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Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

Portugal Anos 90

Uma viagem nostálgica pelo universo infanto-juvenil português dos anos 90, em todas as suas vertentes.

31.03.21

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

E se no primeiro post desta série falámos de revistas de super-heróis, nada mais justo do que, neste segundo capítulo, falarmos de uma das principais alternativas disponíveis nas bancas para quem não gostava desse tipo de banda desenhada.

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Referimo-nos, especificamente, às revistas Disney, publicações quase sinónimas com os ‘quadradinhos’ em Portugal, contando-se entre as mais antigas do género disponíveis no nosso país. Importados pela primeira vez do Brasil no início dos anos 50, títulos como Mickey e Pato Donald continuam a ser editados, de uma forma ou de outra, até aos dias de hoje, celebrando já uns espantosos setenta anos nas bancas portuguesas – mesmo contando com o interregno de sete anos entre 2006 e 2013. Uma marca honrosa, e que nem mesmo a Marvel ou a Turma da Mônica – as outras séries de quadradinhos ‘perenes’ entre a miudagem portuguesa - conseguiram ainda alcançar.

No entanto, e apesar da sua rápida implementação e boa aceitação entre os leitores nacionais, demoraria ainda algumas décadas até que uma editora portuguesa arriscasse edições cem por cento nacionais das revistas Disney. A pioneira, tal como havia acontecido com a Marvel e a DC, foi a Abril Jovem. mais tarde Abril Controljornal, que, em 1980 – numa altura em que celebravam os 30 anos da introdução das BDs Disney no mercado nacional – lançou quatro títulos inteiramente adaptados ao português ‘de Portugal’. Mickey, Pateta, Pato Donald e Tio Patinhas passaram assim a ter revistas produzidas e editadas pelo ramo luso da editora, as quais eram facilmente identificáveis graças às duas tiras com as cores da bandeira nacional presentes no canto superior esquerdo da capa.

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Exemplar nacional da revista Pato Donald publicado nos anos 90, com as duas tiras identificativas no canto superior esquerdo.

Durante a década seguinte foi esse o paradigma – quatro revistas (mais os respetivos Almanaques) totalmente em português europeu, que confraternizavam nas bancas com outras suas congéneres ainda importadas do Brasil, como Zé Carioca e Urtigão (cujos personagens, por vezes, faziam a transição para histórias incluídas nas revistas portuguesas, com o resultado, algo estranho, de vermos um estereótipo brasileiro como Zé Carioca, ou o ‘caipira’ Urtigão, usarem calão nortenho ou saloio, em vez do seu brasileiro natal!) Mais tarde, esta seleção seria aumentada com a localização para o ‘nosso’ português de almanaques temáticos, como o Almanaque Disney, Disney Aventura ou Disney Especial, e de certos títulos mais ‘chiques’ (e caros) como o Disney Especialíssimo, o Hiper Disney ou o ainda mais especial Hiper Hiper Disney, de capa dura, encadernada e com 'manga' exterior plastificada, que continha dois números do Hiper Disney num só volume, e era daqueles que se compravam uma ou duas vezes por ano e se faziam ‘render’…

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Duas das muitas publicações temáticas ou especiais da Disney editadas em Portugal durante os anos 90

Foram estas publicações, muitas com um português ainda meio ‘abrasileirado’ e outras com traduções algo bizarras e forçadas para expressões idiomáticas, que as crianças portuguesas da década de 90 se habituaram a ver nas bancas uma vez por mês, e a levar para casa para ler. De ressalvar que algumas destas histórias saíam, também, em suplementos de jornais como o Correio da Manhã ou o Expresso, ou até revistas como a TV Guia, constituindo uma grata surpresa para qualquer criança que se deparasse com elas ao folhear o jornal diário ou a revista de ‘fofocas’ lá de casa. Existem mesmo registos de histórias da Disney aparecerem, na íntegra, em manuais escolares do ensino primário, um facto que diz muito sobre a importância e a influência destas revistas no imaginário popular daqueles anos 90.

Infelizmente, esta é uma história que – pelo menos para a geração de leitores deste blog – não tem um final feliz. Isto porque, a partir de meados da década a que este blog diz respeito, as revistas Disney disponíveis em Portugal sofreram um novo ‘revamp’, com os icónicos grafismos a serem alterados e alguns títulos a regressarem ao número 1. O que não teria nada de mal, não fosse o facto de o material incluído nestes novos volumes – que se mantiveram nas bancas por mais uma década após o seu lançamento – ser retirado, quase exclusivamente, das horríveis produções italianas, cujos desenhos eram excelentes, mas os argumentos deixavam muito a desejar. As histórias italianas e francesas eram, além disso, muito maiores, pelo que apesar do aumento do número de páginas, muitas destas revistas passaram a apresentar apenas uma história por número.

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Exemplar da revista Pato Donald com o grafismo de capa mais moderno.

Escusado será dizer que, após esta mudança, as revistas Disney sofreram um decréscimo de vendas, embora se mantivessem muito populares entre o segmento mais jovem do público-alvo. Ainda assim, o novo milénio revelar-se-ia conturbado para as BDs Disney em Portugal, por contraste com a estabilidade de que as mesmas tinham gozado nas duas últimas décadas do século XX.

