trabalho com realizadores de enorme renome, como Francis Ford Coppolla ou Bernardo Bertolucci. Neste novo filme, que se inseria no campo da ficção científica, era-lhe pedido que encarnasse uma variação do habitual ‘Escolhido’ – um programador informático que descobre que o Mundo em que vive é uma ilusão, que a verdadeira realidade se encontra ameaçada, e que só ele a pode salvar…

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Falamos, é claro, de ‘Matrix’, um filme revolucionário à época e que, desde então, se instalou confortavelmente no seio da cultura ‘pop’ contemporânea; tanto assim que os seus momentos mais marcantes e memoráveis – o contorcionismo em câmara lenta, a câmara rotativa com ‘freeze frame’ incluído, as pílulas vermelha e azul, a exclamação ‘Whoa’ – informaram desde referências em filmes de comédia como ‘Shrek’, até técnicas de filmagem em filmes mais do que sérios, como ‘O Tigre e o Dragão’, e mesmo nomes de comunicades cibernéticas de ideologia duvidosa, como The Red Pill. Por meio a toda esta influência e omnipresença, no entanto, há um factor que tende a ser esquecido: Matrix era, na verdade, um excelente filme, que merece em pleno a notabilidade que obteve.

A cena original de câmara lenta de 'Matrix', e as muitas homenagens que inspirou

De facto, antes de as sequelas e outras adendas à mitologia da série a estragarem completamente, 'Matrix' era uma das propriedades intelectuais mais entusiasmantes daquele final de século. Toda a gente tinha visto, toda a gente comentava, e toda a gente aguardava com impaciência as anunciadas sequelas, que trariam o Anderson de Reeves já plenamente integrado na sua nova identidade como Neo, salvador da sociedade distópica em que agora reside. Como infelizmente se viria a constatar, tal entusiasmo era infundado; à altura da estreia do ‘Matrix’ original, no entanto, ninguém o poderia adivinhar, sendo a qualidade do primeiro filme mais do que justificativa do ‘hype’ que se gerara - e do qual Portugal não ficava, de todo, isento.

Efectivamente, quem era da idade certa para ter interesse neste blog certamente se lembrará da excitação causada pelo anúncio de ‘Matrix’, e da reacção entusiástica ao filme propriamente dito. Na era pré-‘Ameaça Fantasma’, ‘Senhor dos Anéis’ e ‘Harry Potter’, e dez anos antes da formação oficial do ‘Universo Cinematográfico Marvel’, ‘Matrix’ era o maior evento cinematográfico entre a juventude desde ‘A Máscara’, senão mesmo ‘Parque Jurássico’. E o melhor era que, conforme indicado, esse estatuto era mais que merecido. De facto, recomenda-se que quem não tenha visto o filme desde essa altura experimente revisitá-lo; certamente não deixará de se surpreender com o quão bem o mesmo envelheceu nas mais de duas décadas desde a estreia. De facto, a surpresa pode ser tal que vos leve mesmo a exclamar...

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29.07.21

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

Puxa um Push Pop

Puxa-lhe o gusto

Fecha um Push-Pop

E guarda o restooo!

Chupa-chupas com ‘caixinha’, que permitia guardá-los para ‘segundas núpcias’ – uma oportunidade de mercado tão útil, lógica e rentável que o mais surpreendente é ter levado até 1996 até alguém se lembrar de a tornar realidade. E escusado será dizer que, quando isso aconteceu, o sucesso foi imediato, e considerável.

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Sim, chegou hoje a vez de falarmos do Push-Pop, um dos quatro chupa-chupas que toda a criança dos anos 90 recorda com nostalgia (sendo os outros os chupas de apito, os chupas azedos e, claro, os ‘oficiais’ da Chupa Chups) e o único que se podia levar no bolso para a sala de aula sem ficar com as calças todas pegajosas e o chupa feito em geleia.

Isto porque, como já explicámos acima, os Push Pop tinham uma mecânica tão simples quanto genial, a qual se reflectia no próprio nome; em vez de virem no tradicional ‘pauzinho’, estes doces eram apresentados num tubo ao estilo batom de cieiro, e com um modo de funcionamento semelhante – para comer o chupa, rodava-se o tubo, e quando se queria parar, bastava rodar no sentido contrário, pôr a tampinha, e ele era novamente empurrado para baixo, onde ficava a aguardar a próxima ocasião. Um modo de funcionamento aparentemente básico, mas que abria inúmeras possibilidades para o público-alvo, que se via subitamente cara-a-cara com uma solução para o problema dos chupas engolidos à pressa porque estava na hora de entrar na aula, ou no treino de karaté, ou de jantar; agora, qualquer que fosse a situação, bastava fazer como indicava o anúncio, fechar o Push Pop, e guardar o resto. E a verdade é que, a maioria das vezes, era mesmo preciso fazer uso desta funcionalidade, porque estes chupas tinham muito que comer!