Isso, no entanto, já fica fora do âmbito do nosso blog – pelo que, como sempre, nos resta passar-vos a palavra. Liam as revistas Disney? Qual era a vossa favorita? Deste lado, havia clara predileção pelas edições brasileiras, com especial destaque para Urtigão e Zé Carioca; já as portuguesas, nunca chamaram tanto a atenção… E vocês? Qual a vossa experiência? Partilhem nos comentários!

30.03.21

A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.

E se para inaugurar esta rubrica escolhemos a lendária Mega Drive, principal sucesso de vendas da Sega durante a década de 90, nada mais justo do que apresentar, nesta segunda edição, o líder de vendas da rival Nintendo – o não menos lendário Game Boy.

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Lançado em 1989 pela Nintendo, e chegando a Portugal alguns anos depois, em inícios da década de 90, o principal argumento do Game Boy para se estabelecer no mercado dos videojogos – então a atravessar uma segunda fase de crescimento, após a quebra de 1983 – era precisamente a sua portabilidade, que supria algumas (bastantes) deficiências técnicas do equipamento em relação à concorrência. Até então, o conceito de ‘jogo eletrónico portátil’ resumia-se, basicamente, aos jogos LCD da Tiger Electronics, e aos famosos ‘Brick Games’, aquelas maquinetas que redefiniam o que se podia criar com uns quantos pixels em forma de quadrado (e das quais falaremos paulatinamente nesta mesma rubrica); assim, não é de todo de estranhar que a possibilidade de desfrutar de um videojogo ‘a sério’ em qualquer lugar e a qualquer momento – sem ter de estar preso a uma televisão, um comando e a respetiva infinidade de cabos – tenha cativado os fãs de videojogos a ponto de os incitar a tornar uma máquina de 8 bits com ecrã monocromático num sucesso de vendas, em plena era dos 16 bits e dos gráficos fluidos e hiper-coloridos.

De facto, o Game Boy foi, durante quase toda a sua década de existência, rei e senhor do mercado de consolas portáteis um pouco por todo o Mundo. E se, em locais como a Inglaterra e os Estados Unidos, a Sega e a sua Game Gear ainda deram luta, em Portugal, esse conflito nunca sequer chegou a ser renhido – quem tinha uma consola portátil, tinha um Game Boy; o resto eram um ou outro ‘hipster, ou o habitual colega com pais menos conhecedores do mercado. O preço e acessibilidade dos jogos do Game Boy relativamente ao da Game Gear ou do ‘elefante branco’ Atari Lynx também ajudava a cimentar a posição da consola da Nintendo como líder de mercado, sendo que não eram todas as lojas que vendiam jogos de Game Gear, e praticamente nenhumas de Atari Lynx – e quando vendiam, era a preços proibitivos. Já o Game Boy marcava presença em todas as grandes superfícies e lojas de brinquedos, sendo os seus jogos comercializados a preços normais para a época.

E que jogos! Tal como a Mega Drive (e, mais tarde, a PlayStation, da Sony, da qual também falaremos em breve) a máquina apresentava grandes argumentos a seu favor logo desde o lançamento, sendo que se a Mega Drive tinha Sonic, Columns e Hang-On, o Game Boy tinha nada mais nada menos do que Tetris, cuja versão para a portátil da Nintendo foi um autêntico fenómeno - até por o jogo vir incluído com as primeiras edições da máquina.

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A caixa original do Game Boy, com oferta do jogo Tetris

Este auspicioso início - que era, ainda, auxiliado por outro título de lançamento forte, Super Mario Land - rapidamente se viria a expandir e transformar numa ‘biblioteca’ de jogos de respeito, que incluía representantes de altíssimo nível para todos os principais ‘franchises’ da Nintendo à época. Foi no Game Boy, por exemplo, que saíram Link’s Awakening, um dos títulos favoritos dos fãs da série Zelda, Super Mario Land 2, um dos jogos mais injustamente ignorados do ‘franchise’ Super Mario, ou a trilogia Donkey Kong Land, que mais tarde seria expandida com outros três jogos históricos, já em 16 bits. Isto sem falar, é claro, no novo e estrondosamente bem sucedido ‘franchise’ lançado pela Nintendo a partir de finais da década de 90, e cujos dois jogos iniciais foram lançados precisamente para o Game Boy original, acabando por lhe prolongar o ciclo de vida, que estava já em fase decadente. Falamos, como é óbvio, de Pokémon Red and Blue, os dois títulos ‘gémeos’ lançados em 1998 e que deram início a toda uma febre, a qual também será, obviamente, abordada neste nosso blog.

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Mesmo o sucesso de Pokémon, no entanto, não foi o suficiente para evitar a eventual ‘morte’ do Game Boy original – como também não o foi o lançamento de um modelo mais pequeno (denominado Game Boy Micro) nem de uma série limitada e exclusiva do modelo original em diferentes cores, incluindo uma estilosa variante transparente (de referir que hoje em dia, estas variantes coloridas valem bom dinheiro – atenção colecionadores e especuladores!)

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A edição limitada colorida do Game Boy original, aqui na variante verde

A verdade é que a própria Nintendo já tinha as atenções voltadas para o seu próximo projeto a nível das consolas portáteis – uma máquina, talvez, menos inovadora no seu setor do que o Game Boy original, mas que mesmo assim conseguiu repetir o sucesso do seu antecessor, com o qual era também compatível. O seu nome? Game Boy Color…

Desse, no entanto, falaremos noutra altura. Para já, é a vossa vez de se manifestarem – tinham Game Boy? Quais os vossos jogos preferidos? Que memória guardam deles? Escrevam-nos e partilhem a nostalgia!

29.03.21

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

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E neste segundo capítulo desta rubrica, vamos falar daquela que foi talvez a série mais requisitada pelas pessoas que tiveram conhecimento do blog, e que em popularidade apenas perdia para o nosso primeiro tópico, Dragon Ball Z. Falamos, é claro, de Mighty Morphin’ Power Rangers, conhecida em Portugal apenas pelas últimas duas palavras.

Historicamente reconhecida como a primeira adaptação ocidental das populares séries ‘sentai’ japonesas (sendo ‘sentai’ o termo genérico para designar aquele tipo de programas em que uma equipa de artistas marciais de uniforme enfrenta monstros do espaço dentro de um enorme robô de combate) a série original de Mighty Morphin’ Power Rangers consistia de três temporadas, exibidas nos EUA a partir de 1993. No entanto, o conhecido desfasamento sócio-cultural da altura causou o habitual atraso de 2-3 anos na exportação do programa, fazendo com que este chegasse a Portugal apenas em meados da década, em versão já dobrada e pronta a consumir por milhares de crianças.

Exibida no popular programa infantil da SIC, ‘Buereré’ - do qual era mesmo a principal atracção - a série não tardou a cativar o seu público-alvo, que rapidamente se rendeu àqueles heróis adolescentes virtuosos, mas ainda assim bem capazes de se defender contra as ameaças espaciais da bruxa Rita Repulsa. E se a primeira temporada fez sucesso, as duas seguintes apenas aumentaram o nível de popularidade dos Power Rangers entre a miudagem, cimentando a série como uma das campeãs de audiências entre os mais pequenos naquela época, e tornando o ‘merchandising’ alusivo à mesma quase tão apetecível quanto o do Dragon Ball Z.

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Um dos muitos produtos de 'merchandising' alusivos à série.

Os motivos para esta exacerbada popularidade não são, de todo, difíceis de perceber. Apesar de algo ‘tosca’, com fatos de monstro pouco credíveis e técnicas ‘copy-paste’ que para um adulto são mais que evidentes, a série mostrava-se exímia em combinar acção, artes marciais, boas lições de moral, um tema de abertura memorável (que muita gente desse lado decerto já está a trautear…) e um toque de comédia, tanto através dos vilões Rita, Lord Zedd e seus asseclas quanto da dupla de ‘bullies’ do liceu de Angel Grove, Bulk e Skull, que nunca deixavam de render alguns bons momentos de humor tipo ‘pastelão’.

A versão portuguesa tinha, ainda, o atrativo de uma dobragem, como a de Dragon Ball Z, extremamente marcante, inconfundível e irrepetível. Personagens como Lord Zedd e Rita Repulsa contavam com vozes e ‘dichotes’ marcantes, bem capturados e adaptados pela equipa de dobragem – já para não falar do inesquecível grito de 'ai-ai-ai' do robô Alpha-5, braço direito dos Rangers, ou do não menos icónico ‘Transmorfar!’, o qual servia de mote para a sequência de transformação dos personagens, de jovens normais para defensores de Angel Grove. O resultado foi uma das raras instâncias em que a versão dobrada supera a original, e se torna parte integrante da própria experiência de visionamento para todos os que com ela tomaram contacto; tanto assim é que, para muitos fãs da série, a sensação de ver os episódios em versão original não parece inteiramente correta...

                 

Se não for assim, não é a mesma coisa...

Naturalmente, uma série com a projecção e sucesso internacionais dos Power Rangers não podia deixar de gerar sequelas. No caso dos heróis Transmorfantes, a série original foi apenas a primeira de muitas, que se estenderiam ao longo das três décadas seguintes, e continuam em exibição até aos dias de hoje. A própria série original permance como parte integrante do imaginário popular, suscitando até hoje a criação de 'merchandising'  inédito, e até sendo alvo de um filme ‘remake’, com Bryan Cranston e Elizabeth Banks.

Antes de tudo isso, no entanto, existiu um outro filme, lançado em 1997 nos EUA, e que com a já referida ‘décalage’, acabou por chegar a Portugal já na ‘cauda’ da vaga original de popularidade dos Rangers – embora ainda a tempo de fazer as delícias da miudagem de Norte a Sul do País – e de dar azo a uma das mais populares séries de ‘Tazos’ não lançadas pela Matutano.

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O filme serviu, ainda, de mote – e episódio-piloto – para a série Power Rangers Zeo, a qual serve como uma espécie de desenvolvimento final para as três temporadas originais, apresentando novos fatos e poderes para a equipa de Rangers. Estes episódios foram, ainda, bastante bem-sucedidos – o suficiente para a SIC adquirir os direitos de transmissão e dobragem da série seguinte, Power Rangers Turbo, a qual também chegou a render um filme, bem como a seguinte, Power Rangers In Space. As séries Mighty Morphin' e Turbo foram, ainda, lançadas em numerosos VHS avulsos, cada um com alguns episódios e um título chamativo, como era prática na época.