É claro que, por muito bem que funcionasse, este mecanismo não era perfeito; dependendo do ‘tratamento’ que se tivesse dado ao chupa, era possível que este se colasse um pouco à tampa, deteriorando a sua própria qualidade; no entanto, este era um risco que a maioria das crianças não se importava de correr, só para poder usufruir da magnífica funcionalidade concebida pelos criadores deste doce (um daqueles conceitos a que hoje em dia se chamaria ‘disruptivo’).

E para quem está, neste momento, a ter acessos de nostalgia ao lembrar este mítico chupa-chupa da sua infância, resta ressalvar que o Push Pop ainda hoje é fabricado vendido – embora não seja bem certo onde se podem encontrar estes nostálgicos doces. Será, talvez, um típico caso de ‘Google to the rescue’… Entretanto, vale bem a pena recordar aquela que foi uma das guloseimas mais marcantes para a geração que nasceu ou cresceu na segunda metade dos anos 90.

 

28.07.21

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

Quem, nos anos 90, se dirigia à banca mais próxima em busca de revistas Disney, da Turma da Mônica ou de super-heróis, certamente repararia numa outra revista algo ‘esquecida’ a um canto, mais pequena do que as outras, e que, com o seu algo ultrapassado tema ‘western’ (ou, como se dizia na altura, ‘de cowboys’) e estilo de desenhos algo mais classico, parecia algo deslocada entre as suas congéneres mais modernas, quase como se tivesse sido ‘teleportada’ para ali de uma era completamente diferente.

E a verdade é que esta primeira impressão não andava longe da verdade; a revista em causa era mesmo ‘importada’ de outra era – especificamente, do final dos anos 40 – tendo-se o seu estilo mantido praticamente imutável no meio século subsequente. Sim, em plenos anos 90, estava disponível em Portugal uma revista que não só havia sido publicada ininterruptamente durante mais de quarenta anos, mas que havia conseguido sobreviver todo esse tempo sem ter mudado sequer um elemento da sua fórmula original. E a melhor parte? A dita revista continua a ser publicada até aos dias de hoje, perfazendo quase setenta e cinco anos de publicação ininterrupta – e sempre mantendo o espírito original dos anos 40!

download.jpgO número 1 de Tex

A referida série é, claro, Tex, aquela criação italiana importada do Brasil que ninguém lia, mas todos conheciam, e que aparentemente era popular o suficiente para continuar a ser encomendada por bancas e tabacarias um pouco por todo o nosso país – bem como para justificar uma tentativa de edição em língua portuguesa, já nos anos 90.

E, no entanto, a maioria das crianças daquele tempo terá, certamente, dificuldade em perceber um fenómeno como este, apenas comparável em longevidade ao lendário Archie norte-americano; isto porque [i]Tex[/i], com o seu clima ‘western spaghetti’, passava completamente ao lado das áreas de interesse da demografia que lia ‘quadradinhos’ nos anos 90. De facto, em comum com os personagens infantis mais populares da época, Tex Willer só tinha mesmo o facto de usar sempre a mesma roupa – no caso, um chapéu castanho, camisa amarela e clássicos jeans azuis-escuros.

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Um exemplar da revista já dos anos 90

Sendo esse o caso, no entanto, a quem devia o ‘cowboy’ aos quadradinhos o seu considerável sucesso? A resposta, algo inesperada, passava pelo público mais velho. De facto, enquanto que na escola era raro encontrar quem lesse, de quando em vez, lá se via um leitor mais adulto a comprar um número na tabacaria da esquina…

Mesmo com esta ressalva, é difícil imaginar a razão exacta para Tex ter sido importado durante tanto tempo, e mesmo publicado em português ‘de Portugal’; presença perene nas bancas portuguesas, para a maioria das crianças, a revista era, no entanto, não mais do que um pano de fundo para as publicações que verdadeiramente lhes interessavam. Ainda assim, haveria certamente quem lesse; afinal, nenhuma revista se consegue manter nas bancas durante mais de três quartos de século se não tiver quem a compre…

27.07.21

A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.