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Um dos VHS de Power Rangers vendidos à época, com a dobragem portuguesa dos episódios 

No entanto, por esta altura, o público que acompanhara a série original começava a crescer, e a interessar-se por outro tipo de programa, impedindo Turbo de repetir o sucesso das temporadas anteriores. Mesmo assim, o programa ainda foi marcante, e é lembrado por toda uma geração de homens e mulheres que a acompanharam naquele tempo.

No fundo, e apesar de não ter sido a primeira tentativa de exibir séries ‘sentai’ em Portugal (‘Turbo Rangers’, uma das muitas produções japonesas do género, havia sido exibida na RTP alguns anos antes, inexplicavelmente dobrada em francês) a série Power Rangers original apresentou este peculiar género a toda uma geração, num ‘embrulho’ devidamente ‘ocidentalizado’ e com valores de produção muito mais altos que as séries originais, conseguindo assim triunfar onde outros haviam falhado. Prova disso é que, vinte e cinco anos após a transmissão dos episódios originais da SIC, ainda há um número suficiente de pessoas que se recordam da série para justificar um ‘post’ sobre ela num blog como este…

E vocês? Que memórias têm da série original dos Power Rangers? Quem era o vosso Ranger favorito? Por aqui, era o Azul – pelo menos até Tommy aparecer, na terceira temporada, e se tornar ídolo máximo…

GO, GO, POWER RANGERS!!!

                    

Força - podem cantar...

27.03.21

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos e acessórios de exterior disponíveis naquela década.

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Algures em 1996, um miúdo está a babar-se à frente desta imagem...

E que melhor forma de começar do que com aquele que foi, durante a maior parte da década, um dos principais desejos de qualquer criança – os patins em linha? Perdendo apenas para os computadores e as omnipresentes consolas no que toca a popularidade generalizada, estes aparelhos desportivos ocupavam, na mente de uma criança ou jovem da época, o mesmo espaço dos skates, das bicicletas, das pranchas de body-board e de alguns aparelhos electrónicos ‘menores’, como os Walkman - ou seja, entravam normalmente em segundo ou terceiro lugar nas referidas listas, as quais eram geralmente encabeçadas pela mais recente máquina da Sega, Nintendo ou Sony. Previsivelmente, este tipo de equipamento era, também, presença frequente entre os prémios de sorteios dirigidos ao público jovem, lado a lado com a maioria dos outros aparelhos anteriormente referidos.

O fascínio por estes equipamentos – bem como os outros referidos no parágrafo anterior – não era difícil de explicar, especialmente se se tiver em conta que a década de 90 ficou marcada pela massificação e popularização dos desportos radicais, não só em Portugal como um pouco por todo o Mundo. O skate, o surf, a BMX e (claro) a patinagem em linha passaram, pois, a ser vistos como passatempos ‘fixes’, praticados por pessoas com ‘pinta’ – e, por isso mesmo, desejáveis. Qualquer criança que visse uma destas atividades, fosse num filme, numa série ou mesmo num programa desportivo, passava assim, naturalmente, a querer experimentá-las, justificando a presença dos respetivos equipamentos nas ‘wishlists’ para ocasiões especiais. Os patins em linha não eram exceção, e mesmo quem não gostava muito de desporto nem de atividades de exterior queria ter um par, quanto mais não fosse para mostrar aos amigos na escola ou no jardim.

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Como a maioria dos jovens pensava que passaria a ser se tivesse um par de patins em linha.

O mais curioso é que, apesar de só se terem popularizado mundialmente nas últimas décadas do século XX, os patins em linha já existiam há mais de 250 anos antes de caírem no gusto das crianças e jovens da sociedade moderna! Estes equipamentos foram inventados em 1743, e patenteados três quartos de século depois, em 1819, por um francês chamado Petibled. No entanto, por razões que a História desconhece, os mesmos acabariam por cair no esquecimento, sendo largamente ultrapassados pelos patins 'normais’, e gerando o mito de que a sua criação seria posterior à destes. A criação até pode não ter sido, mas a entrada na sociedade moderna, definitivamente, foi – os patins em linha apenas voltaram a gozar de alguma popularidade nos anos 80, altura em que os patins ‘vulgares’ já faziam parte da cultura ‘pop’ ocidental há mais de 30 anos.

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Os patins 'normais' no imaginário 'pop'

Ainda assim, quando estes equipamentos voltaram a fazer parte do imaginário ocidental, não tardaram a afirmar-se como a nova coqueluche de toda uma geração de crianças e jovens, sendo que Portugal não foi exceção. Apesar da dificuldade em aprender, do sentido de equilíbrio necessário e dos muitos ‘tombos’ que se previam vir a acontecer, esta ‘febre’ afetava a quase totalidade das crianças e jovens do nosso país, independentemente do sexo ou idade. E quem conseguia aprender a andar sem cair – especialmente se conseguisse andar rápido – tendia a ser muito admirado e invejado pelos seus colegas e amigos.

Com o passar dos anos, e ao contrário do que aconteceu com as perenes bicicletas e os não menos eternos ‘skates’, os patins em linha voltaram a esmorecer um pouco na consciência das camadas mais jovens. Hoje em dia, a prática desta atividade voltou a ter expressão muito limitada, não só entre os mais novos como de uma forma geral, não sendo já muito comum ver pessoas (de qualquer idade) a andar de patins em linha, pelo menos fora dos recintos próprios para o efeito, como pistas de skate e BMX. Ainda assim, para toda uma geração que cresceu no final do século XX, este foi, e provavelmente sempre será, um dos melhores presentes ou prémios que se podiam conseguir a dada altura das suas vidas.

E vocês? Tinham patins em linha? Sabiam andar? Deste lado, havia um par, ganho num sorteio e efusivamente celebrado, mas que acabou por ter muito pouco uso, por motivos de falta de jeito… Identificam-se? Ou tiveram uma experiência diferente? Façam-se ouvir nos comentários!

26.03.21

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

E uma coisa que todo o jovem que cresceu naquele período de tempo certamente recorda são as peças de roupa de contrafacção. Não, não são aquelas que passavam por reais entre os amigos do 6º ano – falamos daquelas que conseguiam a proeza de, simultaneamente, tentar ao máximo passar por autênticas, e não tentar o suficiente. Coisas com logotipos como estes:

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E estes são só os exemplos para a Adidas…

Das calças Abadas às t-shirts ReeCLOCK, mochilas Monte CARLO, chinelos PAMU e parkas DUCK, estes artigos fizeram parte integrante da infância da esmagadora maioria das crianças portuguesas dos anos 90, fosse por as verem nos expositores das já referidas barraquinhas, fosse por as terem e vestirem diariamente – afinal, a roupa de marca era cara, e acessível a ainda menos carteiras naquele tempo do que hoje.

O que muita gente não se lembra (ou talvez até se lembre) é de que havia basicamente três níveis de artigos de contrafacção. O primeiro eram aqueles artigos que enganavam 95% das pessoas, imitações quase perfeitas que só se acusavam nos detalhes (por exemplo, as camisolas No Fear vendidas por quase todos os vendedores ambulantes à época tinham um erro ortográfico no texto, mas eram em tudo o resto indistinguíveis das verdadeiras.)

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Esta é autêntica. As falsas diziam 'IS seems...'

O segundo tipo era o citado acima – peças que PARECIAM da marca, até se olhar para o logotipo, e que, depois disso, davam vontade de rir e, ao mesmo tempo, de dar uma palmadinha nas costas dos contrafactores, ao estilo ‘bom esforço, pá’.

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Estiveram lá quase...

Por fim, o terceiro tipo consistia daquelas peças que faziam o mínimo dos mínimos de esforço para enganar fosse quem fosse – por exemplo, aqueles famosos chinelos que tinham o triângulo cortado, ou o puma a saltar, e as letras na ‘font’ correcta (ou aproximada), mas que depois diziam apenas ‘SPORTS’ ou algo semelhante. Dessas, nem há fotos no Google, tal era o nível de 'cheapness'  da coisa - mas quem teve uns chinelos da loja dos 300, certamente saberá ao que este parágrafo se refere.

Escusado será dizer que quem tivesse o segundo ou terceiro tipo de ‘fake’, também precisava de ter muita auto-confiança ou de se saber defender do gozo na escola. Já o primeiro tipo chegava a ser cobiçado, porque muitos ‘putos’ da altura tinham, e como tal, os que não tinham acabavam por querer.

Hoje em dia, a indústria de contrafacção e imitação continua a existir, embora se tenha sofisticado, deixando de lado as marcas de desporto em favor de marcas de alta costura como a Emporio e a Dolce & Gabbana. As ‘fakes’ também já não têm o mesmo encanto, sendo agora mais cínicas, até mesmo quando são desastradas como aquelas antigas. Mesmo assim, de quando em vez, ainda aparece uma que nos faz recordar aqueles tempos mais simples e inocentes dos anos 90…

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E vocês? Tinham roupas ‘falsas’? Qual a vossa imitação favorita daquela época? Por aqui, ficamos com as calças de treino Abadas e os chinelos Pamu. Concordam? Discordam? Façam-se ouvir nos comentários!

26.03.21

NOTA: Este post corresponde a quinta-feira, 25 de Março de 2021.

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.

E começamos por um que, embora exista até aos dias de hoje, marcou verdadeiramente época para a primeira geração de ‘millennials’ – o Bollycao.

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A tradicional embalagem do Bollycao nos anos 90, antes da mudança para vermelho.

Um forte candidato ao prémio de ‘melhor campanha de marketing para um alimento pouco excitante’ de sempre, o Bollycao – introduzido no mercado português em 1985, mesmo ano do aparecimento dos Donuts - era, pura e simplesmente, um pãozinho com chocolate, semelhante ao que se podia adquirir em qualquer supermercado ou padaria (ou até fazer em casa, usando outro alimento marcante dos anos 90, o Tuli-Creme) só que menos fresco, e mais processado. E sabendo que o produto em si não era mais do que isto, fica a pergunta: porquê tanto sucesso?

A resposta, como sempre, está numa estratégia comprovadamente eficaz, e já testada em outros alimentos, como os cereais – a inclusão de brindes com cada embalagem do produto. No caso do Bollycao, esses brindes consistiam, entre outros, da ‘Janela Mágica’ - pequenos mini-diapositivos com ‘animações’ simples - dos famosos cromos, primeiro da lendária colecção ‘Tou’ e, mais tarde, alusivos aos ‘franchises’ mais popular da altura (sim, houve do Dragon Ball Z. CLARO que houve do Dragon Ball Z!) e do jogo de cartas BoliKaos, semelhante aos da Top Trumps. Estes cromos e brindes (semelhantes, aliás, aos dos Donuts e Donettes, que também eram da Panrico) eram mesmo, para muitos, o principal incentivo para comprar ou pedir aos pais um Bollycao, em vez de uma alternativa que todos sabíamos ser mais fresca e saborosa, como um bolo do dia.