A passagem do ensino primário para o preparatório – ali por volta dos 10 anos – acarretava consigo uma série de mudanças, nomeadamente a nível das vivências. De repente, a escola tornava-se muito maior, as disciplinas subdividiam-se em blocos, e era preciso comprar oito ou nove livros em vez de um ou dois – isto já para não falar do restante material de apoio, que de repente também se desmultiplicava em dezenas de ‘quinquilharias’ que ocupavam espaço no estojo e na mochila.

Nos anos 90, em Portugal, uma das mais comuns – e também mais indispensáveis – de entre essas ‘quinquilharias’ era a boa da calculadora.

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Um dos modelos mais comuns nas escolas portuguesas, neste caso da Casio.

Com a Matemática a complicar-se significativamente relativamente ao que se aprendia na primária, com cada vez mais letras e fórmulas a encherem as folhas quadriculadas, aquela pequena ‘caixinha’ preta que resolvia tudo ao premir de um botão tornava-se, no que à sala de aula diz respeito, na melhor amiga do aluno preparatório ou secundário.

Esta honra não cabia, no entanto, a qualquer calculadora vulgar; pelo contrário, as pequenas e básicas eram vistas como aquilo que eram – meros instrumentos utilitários, e mesmo assim, apenas num espectro limitado. Não, as verdadeiras ‘estrelas da companhia’ eram aquelas calculadoras – invariavelmente da Texas Instruments ou da Casio – que faziam tudo menos cantar e dançar (incluindo, segundo um popular mito urbano do recreio, jogar Super Mario.) Ele era desenhar gráficos, calcular equações e fórmulas hiper-complexas…enfim, um sem-número de funções capazes de causar fascínio, mesmo tendo a ver com algo tão mal-amado pela criança média como a Matemática. Isto porque, à época, ainda não era costume ver ‘gadgets’ que ‘fizessem tudo’ como estas calculadoras faziam – hoje em dia, essa pluralidade de funções num só aparelho eletrónico não mereceria um segundo olhar, mas nos anos 90, era suficiente para deixar a maioria dos ‘putos’ de boca aberta.

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Uma visão que fazia cair o queixo a muita criança dos anos 90.

Mas o ‘charme’ (e a utilidade) destas calculadoras não se ficava por aí; com as suas características ‘tampinhas’, eram também óptimas para cabular - quem se atrevesse, claro - e o formato dos números também era ideal para algumas brincadeiras (como a de multiplicar 1919 por dois e virar a calculadora ao contrário, formando a palavra ‘bébé’ devido ao formato quadradão dos algarismos 8, que os fazia parecerem letras B.) Enfim, um sem-fim de ‘rodriguinhos’ e detalhes que tornavam aquilo que seria um instrumento mundano e utilitário numa pequena caixinha de surpresas – uma tão marcante que é, ainda hoje, recordada por boa parte dos ‘miúdos’ daquele tempo que tiveram o privilégio de as utilizar…

26.07.21

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

Quantas mascotes de eventos desportivos conhecem que tenham a sua propria série animada, com personagens criados propositadamente e até um antagonista? Caso tenham sido crianças, em Portugal, no Verão de 1992, é provável que a resposta seja ‘pelo menos uma’.

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Isto porque Cobi, a simpática mascote de Barcelona 92 que era uma representação minimalista de uma raça de cão local, teve uma breve mas bastante honrosa passagem pelas ondas de UHF, na forma de ‘The Cobi Troupe’, uma série de 26 episódios que via o personagem e um grupo de amigos embarcar em aventuras e estragar os típicos planos malévolos do vilão, o Dr. Normal. Uma premissa algo rebuscada para uma mascote olímpica – seria talvez mais de esperar algo ao estilo Sport Billy – mas que funcionou bastante bem no contexto de curta duração da série.