Basicamente, a Panrico não só soube ‘vender’ o seu produto como algo diferente das múltiplas outras alternativas disponíveis, como também percebeu quais os elementos-chave para obter sucesso de vendas junto do público infanto-juvenil. Foi essa combinação de fatores que rendeu ao Bollycao o posto de honra na lista dos ‘snacks’ embalados favoritos de muitas crianças, e que o faz ser recordado até hoje por toda uma geração.

Foi tanto o sucesso do humilde pãozinho com chocolate que a Panrico arriscou mesmo, em meados dos anos 90, o lançamento de ‘variantes’, das quais a mais conhecida é o Bollycao Mix, cujo recheio combinava pasta de chocolate normal e chocolate branco. No entanto, como acontece na maioria dos casos deste tipo, estas variantes nunca chegariam sequer perto do sucesso do Bollycao original, acabando por desaparecer discretamente das prateleiras ao fim de algum tempo.

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E como não podia deixar de ser, tal como qualquer outro produto de sucesso, o Bollycao também teve os seus imitadores e ‘sósias’, determinados a roubar algum do ‘market share’ da Panrico. O primeiro desafio veio da Bimbo, através do imaginativamente chamado BimboCao, cuja embalagem era, digamos, ‘inspirada’ no snack da Panrico – que mais tarde viria a ‘retribuir o favor’ com a embalagem do Bollycao Mix, que copiava explicitamente o design da embalagem da concorrente. No entanto, embora em Espanha a ‘luta’ entre estas duas marcas tenha sido bastante acirrada, em Portugal, o Bollycao saiu como claro vencedor, com a Panrico, inclusivamente, a assimilar a Bimbo, que hoje em dia produz…Bollycaos!

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Se o Bollycao fosse a Barbie, o BimboCao seria a Sindy...

Assim, de longe o concorrente mais bem sucedido neste aspeto foi o Chipicao, importado para Portugal pela Chipita em 1995 como resposta direta ao sucesso de vendas da Panrico, e que. mesmo com 10 anos de atraso em relação ao principal concorrente, se conseguiu ainda assim estabelecer no mercado, onde aliás sobrevive até hoje.

Talvez a raiz do sucesso do Chipicao se deva ao facto de (ao contrário do malogrado BimboCao) ele não ser uma cópia EXACTA do Bollycao. Efetivamente, onde este tinha um formato tipo cachorro-quente, o Chipicao apresentava-se em formato ‘croissant’, o que era já de si um diferencial. A embalagem era, também, bastante diferente da do Bollycao, apostando também na cor amarela, mas apresentando um aspeto gráfico muito mais cuidado, inclusivamente com recurso a uma mascote ‘radical’ (e em 3D!), como era apanágio da época.

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A primeira embalagem portuguesa do Chipicao, com a sua mascote totalmente anos 90.

No entanto, enquanto produto comestível, o Chipicao era algo inferior ao Bollycao, mais fofo mas com uma distribuição de chocolate muito menos generosa do que a da sua congénere da Panrico (sendo que, muitas vezes, tanto o pão como a própria pasta de chocolate se apresentavam ressequidos, tornando o bolo praticamente incomestível.)

Isto seria, talvez, desculpável se este concorrente do Bollycao trouxesse brindes à altura do seu rival direto; no entanto, mais uma vez, a Chipita não estava à altura do desafio, sendo que os cromos do Chipicao (quando os havia) não eram nem de longe tão memoráveis quanto os do pão com chocolate da Panrico (o mesmo se passando, aliás, com o BimboCao). O bolo da Chipita ainda tentou aproveitar a onda dos ‘Tazos’, mas partiu com demasiado atraso para ter qualquer impacto nesse aspeto – para além do facto de os seus Tazos serem muito pouco memoráveis quando comparados aos da Matutano ou a outros, como os dos Power Rangers.

Ainda assim, tanto o Bollycao como o Chipicao (que também chegou a ter variantes, com recheio de morango ou baunilha, entre outros) marcaram uma época, e ambos tiveram os seus fãs – e é muito provável que os continuem a ter. Afinal, como referimos acima, qualquer dos dois produtos continua disponível nas prateleiras, e qual é a criança que não gosta de um bolo processado, com recheio de creme, brindes ‘à maneira’, valor nutritivo nulo, e a que a maioria dos pais torce o nariz? Esta combinação era praticamente garantia de vendas nos anos 90, e as crianças, ainda que tenham mudado desde então, também não mudaram assim tanto…

E vocês? Quais as vossas memórias destes dois bolos clássicos dos cafés e supermercados portugueses? De qual gostavam mais? Digam de vossa justiça nos comentários! Entretanto, fiquem com um anúncio clássico para vos reavivar a memória...

               

 

23.03.21

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Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

E começamos, desde logo, por destacar um dos principais ‘dispensadores’ de desenhos animados daquele tempo, o mítico e saudoso Buereré. Antes do Batatoon (o outro grande ‘dispensador de cartoons’), era para este programa, emitido todos os dias, que a maioria das crianças sintonizava as suas televisões quando queria ver as suas séries infanto-juvenis preferidas, com especial destaque para um dos mais populares ‘franchises’ da década em Portugal, e que à época perdia apenas para o Dragon Ball Z nesse aspeto. Falamos, é claro, dos Power Rangers, talvez a maior ‘estrela’ do Buereré, logo a seguir à apresentadora e respetivos companheiros representados por homens e mulheres dentro de fatos de animais.