Em termos técnicos, ‘The Cobi Troupe’ era bastante bem conseguido; a animação era fluida, os personagens tinham um estilo próprio – típico do seu criador, Mariscal – e as histórias, apesar de não serem particularmente originais ou memoráveis, eram divertidas o suficiente para passar o tempo. Isto, claro, sem esquecer o genérico, que era daqueles que ‘cola’ no cérebro durante literalmente décadas, e que provavelmente se irão encontrar a trautear, um belo dia, vinte anos depois de terem visto a série pela última vez…

Em suma, para série declaradamente ‘cash-in’ de um evento específico, com um contexto específico, e que não tinha qualquer hipótese de perdurar para lá do fim do mesmo, ‘The Cobi Troupe’ é melhor do que tinha qualquer direito de ser, e muito melhor do que teria precisado de ser. E embora a sua passagem pela TV portuguesa (na RTP, no ano da olimpíada, em versão original) não tinha sido particularmente memorável (à parte o genérico) em Espanha, a animação deu origem a uma mini-série de revistas aos quadradinhos, com seis números, e até a um CD de músicas alusivas a Cobi e aos Jogos Olímpicos!! (Com sorte, tinha a música do genérico da série, que era mesmo muito boa…) Enfim, nada mau para um membro de um grupo de personagens que muito raramente é lembrada durante os eventos que representam, quanto mais depois deles…

Desculpas antecipadas pela má qualidade de imagem...

25.07.21

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos desportivos da década.

E numa altura em que tem início mais uma edição dos Jogos Olímpicos – embora, tal como o Europeu de Futebol, com um ano de atraso – nada melhor do que recordar um outro evento deste tipo, sobre o qual se celebram agora exactos 25 anos, e que celebrava ele próprio o centenário dos Jogos Olímpicos como hoje os conhecemos.

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Essa prova – a de 1996, realizada em Atlanta, no estado da Geórgia, EUA - não foi especialmente memorável para o publico jovem – especialmente se comparada à de quatro anos antes, realizada em Espanha, cuja mascote teve até direito a uma série animada propria (o que, convenhamos, não é comum para um representante de um evento não especificamente dirigido a crianças.) Para o público jovem português, no entanto, talvez a situação tenha sido um pouco diferente, já que uma das atletas representantes do nosso país conseguiria ganhar a medalha máxima na sua modalidade, afirmando-se como a digna sucessora de uma outra olimpiana, do mesmo desporto, cuja carreira atingia o ocaso.

Falamos, claro, de Fernanda Ribeiro, a segunda maior velocista portuguesa, logo a seguir à mulher de quem recebeu o testemunho – Rosa Mota, claro. Em Atlanta, Fernanda foi porta-bandeira por Portugal na abertura, e não defraudou as expectativas nela colocadas, regressando dos EUA com a medalha de ouro nos 10.000 metros femininos; já Carla Sacramento, a outra esperança no campo do atletismo, foi porta-bandeira no encerramento, mas não conseguiu qualquer meta assinalável na competição em si.

A prova em que Fernanda participava, e que viria a vencer, teve transmissão em directo na RTP

Infelizmente, como Sacramento, a restante comitiva não teve, nem de perto nem de longe, um desempenho tão honroso. Dos 107 atletas, além de Fernanda, apenas o duo da vela masculina saiu de Atlanta medalhado – no caso, o Bronze na classe 470. Dois outros atletas, Luís Cunha e António Abrantes, conseguiram bons tempos nos 100 e 800m, respectivamente, mas os mesmos não foram suficientes para progredir e atingir o pódio.

No restante, umas Olimpíadas desapontantes para o comité português, em transição entre a fase Rosa Mota e Carlos Lopes e o futuro com Patrícia Mamona, Telma Rodrigues e Obikwelu. A Selecção de futebol somava resultados como 5-0 (contra…) e a maioria dos miúdos estaria certamente mais interessada na prova de basquetebol, onde uma equipa americana movida a Michael Jordan, Magic Johnson e outros que tais davam (previsivelmente) cartas, chegando com facilidade à medalha de ouro. Ainda assim, vale a pena assinalar o aniversário de quarto de século da prova – e esperar que a comitiva portuguesa (desfalcada pela primeira vez de Rosa Mota como acompanhante de honra, devido ao COVID-19, faça uma prova um pouco melhor do que então…

 

24.07.21

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais.

A cultura também pode ser divertida. Parece um chavão daqueles que ouvíamos quando andávamos na escola, que tentavam convencer os mais renitentes a gostar de aprender, mas o facto é que – como qualquer criança que tenha tido a experiência certa na altura certa saberá – nem por isso deixa de ser verdade.

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Um exemplo perfeito da validade desta máxima são os museus. Normalmente mais conotados com visitas de estudo com a escola do que com Saídas ao Sábado, a verdade é que muitos deles eram sítios perfeitamente válidos, e até interessantes, de visitar quando se era criança. Se é verdade que muitos correspondiam ao chavão de serem sítios ‘chatos’, cheios de antiguidades bafientas, outros havia que conseguiam fazer brilhar os olhos de uma criança que neles entrasse.

Em suma, para cada museu desinteressante e ‘secante’ de visitar, havia outro que oferecia experiências interativas, ou simplesmente um tópico capaz de agradar ao público-alvo; em Lisboa, por exemplo, existiam locais como o Museu da Marinha (com os seus barcos em tamanho real e o Planetário mesmo ali ao lado), o Museu da Criança, o Museu do Brinquedo (cheio de brinquedos antigos e outros artefactos de interesse para o público infantil) e o Museu de História Natural, onde de tempos a tempos se podiam ver dinossauros, e no restante, outros animais e plantas – todos eles sítios onde até o mais distraído dos ‘putos’ dos anos 90 não se importaria de passar uma tarde. Apesar de – pelo menos à época – nenhum deles oferecer uma experiência significativamente diferente de qualquer outro espaço do seu tipo, a verdade é que os temas que abordavam abrangiam o interesse de uma grande parte da população jovem, conseguindo assim criar antecipação e excitação em cada visita – precisamente aquilo que os museus mais convencionais e rígidos procuravam, sem no entanto o conseguirem.

Hoje em dia é, claro, bem mais fácil manter a miudagem entretida durante uma visita ao museu; o avanço da tecnologia permitiu a muitos espaços deste tipo equiparem-se com ecrãs de vídeo e instalações interativas, que permitem às crianças ‘ver’ da sua maneira favorita – mexendo. Esta tendência não dá, felizmente, sinais de abrandar – antes pelo contrário – pelo que se espera que as gerações vindouras sejam bem menos resistentes a ‘gastar’ um dia de fim-de-semana numa visita a um destes espaços do que a nossa foi; por enquanto, no entanto, vale recordar esta que também conseguia, apesar de tudo, ser uma Saída ao Sábado bem divertida, no contexto certo…

24.07.21

NOTA: Este post corresponde a Sexta-feira, 24 de Julho de 2021.

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

E se já aqui falámos das camisolas de futebol – uma ‘moda’ que apenas se popularizou na década seguinte – hoje chega a altura de falar de outro popular acessório que transcendeu o mundo do desporto e virou parte da ‘moda jovem’ de finais dos anos 90 e inícios da década seguinte: os pólos de ‘rugby’.

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O fantástico pólo da grande potência mediática do râguebi da altura, os All-Blacks neo-zelandeses

Talvez nem todos os leitores deste blog se lembrem, mas houve uma altura da História das nossas juventudes em que o râguebi estava ‘na moda’ entre os adolescentes, sendo frequente ver no recreio da escola pessoas com bolas ovais e pólos alusivos às mais populares selecções da altura, nomeadamente a Inglaterra, França, África do Sul e Nova Zelândia. Previsivelmente, foi precisamente nessa altura que este tipo de artigo de vestuário extravasou o seu nicho nas prateleiras das boas lojas de desporto e invadiu também os centros comerciais e cadeias de ‘superstores’ desportivas, onde a maioria dos jovens da altura teria maiores probabilidades de os encontrar.

Curiosamente, enquanto expansões deste tipo costumam fazer decrescer significativamente o preço (e a qualidade) deste tipo de artigos, com os pólos de râguebi, não foi esse o caso; os artigos que se encontravam em lojas ‘franchisadas’ eram exactamente os mesmos que estavam disponíveis na loja especializada. Não havia pólos de imitação, nem ‘mais ou menos’ iguais, nem de marca branca; o que se encontrava era sempre oficial, e sempre vendido aos mesmos preços proibitivos para a maioria das carteiras juvenis da época )não é à toa que os pólos de râguebi são normalmente associados aos ‘betos’…) Assim, quem tinha um era normalmente muito invejado, não obstante o facto de estas peças serem réplicas fiéis das que os próprios atletas vestiam, fazendo poucas ou nenhumas concessões a quaisquer modas vigentes.

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Os 'Springboks' sul-africanos disputavam com a selecção inglesa um lugar nos corações dos jovens fãs do desporto.

Tal como aconteceu com as camisolas de futebol, no entanto, a época áurea dos pólos de râguebi viria a dar-se nos primeiros anos do novo milénio, em que a moda – e o desporto – verdadeiramente ganharam tracção entre os jovens em idade escolar, sobretudo do ensino secundário; ainda assim, e por este movimento ter tido a sua génese nos anos 90, vale bem a pena dedicar-lhe algumas linhas nesta nossa secção dedicada à moda.