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A apresentadora Ana Malhoa com dois dos 'bonecos' do programa, o Boi-Ré-Ré e o macaco Hadrianno

Mas comecemos pelo início. Transmitido em Portugal a partir de 1994, o Buereré era, como tantos outros programas exibidos em Portugal até aos dias de hoje, uma adaptação de um formato de sucesso comprovado no estrangeiro. No caso, o programa tentava emular o lendário Xou da Xuxa, sucesso absoluto entre as crianças brasileiras na década de 80 e 90 por misturar, em doses certas, música, jogos e passatempos e, claro, desenhos animados. Seria esta mesma receita que Ediberto Lima viria a importar para Portugal do seu país natal, cabendo à cantora popular Ana Malhoa, então com apenas 15 anos, servir como uma espécie de Xuxa ‘à portuguesa’ – isto é, baixinha e morena em vez de alta e loira como a sua congénere brasileira. E se o Xou da Xuxa tinha em ‘Ilariê’ o seu tema-estandarte, a versão portuguesa de Ana Malhoa apresentava não um, mas dois substitutos à altura, os não menos memoráveis ‘Começou no A’ e ‘Canção do Hadrianno’.

                 

                 

Nem sequer finjam que não estão a cantar...

Brincadeiras à parte, a verdade é que Ana, como Xuxa, tinha o condão de agradar tanto ao público-alvo como a espectadores mais velhos, e o seu estilo dinâmico de apresentar, em conjunção com as populares personagens coadjuvantes, como o casal Boi-Ré-Ré e Vaca-Ré-Ré, o crocodilo Croko, a abelha Melzinho ou o Macaco Hadrianno (este último importado do também lendário Big Show SIC, uma espécie de ‘Buereré para adultos’) foi em grande parte responsável pelo sucesso e longevidade do programa, que se manteria no ar, no formato de auditório, até 1998 – uma eternidade no que respeita a programas infantis. Na verdade, o programa era tão popular que, em 1995, foi criada uma segunda versão, de mais longa duração, para ser transmitida aos fins de semana, adequadamente batizada de ‘Super Buereré’. Escusado será dizer que o programa tinha também a sua propria linha de ‘merchandising’, na qual se incluíam cadernos escolares, puzzles, livros e discos, entre outros objetos populares entre o público-alvo.

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Exemplo de um produto licenciado do Buereré 

Escusado será também dizer que, mesmo com os seus muitos atrativos, um programa nos moldes do Buereré não gozaria de tão elevada popularidade sem uma boa selecção de séries e desenhos animados; felizmente, também aqui, a SIC não comprometia, assegurando os direitos de transmissão das primeiras séries de Power Rangers, e assegurando assim uma audiência fiel, que podia também deleitar-se com as curtas de Tom e Jerry, entre outros bons representantes do género.

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Para um puto de 10 anos, esta imagem era o equivalente a uma foto de um carro topo de gama para um adulto. Só que os carros topo de gama não dão murros em monstros do espaço gigantes.

No fundo, a receita para o sucesso do Buereré era simples – o programa dava às crianças o que elas queriam, misturando populares séries infantis com jogos, passatempos e música totalmente adequados ao seu público-alvo, e moderados por uma anfitriã pouco mais velha do que os próprios espectadores. E, como a longevidade e popularidade do programa veio a provar, não era preciso mais do que isso para cativar a miudagem (quem nunca tiver cantado nenhuma das músicas acima no recreio da escola, fosse a sério ou jocosamente, que se acuse…)

A partir de 1998, o Buereré sofreria uma mudança de formato, passando a ser apenas um bloco de desenhos animados e séries infantis, sem o formato de auditório circundante. Esta medida, que pode ter parecido sábia à Ediberto Lima Produções á altura, viria no entanto a provar-se muito pouco frutífera,  pois embora o Buereré permanecesse no ar mais quatro anos – totalizando uns espantosos oito de transmissão, no total – seria nesse mesmo ano que o seu maior rival se ergueria, na estação rival da SIC, com um formato de auditório, e pronto a usurpar o lugar que havia até então pertencido à jovem dos calções curtos e seus amigos antropomórficos.

Desse programa, no entanto, falaremos em outro post; por agora, e como sempre, deixamo-vos o protagonismo. Digam, pois, de vossa justiça - o que achavam do Buereré? Quais as vossas melhores memórias do programa? Partilhem-nas connosco, e quando estiverem a escrever, não se esqueçam: ‘o U depois do O, faz o AEIOU!’

22.03.21

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Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

E começamos essa nossa viagem musical pela década com um género que, não tendo surgido durante a mesma, se popularizou e ganhou uma denominação oficial naqueles anos. Falamos do estilo veiculado por nomes como Quim Barreiros, Emanuel (autor da música que deu nome ao género), Zé Cabra, Ágata, Romana ou Ruth Marlene – isto sem esquecer alguns representantes infantis, como o inesquecível Saúl Ricardo (hoje com 33 anos - já se sentem velhos?) ou a então teenager Ana Malhoa (cujo pai também tocava o mesmo estilo), ou ainda algumas ‘importações’, como Roberto Leal, Iran Costa ou Netinho.

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Alguns dos principais representantes masculinos do estilo

Pois é, hoje vamos falar da chamada música ‘pimba’ – ou, como era conhecida na época pré-Emanuel, música popular ou folclórica. Sim, aquele estilo que tirou a sua denominação da música ‘Pimba Pimba’, do referido Emanuel (a qual…já fazia tecnicamente parte do estilo…uh…Pimba-ception?) e que literalmente ‘roubava’ canções aos estilos equivalentes sul-americanos – nomeadamente o forró, o sertanejo, a llorona ou a música tipo mariachi – lhes reescrevia as letras (quando calhava…), e lhes adicionava umas belas batidas eletrónicas para fazer o povo todo saltar nas festas da aldeia. Hoje em dia, o ‘gamanço’ estende-se também a estilos como o funaná, a quizomba e o reggaeton, mostrando que a música pimba pode ser tão eclética quanto é foleira.

Quem, na altura, tinha menos de década e meia de vida, no entanto, não se importava muito com nada disso. O que interessava não era tanto a qualidade musical da coisa, como o facto de ser a – mexida, b – fácil de decorar e cantar e c – marota (o que, como se sabe, é fator decisivo para se gostar ainda mais de uma coisa aos 10 anos.) Esta combinação de fatores, mais a boa e velha exposição mediática (nos programas da tarde ou especiais de Verão), fazia com que qualquer criança conhecesse, pelo menos, os maiores hits do Emanuel e do Quim Barreiros, mais qualquer que fosse a música daquele mês ou daquele Verão (quem se lembra do ‘É o Bicho’, ‘O Tchan’, ‘Oh Mila’, e tantos outros desse tipo?) Pior – a maioria AINDA HOJE se lembra dessas músicas, feitas para serem descartáveis, mas que claramente falharam nessa sua missão.

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Nem é preciso pôr o vídeo - só de verem esta imagem, já estão a cantar, certo?

Escusado será dizer que muito poucos desses artistas sobrevivem até aos dias de hoje. Tirando os ‘dinossauros’ como Marco Paulo e Quim Barreiros, e aqueles que deixaram descendência (Mickael Carreira…medo!), a maioria já há muito que caiu na obscuridade – por muito que os seus maiores sucessos continuem a ser parte da consciência popular. Ainda assim, é interessante – mesmo que levemente deprimente – perceber o que as crianças dessa época ouviam, depois de saírem da fase Onda Choc / Ministars, mas antes de os seus gostos se virarem para estilos mais ‘a sério’.

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Três gerações de Malhoas, juntos em palco (e um belo pretexto para pôr uma foto da Ana no blog.)

E vocês? Quem era o vosso artista ou música pimba favoritos? (Não façam de conta que não ouviam. Não cola. Ouviam. Nem que fosse na escola.) Deixem a vossa confissão nos comentários!

21.03.21

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Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos desportivos da década.

E obviamente, para uma rubrica com este título, há que começar do início – com o Domingo Desportivo, o lendário programa da RTP, no ar há mais de 50 anos, que inspirou o título desta série de posts, e que marcou toda uma época para os fãs portugueses de desporto, incluindo os mais jovens.

A principal razão pela qual o programa é, ainda hoje, tão saudosamente recordado prendia-se com o facto de o mesmo não só oferecer um bloco de várias horas totalmente dedicado ao desporto (por oposição às três ou quatro notícias sobre o tema veiculadas no noticiário) mas também ir mais a fundo do que qualquer outro programa do género, veiculando não só os principais campeonatos portugueses de futebol profissional e modalidades, mas também resumos dos jogos das então chamadas II Divisão e II Divisão B de futebol. A possibilidade de assistir, ainda que parcialmente, a estes jogos entre equipas muito longe da ribalta era um dos fatores que davam ao Domingo Desportivo muito do seu charme, na ótica dos telespectadores mais fiéis.

Outro fator importante, e que dava ao programa a sua identidade, era a apresentação, que ficava a cargo de ‘figurões’ do calibre de Gabriel Alves e Mário Zambujal. O estilo televisivo destas personalidades também marcou época, e será certamente memorável para a maioria dos fãs do programa, tal como ele era naquele tempo.

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Enfim, não há muito mais a dizer – para quem gostava de desporto, o DD era O programa de referência, e a única oportunidade de ver, ainda que resumidamente, aquilo que não passava em televisão nenhuma.

Hoje em dia, o programa continua no ar – pelo menos nos canais das ilhas – mas já sem o mesmo élan. Numa época em que se pode facilmente ver qualquer resumo no YouTube minutos após a partida acabar, um programa como o Domingo Desportivo acaba por perder muito do sentido que tinha naquele tempo menos tecnologicamente avançado, explicando a sua menor repercussão e peso nos hábitos televisivos dos fãs de desporto. Aqueles que lá estiveram nos ‘bons tempos’, no entanto, nunca esquecerão a experiência de ver o resumo de um Mirense-Mealhada a ser tratado com tanta seriedade e importância como o jogo do Sporting daquela mesma semana…

E vocês? Que memórias retêm do Domingo Desportivo? Partilhem nos comentários!

                   

Excerto de um programa referente à época 94/95, com a sua memorável abertura e um resumo.

 

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