22.07.21

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.

E se para inaugurar esta secção escolhemos uma revista que caiu um pouco na obscuridade desde que ‘saiu de cena’, com o tema seleccionado para hoje, essa questão não se coloca. Isto porque, hoje, é altura de falarmos das duas ‘grandes’ revistas para jovens disponíveis em Portugal nos anos 90, aquelas de que quase toda a gente se recorda – e das quais, ironicamente, nenhuma era, inicialmente, publicada em Portugal.

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Falamos, é claro, da ‘Bravo’ e da ‘Super Pop’, duas publicações distintas, de editoras diferentes, mas que tendem a ser mencionadas em conjunto, pelo seu cariz extremamente semelhante; este blog não vai fugir à regra nesse respeito, até porque não há assim tanto a dizer de qualquer das duas a nível individual. Os conceitos das duas eram semelhantes ao ponto de se confundirem – focando precisamente o mesmo público-alvo, com precisamente a mesma estratégia – e a única grande diferença (além de, na primeira fase, a origem) era mesmo o título na parte superior da capa.

Na verdade, ambas as revistas apostavam no formato ‘revista cor-de-rosa’, ao estilo de uma ‘Caras’, ‘Hola’ ou mesmo ‘TV7Dias’, mas adaptado a um público jovem. Isto traduzia-se, essencialmente, em ainda menos texto do que nas revistas deste tipo ‘para adultos’, e ainda mais espaço dado a imagens de ‘pop stars’, atores e desportistas, a grande maioria dos quais do sexo masculino. De facto, cada uma das duas revistas era cerca de 80% composta por imagens – o que ajuda a explicar como é que duas publicações estrangeiras, escritas em línguas que o adolescente médio pouco ou nada conhecia (o espanhol da Super Pop ainda era mais ou menos decifrável para um jovem com o português como língua materna, mas no caso do alemão da Bravo, esta percentagem diminuía significativamente) conseguiram ser sucessos de vendas a nível nacional.

De facto, para as raparigas adolescentes a quem ambas as revistas eram dirigidas, não interessava tanto o que estava ou deixava de estar escrito – aliás, quanto menos se tivesse de ler, mais tempo sobrava para admirar apaixonadamente os ‘posters’ de rapazes atraentes (os ‘bonzões’, como eram conhecidos na altura) que constituíam a verdadeira razão do investimento nestas publicações. É claro que as revistas tinham outros atrativos – como os brindes – mas nem a mais cândida das leitoras de qualquer uma delas dará qualquer motivo que não os ‘posters’ e as fotos como principal incentivo para a compra.

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O principal motivo para adquirir estas revistas

É claro que, com todo este sucesso – o qual foi transversal não só aos anos 90, como também á anterior e ás seguintes – não tardou até as editoras portuguesas investirem em edições nacionais destas revistas; assim, foi sem surpresa que as jovens portuguesas viram surgir, em finais da década de 90, exemplares das suas publicações favoritas escritas em português – o que significava que, além de admirar os ‘bonzões’, agora era também possível ler as curiosidades sobre eles que inevitavelmente perfaziam a maioria do conteúdo escrito de ambas. Apenas mais uma razão para dar os 200 escudos necessários para trazer uma destas revistas para casa ali por volta do fim do segundo milénio…

O que ninguém imaginava era que o ciclo de vida deste tipo de revistas estivesse com os dias contados: de facto, o advento e expansão da Internet tornou possível, no espaço de apenas alguns anos, admirar ‘bonzões’ na Internet de graça, e imprimir fotos para pendurar na parede à laia de ‘posters’ tornando revistas como estas progressivamente mais obsoletas. Ainda assim, é impressionante constatar que a Bravo portuguesa conseguiu resistir até 2017 (!!), em plena era do Instagram, e que pode até estar de volta às bancas nos tempos que correm (!!!).

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Um exemplar bem contemporâneo da revista 'Bravo'

Só isto chega para ilustrar o poder que estas publicações tinham – e, aparentemente, continuam a ter – junto do seu publico-alvo; o que, no fundo, até é explicável – afinal, admirar pessoas famosas e bonitas enquanto se lêem ‘fofocas’ sobre elas é um passatempo que nunca passa de moda, especialmente entre os jovens, não importa em que época da História estejamos…

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